Por Enzo Bicalho Assis / FOLHA VITÓRIA / Foto: Reprodução/Instagram @ricardoferraco
Jordano Leite era o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança. José Darcy Arruda pediu exoneração na última sexta-feira
O governador Ricardo Ferraço(MDB) anunciou que o delegado Jordano Bruno Gasperazzo Leite será o novo delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES).
Jordano Leite ocupava o cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Delegado de Classe Especial, ele substituirá José Darcy Arruda, que pediu exoneração na última sexta-feira (03).
Segundo o governador, o afastamento de Arruda ocorreu por razões de saúde e pela aposentadoria do delegado. Arruda comandava a corporação desde 2018 e esteve à frente de ações estratégicas voltadas ao enfrentamento da criminalidade no Estado.
O novo delegado-geral da corporação é bacharel em Direito e especialista em Direito Público e em Políticas e Gestão em Segurança Pública. Ele tem atuações em projetos de modernização e integração tecnológica da forças de segurança do Estado.
Na corporação, Jordano já foi titular das Delegacias de Fundão, João Neiva e Praia Grande, além de Delegacias Especializadas como a de Segurança Patrimonial, de Crimes Contra o Transporte de Pessoas e Cargas, de Roubo a Bancos e o Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc).
Também já foi titular do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (NUROC), da Divisão Patrimonial e Gerente de Operações Técnicas da Subsecretaria de Estado de Inteligência.
Polêmica nas investigações da Operação Turquia
Dias antes de pedir exoneração do cargo, o delegado José Darcy Arruda esteve no centro de um episódio que gerou repercussão na área da segurança pública. Um advogado anunciou que pretende processar o Estado e o então chefe da Polícia Civil após a divulgação do nome de um delegado que atuava como testemunha em uma investigação sigilosa.
O caso está relacionado à Operação Turquia, que apura o possível envolvimento de policiais civis com o crime organizado e o tráfico de drogas. Segundo a defesa, a identidade do delegado deveria ter sido preservada por questões de segurança, mas teria sido tornada pública após declarações do chefe da corporação.
A situação resultou em questionamentos e abriu um novo capítulo de tensão institucional às vésperas da saída de Arruda do comando da Polícia Civil. Em nota, a Polícia Civil afirmou que as informações sobre o caso não estão sob sigilo.
Arruda revelou em 2025 luta contra o quarto câncer
Sobre a condição de saúde de Arruda, em entrevista concedida ao Folha Vitória em 2025, o então chefe da Polícia Civil falou publicamente sobre o tratamento contra o quarto câncer enfrentado desde 2021.
Na ocasião, José Darcy Arruda relatou ter passado por cirurgias, sessões de quimioterapia e radioterapia, além de enfrentar metástases no pulmão e um tumor na amígdala.
Durante a conversa, o delegado descreveu momentos críticos da doença e afirmou que chegou a temer pela própria vida. “Eu senti o gosto da morte na minha boca”, declarou na entrevista, ao relembrar uma das fases mais difíceis do tratamento.

