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A reação de Meneguelli nas redes, mirando em Magno Malta e Armandinho

A reação de Meneguelli nas redes, mirando em Magno Malta e Armandinho

Por  Vitor Vogas / ES 360 / Foto: Divulgação

Falando em “canalhas” e “pilantras”, deputado postou vídeo sem citar nomes, mas endereçado aos dois parlamentares do PL. Aliado do senador, vereador tem atacado Meneguelli na Câmara de Vitória. “Estão querendo me derrubar”, alertou deputado

“Estão querendo me derrubar”, avisou o deputado estadual Sérgio Meneguelli, em vídeo publicado em suas redes sociais. Poderia ter acrescentado: “de novo”. Tendo rapidamente alcançado mais de 20 mil curtidas em poucas horas, o post é uma reação veemente do ex-prefeito de Colatina ao que ele mesmo considera uma campanha orquestrada contra ele por parlamentares do PL para minar sua pré-candidatura ao Senado.

Falando em “canalhas” e “pilantras”, Meneguelli não citou nomes, e a oração “estão querendo me derrubar”, gramaticalmente, tem sujeito indeterminado. Mas, no contexto político, o sujeito é certo… e composto: pronome ausente na frase, “eles” são o senador Magno Malta e o vereador Armadinho Fontoura, como não deixam dúvida as palavras de Meneguelli. O ex-prefeito de Colatina fez menção direta ao uso de tornozeleira eletrônica – alusão a Armandinho – e a “grupos que querem eleger filhas de candidatos” – que se saiba, no Espírito Santo, só Magno quer eleger ao Senado a própria filha, a publicitária Maguinha Malta (também do PL).

O pano de fundo da briga é eleitoral. Após ter sido, de fato, derrubado da corrida ao Senado nas eleições de 2022, Meneguelli tenta novamente ser candidato ao cargo em 2026, pelo PSD. Hoje está no Republicanos, mas poderá trocar de partido no próximo mês de março. Filiado ao PL desde 2024, Armandinho é aliado de Magno, presidente estadual da sigla bolsonarista. Para o Senado, o vereador de Vitória apoia sua correligionária, Maguinha, lançada pelo próprio pai.

Da tribuna da Câmara de Vitória, Armandinho tem feito ataques sistemáticos a Meneguelli – e também ao ex-governador Paulo Hartung, que se reaproximou do deputado e abriu-lhe as portas para se filiar ao PSD.

Armandinho tem se referido a Meneguelli por termos depreciativos, como “demagogo”, “fanfarrão”, “Baby Sauro” e “bebê reborn envelhecido”. “É o que há de pior na política do Espírito Santo”, disparou da tribuna, na última terça-feira (11). Tratando o deputado de Colatina como uma “farsa”, o vereador do PL também tem apontado sua metralhadora verbal para Hartung.

Segundo Armandinho, Meneguelli não passaria de um “estelionato eleitoral lançado pelo ex-governador”, para eleitores de direita não votarem em candidatos pertencentes a esse campo ideológico, como a própria Maguinha, o vereador Leonardo Monjardim (Novo) e o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB). No dizer de Armandinho, o caso seria de “estelionato” porque, segundo ele, tanto Hartung quanto Meneguelli em verdade seriam “esquerdistas”.

Até agora, Meneguelli vinha preferindo ignorar as agressões verbais em profusão. Na semana passada, num evento em Guarapari, Armandinho chegou a gravar um vídeo bem perto do deputado, filmando-o ao fundo e chamando-o, novamente, por termos depreciativos. Meneguelli fingiu não ouvir e passou reto.

A gota d’água, porém, foram matérias publicadas nesta semana em alguns sites de notícias do Espírito Santo – e implicitamente atribuídas por Meneguelli a seus adversários no PL. O site ES Hoje, por exemplo, publicou que, no ano 2000, o hoje deputado teria sido denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por apropriação indevida de recursos públicos da Assembleia Legislativa, no auge da Era Gratz. Meneguelli, segundo a publicação, teria figurado no rol de denunciados em uma das ações do chamado Esquema das Associações.

De acordo com a reportagem, em maio do ano 2000, ele teria recebido um cheque no valor de R$ 5 mil, emitido pela Assembleia e assinado pelo então presidente da Casa, José Carlos Gratz, e pelo seu então diretor-geral, André Nogueira. A verba teria sido requerida pela entidade “Damas de Caridade de Colatina”, mas, segundo a reportagem, teria sido depositada em conta pessoal de Meneguelli na Caixa Econômica Federal e teria sido “desviada para fins particulares”.

Em seu discurso no plenário da Câmara na terça-feira (11), Armandinho referiu-se a essas matérias, chamando Meneguelli de “filhote de Gratz”.

No vídeo publicado nesta terça-feira (12), Meneguelli negou firmemente as acusações e as atribuiu a uma nova tentativa de impedirem que ele seja candidato ao Senado, antes mesmo da largada oficial da campanha.

“Inverdades”, “coleira” e “tornozeleira”

“Triste pelos ataques que venho sofrendo nas redes sociais simplesmente porque apareci como um dos favoritos na eleição ao Senado no ano que vem. […] Existem aí grupos políticos que querem eleger filhas de candidatos. Estão fazendo um movimento, inclusive com inverdades. Estão publicando que eu estou sendo processado por um desvio de R$ 5 mil em 2002. Eu não ocupava cargo público nenhum. Eu era o dono de uma floricultura.”

De fato, no ano 2000 (e em 2002, como ele disse), Meneguelli não exercia cargo público. De acordo com a página oficial da Câmara de Colatina, ele exerceu quatro mandatos de vereador na cidade. O primeiro foi entre 1983 e 1988. Os outros três, de 2005 a 2016.

“Se alguém mostrar alguma condenação minha ou que estou respondendo a algum processo na [Justiça] criminal como eles estão falando, eu nem seria candidato, eu teria vergonha na cara. Não sou como eles, não!”, rebateu Meneguelli. E contra-atacou: “Os que estão tentando me denegrir têm duas condenações […]. O outro estava preso até pouco tempo atrás e ainda continua usando coleira… ééé, tornozeleira. Eles têm moral? Olha o passado deles. Olha quem eles são!”

“Rasteira covarde” três anos atrás

Nas eleições de 2022, Meneguelli já estava no partido Republicanos. Filiara-se à sigla de direita com a expectativa e a promessa de poder ser candidato ao Senado. Antes da campanha, aparecia muito bem em pesquisas de intenção de voto. Mas, a poucas semanas do período oficial de campanha, o partido decidiu não dar legenda para ele. Em seu lugar, lançou ao Senado o então presidente da Assembleia, Erick Musso, que já tinha forte influência na direção estadual e é, atualmente, o presidente do Republicanos no Espírito Santo.

Restou a Meneguelli concorrer a deputado estadual, mas ele nunca perdoou Erick pelo que chama de “rasteira covarde”. Também não perdoa Magno Malta, pois está convencido de que a operação para derrubá-lo também teve o dedo do atual senador, em articulações com dirigentes nacionais de PL e Republicanos (aliados naquele pleito).

Então sem mandato, Magno, por esse entendimento, queria ver o próprio caminho mais aberto para voltar ao Senado (o que de fato conseguiu nas urnas). O senador sempre negou participação nessa história. Em seu vídeo, Meneguelli resgatou:

“Já fizeram isso comigo quatro anos atrás, quando eu era o grande favorito, tinha 12 pontos pelo Ipec [instituto de pesquisas] na frente do atual senador, mas me passaram uma rasteira covarde, não deixando eu ser candidato ao Senado, sendo eu 100% ficha limpa, como sou hoje”, afirmou o deputado, usando uma camiseta branca que é uma variação daquela que ficou tão associada à sua imagem, adaptada a uma disputa estadual: no lugar de “Eu amo Colatina”, entra a frase “Eu amo E.S. igual Colatina”.

“Pilantras que querem tirar pessoas de bem”

“Por um momento, eu fico até feliz”, ironizou o ex-prefeito, retornando ao “eles” indeterminado: “Eles não têm nada pra falar de mim, dos meus mandatos, ficam pegando coisas de quando eu era dono de floricultura e pedia patrocínio a todo mundo pra poder divulgar a cultura em nossa cidade”.

Dizendo não responder a nenhum processo relativo ao mandato de prefeito e ter tido todas as suas contas aprovadas, ele ainda “aconselhou” os adversários:

“Ô, pessoal! Faz uma campanha diferente. Elege sua filha, elege seu irmão, elege qualquer um, mas deixa eu em paz. Não faça essa rede, não. Não jogue sujo, não, porque, se depender de mim e de Deus, eu vou continuar a minha carreira”.

E arrematou: “Estão demonstrando que são pilantras e querem tirar as pessoas de bem da política”.

Observação

A coluna não conseguiu confirmar com o MPES as informações sobre a denúncia atribuída por publicações de outros veículos a Meneguelli. Resumimo-la acima tão somente para contextualizar a briga e a resposta do deputado.

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