Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto-legenda: Nara Borgo era secretária estadual de Direitos Humanos desde 2019 / Crédito: Divulgação
Governador decide exonerar Nara Borgo do comando da Secretaria de Estado de Direitos Humanos. Advogada ficou por mais de sete anos na pasta
A secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo (PSB), será exonerada do cargo, por decisão do governador Ricardo Ferraço (MDB). Ele a informou da decisão pessoalmente, na manhã dessa terça-feira (14), em reunião no Palácio Anchieta.
A própria Nara confirmou a exoneração, ainda não publicada no Diário Oficial do Estado. O/a substituto/a ainda não foi definido/a.
Desde o início do governo de Ricardo, no dia 2 de abril, essa é a primeira mudança no secretariado feita por ele de forma totalmente discricionária, isto é, porque ele assim desejou. Até então, Ricardo já havia feito 11 trocas, mas todas de maneira impositiva, para substituir secretários que entregaram o cargo para poderem disputar algum mandato nas eleições deste ano.
A Secretaria de Estado de Direitos Humanos foi criada durante o último governo de Paulo Hartung (2015-2018), tendo como primeiro titular o professor e jurista Júlio Pompeu. A advogada Nara Borgo assumiu a chefia da pasta no início do segundo governo de Renato Casagrande (PSB), em 2019, e foi uma secretária longeva: ficou no cargo por quase sete anos e meio.
À frente da secretaria, Nara teve grande importância na estruturação da rede estadual de proteção aos direitos humanos e na interlocução institucional com os movimentos sociais.
Apuramos que sua substituição agora se deve a uma combinação de fatores. O primeiro deles é o desgaste acumulado após tanto tempo à frente de uma secretaria que lida diariamente com relações e demandas tão complexas, vindas de grupos da sociedade civil que são altamente organizados e exigentes.
O segundo ponto é que, ao longo dos últimos anos, Nara colecionou alguns problemas internos no relacionamento com gestores da própria secretaria, diretamente subordinados a ela, o que resultou em frequentes trocas na composição da equipe. Houve episódios de conflitos internos e dificuldades na gestão do pessoal.
Em terceiro lugar, Ricardo vai querer conferir à Secretaria de Estado de Direitos Humanos um perfil mais próximo ao seu. Qual “perfil” é esse exatamente, e qual o direcionamento que será dado à pasta (com eventual “redirecionamento”), só será possível avaliar após a definição do novo secretário ou secretária.
A indicação do substituto ou substituta de Nara não ficará a cargo do PSB, muito embora esse seja o partido dela. Ela se filiou à legenda de Casagrande no fim do segundo governo dele, em 2022, mas não tem militância partidária e não era secretária na “cota do partido”, mas por seu perfil profissional – tanto que se tornou secretária muito antes, em 2019.
Antes de ser secretária estadual de Direitos Humanos, Nara foi secretária de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória, na segunda administração do então prefeito Luciano Rezende (Cidadania). Antes disso, ela teve uma intensa atuação como advogada e militante do movimento em defesa dos direitos humanos no Espírito Santo.



