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Conselho Municipal de Saúde aprova parecer sobre terceirização de PAs de Vitória

Por Mariah Friedrich / SÉCULO DIÁRIO / Foto: PMV

O Conselho Municipal de Saúde de Vitória se reuniu na tarde dessa terça-feira (15) para discutir a proposta de terceirização dos dois únicos Pronto-Atendimentos (PAs) do município, localizados da Praia do Suá e São Pedro. A reunião, realizada no auditório da Escola Técnica do SUS (ETSUS), na Ilha de Santa Maria, aprovou um parecer sobre a mudança, que aponta preocupações em relação aos impactos na qualidade do atendimento, às condições de trabalho dos profissionais e à gestão dos recursos públicos.

A reunião extraordinária havia sido solicitada pelo colegiado e contou com a presença de representantes da prefeitura, conselheiros titulares e suplentes, além de servidores da saúde e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa era de que o tema da terceirização, amplamente criticado nas últimas semanas, fosse submetido à votação, o que não aconteceu. Em vez disso, os conselheiros deliberaram a emissão do parecer para ser enviado à gestão municipal e que poderá servir como base para desdobramentos futuros.

O parecer foi elaborado a partir das informações apresentadas pela Secretaria Municipal de Saúde e da escuta de profissionais e usuários da rede. Entre os pontos destacados, estão a possível precarização das relações de trabalho; a necessidade de garantir a transparência no processo, com ampla divulgação dos critérios de seleção da entidade gestora e das metas assistenciais; e a importância de manter o controle social sobre a unidade, mesmo em caso de terceirização.

Apesar de não ser conclusivo, o documento reconhece as críticas à proposta decidida pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Segundo o conselheiro Marcos Aurélio Scardua, que representa o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren) no colegiado, havia, porém, a expectativa de uma votação mais objetiva sobre a aprovação ou não da terceirização, o que não se concretizou.

Além disso, servidores apontaram que o processo de discussão ainda carece de maior participação da base da categoria, especialmente dos trabalhadores diretamente afetados pela medida. Eles também ressaltam que a decisão não foi dialogada com a população e trabalhadores das unidades. “Saímos com a sensação de que o processo está sendo empurrado e gostaríamos que o Conselho assumisse uma posição mais firme diante das consequências dessa medida, afirmou uma das servidoras presentes, que pediu para não ser identificada por meio de represálias.

Outro ponto levantado é a falta de clareza sobre os próximos passos. Não ficou definido se haverá nova votação, quando ocorrerá, e qual será o prazo para que a prefeitura responda ao parecer emitido. A indefinição tem gerado ainda mais apreensão entre os trabalhadores.

A expectativa é que o tema volte à discussão na próxima reunião ordinária do conselho, agendada para maio. A decisão sobre a terceirização das unidades veio a público a partir de uma publicação no Diário Oficial, sem diálogo prévio com os profissionais, o Conselho Municipal de Saúde e a população. Os editais vão selecionar Organizações Sociais de Saúde (OSS) para a gestão dos Pronto-Atendimentos da Praia do Suá e São Pedro, com recebimento de propostas no dia 6 de maio. O contrato terá vigência de 12 meses.

A medida foi justificada pela secretária de Saúde, Magda Cristina Lamborghini, como uma forma de “otimização dos gastos públicos e melhoria dos serviços”, durante reunião do Conselho Municipal de Saúde realizada no mês passado. No entanto, a decisão foi recebida como demonstração de autoritarismo e desvalorização dos trabalhadores que atuam há décadas no local e serão remanejados para outras unidades sem escolha. Eles cobram a realização de uma audiência pública para tratar do temaO histórico recente de terceirizações no setor de saúde em outros municípios também preocupa. Para eles, a terceirização compromete a qualidade dos serviços.

Uma das servidoras alerta que as equipes reúnem profissionais especializados, que acumulam mais de 20 anos de experiência em urgência e emergência, e que podem ser substituídos por trabalhadores com menor qualificação e salários reduzidos. Já a falta de transparência no processo é considerada um desrespeito aos trabalhadores afetados. A precarização das condições de trabalho ao longo dos últimos anos também tem sido denunciada, visto que as unidades apresentam problemas estruturais frequentes.

Conselho Municipal de Saúde aprova parecer sobre terceirização de PAs de Vitória

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