Por Eraylton Moreschi Junior, presidente da Juntos SOS Ambiental / Foto: Lucas Costa (Ales)
Unanimidade na reunião da Comissão de Meio Ambiente na ALES no dia 1º de abril.
Estudo de Qualificação e Quantificação da Poeira Sedimentável na Região da Grande Vitória, Reis e Santos, abril de 2011, informava que a composição da poeira Sedimentável na estação do Hotel Senac Ilha do Boi era:
Pode se notar que o elemento Fe está presente em todas as estações com valores elevados de fração mássica relativamente aos outros elementos. A fração mássica de Fe é particularmente elevada na estação SENAC.

Na estação SENAC, o conjunto de fontes siderurgia e carvão/coque são predominantes, com cerca de 60% de contribuição da massa de PS, seguidas pelas fontes mar e ressuspensão ou solos e veículos.

Na estação SENAC, dentre os 8,1 g/m2/mês, cerca de 5,7 g/m2/mês são provenientes do conjunto de fontes siderurgia e carvão/coque. Na estação SENAC, a contribuição da fonte indústria é a mais importante.

CONCLUSÕES:
Sobre a taxa de deposição de partículas:
As estações SENAC, VV Centro e Ibes apresentam efeitos de sazonalidade nas séries temporais de taxa de deposição, sendo os valores máximos no verão e mínimos no inverno.
Sobre a composição química das partículas sedimentadas:
O Fe está presente em todas as estações com valores elevados de fração mássica relativamente aos outros elementos. A fração mássica de Fe é particularmente elevada na estação SENAC.
O elemento Si apresentou valores elevados em todas as estações, exceto na estação SENAC onde o Fe é cerca de 7 (sete) vezes maior que o Si. Nas estações Ibes e VV Centro, o Si e o Fe apresentam valores comparáveis.
Na estação SENAC, dentre os “outros” elementos, o cloro aparece com maior importância relativa em massa. A razão entre Cl e Na é maior que a unidade nas estações Laranjeiras e, em alguns dos meses analisados, na estação Jardim Camburi.
A razão EC/OC é menor que a unidade, exceto nas estações Ibes e SENAC.
Sobre os perfis das fontes consideradas:
A fonte sinterização apresenta elevada concentração de cloro e chumbo, sendo que o elemento cloro aparece também na indústria têxtil e o chumbo na AMT Cariacica (antiga Belgo Mineira).
O elemento enxofre aparece de forma significativa (percentual) nas fontes termelétrica (AMT) e na laminação de tiras a quente (LTQ) da AMT Tubarão, seguidas por indústria têxtil, coqueria, chaminés dos fornos da VALE, escapamento de veículos e sinterização.
Sobre a contribuição das fontes de PS na RGV:
Na estação SENAC, o conjunto de fontes siderurgia e carvão/coque são predominantes, com cerca de 60% de contribuição da massa de PS. Nesta estação, dentre os 8,1 g/m2/mês, cerca de 5,7 g/m2/mês são provenientes do conjunto de fontes siderurgia e carvão/coque.
Em matéria do Jornal a Gazeta o IEMA inferiu de que:
“A elevação de taxas de deposição e da percepção da poeira são associados a emissões como construção civil, circulação de veículos, ressuspensão de vias, fontes naturais e industriais, somadas à ocorrência a condições meteorológicas que não favorecem a dispersão de poluentes”, diz o órgão, em nota.
O Iema pontua, ainda, que no segundo semestre foram observados diversos recapeamentos asfálticos e obras localizadas próximas aos pontos de monitoramento que, segundo o instituto, podem interferir diretamente nos resultados.
Em dezembro de 2023 os MP’s emitiram notificação recomendatória NR 05 para o IEMA com a seguinte demanda:
- b) Apresentar, no prazo de 60 (sessenta) dias, relatório com a análise do material Sedimentável recolhido nos jarros da rede manual de monitoramento de P.S., bem como em outros mecanismos de avaliação de material particulado, nos parâmetros físico-químicos e outros cabíveis, que permitam identificar as atividades geradoras e/ou a origem. A análise deverá considerar os últimos 6 (seis) meses de amostragem em 2023, a fim de apurar qual(is) atividades estão contribuindo para aumento nos valores de P.S. e viabilizar as ações do gestor ambiental, bem como dar transparência a sociedade quanto as medidas adotadas;
Na reunião realizada neste dia 1º de abril, informações do representante técnico do IEMA deixam muitas dúvidas, como:
- Quando saberemos o que tem hoje na poeira sedimentável nas estações da Grande Vitória e em especial do Hotel SENAC;
- Técnico do IEMA informou de que só serão analisadas amostras de 3 estações;
- Técnico do IEMA informou de que provavelmente as amostras de 2023 não terão condições técnicas de serem analisadas;
- Condicionante nº 20 da LO 200 da VALE diz que a empresa deverá custear a UFES para realizar analises químico/físicas da poeira sedimentável, o técnico informou que o IEMA mudou a condicionante e a VALE irá escolher instituição que melhor atender.
Conclusão unanime na reunião:
Sem DNA da poeira sedimentável, não tem como fazer a gestão da poeira sedimentável na Grande Vitória.