Os ânimos estão acirrados para as eleições 2026, como na disputa para o Senado. Em menos de 24 horas – coincidentemente, com a divulgação do levantamento da Paraná Pesquisas sobre intenções de votos para governador e senador, nessa terça-feira (10) -, a temperatura subiu entre os postulantes Gilvan da Federal (PL), que é deputado federal, e Sergio Meneguelli (Republicanos), deputado estadual.
Tudo isso tem como pano de fundo – inicial – o Projeto de Lei 179/2024, de autoria do deputado estadual Lucas Polese (PL), aprovado na última segunda-feira (9), que muda regra para concessão da CNH Social. Pela ação de Polese, “não poderá ser beneficiário do projeto social aquele que esteja cumprindo pena por condenação criminal, ou esteja em liberdade condicional”.
Antes da reflexão, voltemos ao resultado da Paraná Pesquisas para o Senado: Renato Casagrande/PSB (41,6%), Lorenzo Pazolini/Republicanos (20,9%), Paulo Hartung/sem partido (17,4%), Fabiano Contarato/PT (15,7%), Sergio Meneguelli/Republicanos (15,5%), Da Vitória/Progressistas (9,3%), Evair de Melo/Progressistas (8,9%), Manato/PL (8,4%), Marcos Do Val/Podemos (5,1%), Gilvan da Federal/PL (5%), e Enivaldo dos Anjos/PSB (2,5%). Lembrando que serão duas vagas em 2026.
Gilvan iniciou a ofensiva. Em vídeo publicado nessa terça-feira (10), disse que era impressionante como os “políticos de esquerda” gostam de defender bandidos e elencou “privilégios” como progressão de penas, dentre outros. Em seguida, exibiu fala de Meneguelli.
As palavras de Meneguelli pontuavam que cadeia não é só para castigar e que é para ressocializar. E que caso o interno saia com a CNH, poderá ter a chance de trabalhar, não sendo um privilégio.
Desta forma, Gilvan partiu para narrativa conservadora. Alegou que o deputado estadual quer ser senador. “Imagina a dupla Contarato e Meneguelli?”. Destacou que, com esses políticos, os bandidos fariam a “festa”. E foi além: “Conheço a maldade de bandido. (…) Outra coisa: presídio foi feito para punir. Ressocializar é coisa de outro mundo. Não tem jeito. (…) Sergio Meneguelli, defensor de bandido. Quem tem quer ter direito à carteira de graça é quem trabalha, acorda cedo”.
Alfinetou e também provocou: “Por que não adota bandido e leva para sua casa em Colatina?”.
A resposta do republicano ao bolsonarista veio na manhã desta quarta-feira (11). Visivelmente alterado, Meneguelli retrucou que “esse cara (Gilvan) quer ser senador”. “Quando sai uma pesquisa e eu estou quase 11 pontos na frente dele, vem para cima da gente”. O parlamentar da Assembleia Legislativa destacou que votou a favor do projeto de Polese: “Eu votei a favor e se o governador vetar, eu voto pela derrubada do veto”.
O deputado estadual subiu o tom. “Ele é réu, condenado, agressor de mulher. Aproveitou o prestígio de (Jair) Bolsonaro. Já Serginho Meneguelli fez campanha em cima de carro, sem fundo partidário. Não pedi voto para Lula. Ele (Gilvan) é um fake news. Se fosse patriota, saberia das normas para usar a bandeira do Brasil. Ele parece um pavão. Não estudou moral e cívica. Seu Gilvan da Federal, se quer ganhar voto para cima de mim, não minta. O que o senhor tem aprovado, a não ser gastar fundo e passagem? Seja verdadeiro. Não seja um pavão”.
Meneguelli prosseguiu com alegação de que Gilvan não é patriota e que ganhou na onda de Bolsonaro, enquanto o republicano voltou a lembrar que não fez menção ao ex-presidente. “Ele quer me denegrir para ser candidato a senador. Gilvan da Federal, acorda. O povo não é palhaço”.
Para 2026, serão duas vagas ao Senado e o governador surge como favorito favorito para uma delas. A outra está mais em aberto e, como demonstra a pesquisa, Meneguelli e Gilvan são lembrados e, inevitavelmente, disputam eleitorado semelhante.
O republicano foi fenômeno de votação em 2022 e mesmo com um mandato tímido segue lembrado, principalmente pelo seu modo de atuação nas redes sociais. Desde já, caso queiram conquistar o público da direita, que é numeroso no Estado, precisam mostrar seus predicados e os defeitos dos concorrentes.
Criar discurso de que precisa conter um inimigo, um “melancia” (falso representante da direita), é interessante para Gilvan. Para Meneguelli, a polarização pode ser algo aprazível, uma vez que pode só ratificar que é um agente “antissistema” e perseguido, ou seja, vítima. Ainda é muito cedo sobre os idos de 2026, mas já se percebe um embate em busca dos eleitores da direita.