O governo do Estado encaminhou para a Assembleia Legislativa um pacotão de medidas para votação neste fim de ano. As ações englobam desde a Polícia Militar (PMES) até a criação de uma nova secretaria de Estado.
A Secretaria de Estado a ser estabelecida na gestão será a de Recuperação do Rio Doce. A pasta, que vai abrigar 45 integrantes, vem da necessidade do acordo firmado quanto ao desastre do rompimento da barragem de Mariana/MG.
Como estão previstos R$ 14 bilhões para chegar ao Estado em um período de 20 anos, a secretaria virá para “criar uma estrutura própria e dedicada a aplicação dos recursos do acordo face a sua longa duração de recebimento e execução, bem como o alto volume financeiro, que vai elevar a esta unidade administrativa um dos maiores orçamentos do Estado”, frisa o governo.
Inevitavelmente, o termo dá ainda mais destaque para o debate de revitalização e recuperação da bacia. Nos bastidores, alguns políticos comentaram que já poderia até haver uma secretaria extraordinária, sem Orçamento, desde o início da gestão do governador, em 2019. Mas há de se convir que há avanços em ter uma pasta direcionada para o Rio Doce em função da gravidade do desastre, que até hoje tem dimensões que talvez não tenham sido mensuradas ao certo.
Querendo ou não, Casagrande faz fortíssimo aceno às populações do Norte e do Noroeste, profundamente impactadas pela tragédia. E a depender dos desígnios de 2026, pode receber forte apoio delas para sua candidatura ao Senado, daqui a dois anos, caso esta, de fato, se concretize.
Quanto à Polícia Militar, o governador vai promover a criação da Companhia Independente de Prevenção a Violência Doméstica e Proteção da Mulher (CIMU) e da 6ª Companhia do 1º Batalhão, em Vitória, que terá como responsabilidade territorial a região do Território do Bem.
Outro ponto que se destaca – e aí é um pleito antigo – é o retorno do remanescente das vagas de Oficiais dos Quadros de Administração, que foram retiradas em 2017, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. Trata-se de uma demanda dos praças, que desejam ter maiores possibilidades de finalizarem a carreira até como capitão.
Desde que retornou ao comando do Palácio Anchieta, o governador vem sempre tendo que lidar com solicitações das carreiras da segurança pública. Após a greve da PM, em 2017, ele, na campanha de 2018, foi diretamente conversar com integrantes das forças.
Em alguns casos, conseguiu atender, mas em outras situações, foi até acusado de não cumprir promessas. O aceno aos praças é mais uma forma de buscar estar perto deles.
Ainda há possibilidade de outros projetos governamentais chegarem, mas estes dois já servem para chacoalhar o fim de ano na Assembleia Legislativa.