Por Aline Nunes e Tiago Alencar / A GAZETA / Foto-legenda: Os candidatos ao governo, Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini, debateram sobre diferentes temas / Crédito: Carlos Alberto Silva / Arte: IA
Os candidatos ao governo do Espírito Santo realizaram o último embate antes da votação de segundo turno, que será realizada no domingo (25)
No último debate da TV Gazeta antes do segundo turno, a segurança pública dominou o início das discussões entre os candidatos ao governo do Espírito Santo. O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o governador Ricardo Ferraço (MDB) trocaram farpas e acusações durante o embate, realizado entre a noite de quinta-feira (22) e o início da madrugada desta sexta (23), mas também trataram de temas como alianças políticas, saúde e educação. A votação para escolher quem dos dois vai comandar o Estado acontece no próximo domingo (25).
No primeiro bloco, cada um dos candidatos teve 13 minutos para falar. O tempo deveria ser usado por eles para fazer perguntas e responder, administrando o próprio cronômetro. Pazolini foi sorteado para começar e o foco já teve início em segurança pública.
O candidato republicano retomou uma denúncia de cobrança de uma espécie de pedágio, trazida pela colunista Vilmara Fernandes, por grupos criminosos em comunidades do Estado. Ricardo respondeu que as declarações de Pazolini não seriam uma ofensa a ele, mas ao trabalho das forças de segurança capixaba.
O emedebista defendeu os policiais e o ex-prefeito de Vitória também disse que reconhece o trabalho policial, mas voltou a falar de defasagem nas equipes. Ricardo negou que o quadro da segurança pública esteja defasado, destacou concursos realizados e lembrou de indicadores favoráveis na área, como a redução do número de homicídios: o primeiro semestre registrou o menor índice em 30 anos.
Pazolini, então, criticou o fato de o Espírito Santo apresentar um número elevado de feminicídios, maior que os demais do Sudeste. O governador pontuou que os Estados vizinhos tiveram aumento nos indicadores de mortes de mulheres em comparação aos registros capixabas.
Os dois candidatos ainda fizeram menções às áreas da saúde e educação. Ricardo observou que, em Vitória, Pazolini não conseguiu entregar nenhuma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), apesar de ter prometido enquanto era prefeito. Também reportou que, mesmo com um orçamento elevado no município, o desempenho da educação na Capital é menor do que outras cidades capixabas.
Em contraponto, o republicano destacou a qualidade na assistência em saúde de Vitória e ressaltou que a área educacional avançou 24 posições desde 2021.
Facções criminosas
No segundo bloco do debate, com temas determinados por sorteio, os candidatos discutiram o combate às facções criminosas e a atração de investimentos para o Espírito Santo. Os dois apresentaram propostas para segurança e economia e trocaram críticas sobre suas trajetórias e gestões.
Na segurança pública, Ricardo afirmou que os líderes de facções estão presos ou foragidos em outros estados e destacou o uso de inteligência e tecnologia no combate ao crime. Pazolini questionou a atuação do governo e citou reportagens sobre a cobrança de taxas por criminosos para o acesso a serviços em comunidades.
Pazolini prometeu recompor o efetivo das polícias e afirmou que faltam 2 mil policiais militares no Estado. Ricardo, por sua vez, disse que a gestão estadual contratou 8.400 profissionais para a segurança pública e acusou o adversário de desmerecer o trabalho das corporações. O ex-prefeito de Vitória afirmou que reconhece o esforço dos policiais, mas cobrou melhores salários e condições de trabalho.
Ao abordar a atração de investimentos, Pazolini defendeu maior diálogo com empresários, estabilidade nas regras e qualificação profissional em parceria com as prefeituras. Ricardo destacou a chegada de empresas ao Estado e afirmou que a economia capixaba cresce, em 2026, o dobro da média nacional.
A qualificação profissional também provocou divergências. Ricardo citou uma rede de 50 escolas certificadas pelo Google e prometeu ampliar os programas voltados a mulheres e pessoas com mais de 40, 50 e 60 anos. Pazolini afirmou que 280 mil capixabas aguardam oportunidades de qualificação e prometeu levar os cursos a todas as regiões.
Na reta final do bloco, os candidatos trocaram acusações envolvendo patrimônio e investigações. Após Pazolini mencionar o crescimento patrimonial de adversários, Ricardo afirmou que o ex-prefeito é investigado pela Polícia Federal por calúnia e difamação. Pazolini respondeu com uma referência a um suposto indiciamento do ex-governador Renato Casagrande, contestada por Ricardo.
Trocas de acusações
O terceiro bloco voltou com temas livres e com trocas de acusações. O governador começou a nova rodada do debate abordando a valorização da educação e lembrando do aumento no desconto previdenciário para aposentados na Prefeitura de Vitória durante a gestão de Pazolini. O ex-prefeito rebateu, apontando que a remuneração de professores do Espírito Santo é a 14ª do país, mas não respondeu sobre o reajuste na taxação de servidores municipais inativos.
Ricardo insistiu no tema e usou a expressão “mão no bolso” dos aposentados, questionando o candidato republicano se ele vai fazer o mesmo com a categoria no Estado, caso seja eleito governador. Pazolini afirmou que ele não colocava a mão no bolso de ninguém e aproveitou para trazer ao debate o caso Apex, querendo estabelecer uma relação da crise que afetou diversos investidores com a gestão estadual.
O republicano também resgatou a atuação de Ricardo como relator da reforma trabalhista, declarando que o emedebista retirou direitos dos mais vulneráveis quando era senador. O governador refutou a acusação, dizendo que se tratam de ilações tentando intimidá-lo, assim como o ex-prefeito teria feito com o vereador Dalto Neves (Solidariedade), e apontou que foi por acusações sem fundamento que Pazolini foi indiciado pela Polícia Federal.
Pazolini, então, citou novamente o suposto indiciamento de Casagrande, aliado de Ricardo.
O emedebista também questionou o ex-prefeito sobre o papel que o senador Magno Malta (PL) teria em um eventual governo, dizendo que Pazolini fala de nova política, mas o parlamentar representaria a velha política. O candidato republicano não atribuiu nomes, mas garantiu que dialoga com todos.
Além disso, Ricardo quis saber sobre investimentos em infraestrutura e mobilidade na época em que Pazolini esteve à frente da Prefeitura de Vitória. O republicano observou que muitas intervenções devem ser discutidas de forma metropolitana, mas que nunca teria sido chamado a conversar pelo governo do Estado.
O emedebista, no entanto, disse que o adversário não esteve disponível para o diálogo e que, ao contrário dele, os outros prefeitos da Grande Vitória puderam investir em obras com a parceria do governo. Ricardo também relacionou investimentos do Estado na área, como o fim do pedágio, a ampliação das pistas e implantação da Ciclovia da Vida na Terceira Ponte.
Críticas na gestão de saúde
No quarto bloco do debate, Pazolini e Ricardo discutiram os impactos da reforma tributária e as filas para exames e consultas. Os candidatos divergiram sobre os possíveis efeitos das mudanças nos impostos para a arrecadação do Espírito Santo e trocaram críticas sobre a gestão da saúde.
Pazolini abriu o tema da reforma tributária questionando como o Estado se prepara para enfrentar uma possível perda de receita. Ele citou um seminário no Tribunal de Contas e afirmou que técnicos da Secretaria da Fazenda apontaram esse risco. O candidato prometeu ampliar o diálogo com o setor produtivo e buscar alternativas para preservar o equilíbrio das contas públicas.
“Nós vamos participar intensamente desse debate. Vamos dialogar com o setor produtivo e buscar a alternativa para manter a solidez fiscal do Espírito Santo”, afirmou Pazolini.
Ricardo contestou a previsão de queda na arrecadação e destacou a organização das contas públicas e os investimentos em infraestrutura. Segundo ele, a tributação de setores que atualmente não são alcançados pelos impostos ajudará a sustentar a receita.
“Os estudos que nós estamos fazendo indicam que o Espírito Santo não terá perdas na reforma tributária”, disse Ricardo.
Na discussão sobre saúde, Ricardo defendeu a ampliação da rede hospitalar e a regionalização dos atendimentos para reduzir as filas. Citou obras de hospitais em São Mateus, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim, além da contratação de obras em Colatina. Também destacou a oferta de telemedicina e a presença do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nos 78 municípios.
“O que nós precisamos fazer é continuar trabalhando. Não é com promessas vazias, não é com promessas eleitorais que a gente vai reduzir as filas, os exames e as consultas. É com trabalho e com entrega”, afirmou Ricardo.
Pazolini afirmou que 417 mil capixabas aguardam exames, consultas e procedimentos especializados, com esperas que, segundo ele, ultrapassam 348 dias. O ex-prefeito disse ter zerado filas em Vitória e prometeu ampliar o atendimento no Estado com tecnologia, descentralização e parcerias com municípios, instituições filantrópicas e a rede privada.
“Teremos o SUS mais forte do Brasil, os maiores investimentos em saúde pública, descentralização, valorização da atividade dos municípios, convênios e parcerias”, declarou Pazolini, em referência ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Ricardo acusou Pazolini de privatizar serviços de saúde na Capital e questionou seu compromisso com o SUS. Pazolini defendeu as parcerias e afirmou que pretende fortalecer a rede pública, com atenção às famílias de pessoas com deficiência e à valorização dos profissionais.
Os candidatos também divergiram sobre a proporção de moradores de Vitória que possuem planos de saúde. Ricardo afirmou que o índice chega a 70%, informação contestada por Pazolini. Ao encerrar o bloco, o ex-prefeito criticou as condições do Hospital Infantil de Vitória e afirmou que a unidade mantém um caminhão do Corpo de Bombeiros no local devido ao risco de incêndio.



