Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação / Crédito: Thiago Soares (Folha Vitória) / Arte: IA
Após as direções nacionais dos dois partidos declararem apoio a Pazolini, ex-prefeito ganhou novas adesões para a campanha
Determinado a não alimentar a crise que se instalou em seu QG de campanha após as direções nacionais do Podemos e do União Brasil declararem apoio ao candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos), o governador Ricardo Ferraço (MDB) tem adotado uma nova estratégia no segundo turno.
Na última terça-feira (13), ele foi questionado por duas vezes – na entrevista da TV Vitória e também depois, pela coluna De Olho no Poder –sobre como fica a relação com os partidos após as decisões anunciadas, Ricardo disse que vai focar no debate direto com o eleitor.
“Quando eu converso com o produtor rural, ele não está preocupado com as questões políticas. Porque o papel do governador é liderar o Estado, é manter o Estado unido, é fazer o nosso Estado avançar com velocidade. As questões políticas ficam em segundo plano”, avaliou Ricardo, evitando polemizar e citar nomes.
No primeiro turno, entretanto, as articulações e alianças políticas tiveram um espaço considerável na campanha do governador.
Ricardo tem a maior coligação partidária do pleito. Além do MDB, que é o seu partido, a chapa do governador à reeleição conta com o apoio do Podemos, Agir, PSB, PDT, Cidadania, PSDB e da superfederação União Progressista – formada pelas legendas PP e União Brasil.
Fora isso, também recebeu o apoio da maioria dos prefeitos do Estado – tanto da Região Metropolitana quanto do interior. Não foram poucos os eventos com lideranças políticas em praticamente todas as regiões.
Ainda assim, Ricardo foi para o segundo turno em desvantagem, com 15 pontos percentuais atrás de Pazolini que, por muito pouco, não levou no primeiro turno.
E por mais que não exista eleição ganha, é certo que o resultado do primeiro turno pesou na decisão das legendas em nível nacional e nas movimentações de algumas lideranças locais.
“Tropa do Delega” com Pazolini

Pazolini e Leandro Sperandio
No Podemos, embora o presidente estadual da legenda, Gilson Daniel, tenha confirmado que continua com Ricardo, algumas lideranças do partido estão segundo a instância nacional e também declarando apoio a Pazolini.
O delegado Leandro Sperandio (Podemos), que foi eleito deputado estadual no último dia 4 com 32.965 votos, fechou com Pazolini e tem participado dos atos de campanha do candidato.
“Atenção, Espírito Santo. A Tropa do Delega é 10”, disse Pazolini, num vídeo publicado no Instagram ontem (14). “Aqui são 20 anos de amizade, 20 anos de trabalho junto. Conheci esse camarada aqui na Polícia Civil”, completou Sperandio.
Em seu perfil, o delegado publicou a nota do Podemos nacional, disse ter feito um primeiro turno independente, mas que no segundo turno estava com Pazolini.
Sperandio já foi filiado ao PL e ao Republicanos. Em 2024, chegou a ensaiar uma candidatura a prefeito de Aracruz – seu reduto eleitoral –, pelo partido de Pazolini, mas desistiu no período de pré-campanha.
Foto emblemática

Na última sexta-feira, os presidentes do PP e do União Brasil – os deputados Da Vitória e Marcelo Santos, respectivamente – tomaram café e se deixaram fotografar ao lado de Pazolini, que publicou a imagem em seu perfil do Instagram.
Por óbvio, a foto fala por si e manda um recado. Não houve declaração oficial de apoio ao ex-prefeito. Mas também não houve, por parte dos dois deputados, a confirmação da aliança com Ricardo para o segundo turno.
Nos bastidores, a coluna apurou que Marcelo e Da Vitória teriam liberado, informalmente, as bases para apoiarem quem quiser. A liberação teria ocorrido após o presidente nacional do União, Antonio Rueda, ter assinado nota em apoio a Pazolini.
O ex-prefeito de São Mateus Daniel da Açaí (PP), que disputou a Assembleia, mas ficou como suplente, declarou apoio a Pazolini. Dr. Sidiclei (PP), ex-prefeito de Pancas, seguiu o mesmo caminho.
PP e União continuam na gestão?
Como já dito, nem Marcelo e nem Da Vitória se pronunciaram publicamente a respeito da foto com Pazolini e do apoio da instância nacional do União ao ex-prefeito.
Formalmente, nada muda com relação à coligação. Para o pleito do 2º turno, os dois partidos continuam fazendo parte da chapa de Ricardo, contribuindo com o tempo de TV e rádio nas propagandas eleitorais.
Se as bases foram realmente liberadas, na prática, o impacto deverá ocorrer em duas frentes: uma desidratação visível da militância de rua e um jogo de bastidores sem holofotes. Isso porque um apoio escancarado dos dois dirigentes a Pazolini forçaria uma ruptura imediata com o Palácio Anchieta, com um inevitável custo político.
Hoje, PP e União fazem parte da gestão – com nomes indicados pelos dois deputados no primeiro escalão. União tem a Secretaria Estadual de Esporte (Sesport) e o PP, a robusta Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb). E, até o momento, nenhum dos dois partidos entregou as pastas.



