Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto: Divulgação / Arte: IA
Você perdeu os movimentos da campanha ao Senado no Espírito Santo? Estava muito ocupado(a) e distraído(a)? Até procurou acompanhar, mas gostaria de um resumo dos destaques? Aqui temos.
Casagrande declara voto em Lula
No dia 25 de julho, logo após a convenção estadual do PSB na qual foi oficialmente lançado ao Senado, Casagrande declara: “Meu candidato à Presidência é o Lula”. E agora, José Renato?!? O PT passa a pressionar Casagrande por uma postura bem mais ativa que aquela assumida por ele quatro anos atrás. Nada feito: como em 2022, a participação do ex-governador na campanha de Lula é a mais tímida possível. Limita-se a tal declaração.
PT declara apoio a Casagrande
No início de agosto, após a declaração de apoio de Casagrande a Lula, a direção estadual do PT se reúne e anuncia apoio ao aliado pessebista como segundo candidato ao Senado (além de Contarato). Informalmente, já que os partidos estão em coligações distintas, o PT recomenda o segundo voto em Casagrande.
Casagrande: “medidas extraordinárias”
Em sua sabatina para a A Gazeta e CBN Vitória, comentando sobre a crise institucional no STF e entre os Poderes da República, Casagrande defendeu “medidas extraordinárias” dos próximos por parte dos congressistas, contra “o risco de populismo”. “Momentos difíceis como este exigirão medidas extraordinárias. E quem se eleger senador ou deputado federal, se for pra lá com a mesma cabeça de dias normais, não vai dar uma boa contribuição para o Brasil.”
Casarato: o voto útil da esquerda
Foi até certo ponto esperado, mas surpreendente pela ênfase: no finzinho da sabatina de Contarato à CBN Vitória e A Gazeta, o candidato do PT pediu votos para si mesmo e também para Casagrande. Chegou a pronunciar o número de urna do candidato do PSB. Logo após a entrevista, em conversa informal com os jornalistas, lançou ele mesmo o trocadilho e a campanha pelo voto “Casarato”.
O discurso linha dura de Contarato
Ainda na sabatina a CBN Vitória e A Gazeta, Contarato firmou uma imagem que ele já vinha construindo nos últimos anos do atual mandato no Senado: o de candidato com discurso muito mais linha dura com relação a pautas da segurança pública, rompendo com visões históricas do PT (e da esquerda em geral): aumento do tempo de internação de menores infratores e, no mérito, redução da maioridade penal, entre outras outras pautas… além da defesa veemente de investigação de Moraes.
O sincericídio de Gavini
No meio da campanha, em entrevista a esta coluna, o presidente estadual do PSB de Casagrande, Alberto Gavini, declarou que filiados ao partido poderiam dar seu segundo voto a Contarato (sem problemas nem represálias). Da direção, não teriam “estímulo”, mas absoluto “respeito”. Ocorre que, na coligação do PSB, a segunda candidata a senadora é Rose de Freitas, do MDB.
Rose alfineta Gavini
Em sua sabatina para A Gazeta e CBN Vitória, ao ser questionada sobre isso pelo colunista Leonel Ximenes, Rose não poupou o dirigente do PSB: “Aliado não age dessa maneira”. Poupou, porém, Casagrande, a quem chamou de “leal”.
Casagrande grava para Rose
Provando tal “lealdade”, Casagrande gravou para Rose. Nos últimos 15 ou 20 dias de campanha, a ex-senadora exibiu sem parar, em sua propaganda eleitoral, o pedido de voto do governador para ela, cheio de elogios, com os dois lado a lado.
Rose declara apoio a Caiado
Na sabatina para CBN e A Gazeta, Rose declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na eleição presidencial. O MDB, partido dela, ficou neutro.
Gilson e Da Vitória se afastam de Casagrande
Não que tenha feito grande diferença para ele, em termos de votos, mas a campanha foi marcada pelo distanciamento de dois aliados históricos em relação a Casagrande – ambos deputados federais e candidatos à reeleição. Tanto Gilson Daniel (Podemos) como Da Vitória (PP) ficaram aborrecidos porque Casagrande, na visão deles, estaria fazendo campanha muito mais forte para candidatos a deputado federal do PSB (partido do próprio ex-governador). Casagrande não esteve em grandes atos nem de um nem do outro.
Apoios inusitados para Evair
Aí, adivinhem a quem Gilson e Da Vitória declararam apoio para senador? Ninguém menos que Evair de Melo (Republicanos). Colegas na Câmara, os três mantêm ótimo relacionamento político, é verdade. Mas o ponto é que Evair é adversário visceral de Casagrande (e também de Ricardo Ferraço, apoiado por Gilson e Da Vitória para governador). Evair é o candidato a senador de Pazolini, adversário de Ricardo.
Evair sobre mudanças climáticas
Falando em Evair, em sua sabatina para A Gazeta e CBN, um ponto chamou a atenção: a evidente discordância do candidato bolsonarista em relação ao Flávio Bolsonaro no que se refere às reais razões das mudanças climáticas. Negacionista, Flávio falou no Jornal Nacional de “ciclos de frio e calor”, refutando a responsabilidade da ação humana. Questionado sobre isso, o ex-presidente do Incaper foi categórico: “Não há ação do homem sobre a Terra que não gere impacto”.
A guinada de Hartung
A dez dias do primeiro turno, Paulo Hartung gravou vídeo de apoio para Evair, ao lado dele. Nos últimos dias de campanha, o candidato exibiu à exaustão a fala do ex-governador, intercalando-a com as declarações de apoio de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Nos anos 1970, Hartung começou na vida pública lutando contra a ditadura, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Cinquenta anos depois, apoia o candidato mais ligado, no Espírito Santo, a Jair Bolsonaro, político de extrema direita e notório apoiador da ditadura, admirador de Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça brasileira como torturador de militantes comunistas nos anos 1970.
Meneguelli perde sabatina de A Gazeta
Em nossa série de sabatinas, Sergio Meneguelli (PSD) era um dos convidados. Entretanto, perdendo sua chance, chegou ao auditório da Rede Gazeta atrasado, por volta das 10h15. As regras previamente combinadas estipulavam a chegada do candidato até as 9h30, no máximo. Foi um tempo futebolístico de atraso.
Meneguelli de centro-direita
Dias depois, na entrevista ao Bom Dia ES, o candidato deu um “boa madrugada”, chegando pontualmente. Na sabatina, deu uma declaração inusitada, posicionando-se como um candidato de centro-direita.
O afago de Magno em Do Val
No ato de bolsonaristas contra Lula e Moraes no dia 7 de setembro, entre Vila Velha e Vitória, participaram Magno Malta (o “anfitrião”), Maguinha Malta, Evair e Marcos do Val. Magno não deu muita atenção a Evair. Mas, no trio elétrico principal na Praça do Papa, ao lado de Maguinha e Do Val, o senador fez um afago no outro candidato de direita em seu discurso: disse que tinha de “honrar quem estava do seu lado, como Do Val”. O PL e o Republicanos estão na mesma coligação, cujos dois candidatos são Maguinha e Evair.
Maguinha confirma segundo voto em Evair
Logo após sua sabatina para A Gazeta e CBN, ao ser questionada sobre o relacionamento com Evair na campanha, Maguinha reafirmou a parceria com Evair: “Sim, estou pedindo meu segundo voto para ele. Historicamente, quando a gente se compromete, apertou a mão, deu a palavra… Tá dada! E quando falo ‘a gente’, é o PL, sob o comando do senador Magno Malta”.
“Não concordamos em tudo, mas…”
Na mesma sabatina, Maguinha disse que não necessariamente concorda com o pai dela em tudo. Perguntamos à candidata, então, em que a filha costuma discordar do pai, digamos, no almoço de domingo. Ficamos sem saber…
Maguinha: à sombra do pai
Mas raramente uma campanha foi tão casada com um político que nem sequer é candidato. A campanha de Maguinha foi toda em cima da imagem do pai, como se ela própria fosse uma extensão política de Magno (a exemplo de Flávio para com Jair), a começar pelos slogans: “Coragem em dobro” e “Em 2026, é Bolsonaro e Malta outra vez”. No rádio e na TV, o primeiro programa até “induziu ao erro”: surpreendendo, Maguinha falou da BR-101. Daí em diante, foram só pautas ideológicas, STF, Moraes… Ela também exibiu à saciedade vídeo de Flávio pedindo-lhe votos.
Maguinha falta ao “Bom Dia”…
Superando Meneguelli nesse quesito, Maguinha faltou à entrevista ao vivo marcada no “Bom Dia ES”. Não chegou atrasada. Após sua assessoria ter chegado a confirmar sua participação, a candidata mudou de planos e decidiu não ir. Em 2018, acreditando-se já reeleito, Magno passou boa parte de sua campanha ao Senado participando, com Jair Bolsonaro, de atos de campanha em outros estados (cujos eleitores não definem as vagas do Espírito Santo). Nos últimos dias, sofreu a virada de Contarato e Do Val.
Sempre no pastoreio eleitoral
Falando em pastores (como Magno), a julgar pelas declarações oficiais de patrimônio ao TSE, o candidato mais rico do país é um “velho conhecido” (se bem que não tão conhecido) dos capixabas: com R$ 677,7 milhões declarados em bens, o empresário Luiz Osvaldo Pastore já foi suplente de dois senadores do Estado, ambos eleitos pelo MDB: Gerson Camata e Rose de Freitas. Isso mesmo vivendo em São Paulo… Em diferentes momentos, Pastore chegou a assumir o mandato por meses no lugar de ambos. Nesta eleição, agora no PL, o empresário é suplente de Eduardo Gomes (PL), candidato ao Senado em… Tocantins (isso mesmo: tudo a ver com o Espírito Santo!).
Do Val declara apoio a Pazolini
Em 2018, Do Val (hoje no Avante) foi eleito senador pelo Partido Popular Socialista (PPS) com o apoio de Casagrande, na chapa que tinha este como candidato a governador e Ricardo Ferraço (então no PSDB) como o outro candidato a senador. Nesta semana, sabatinado por A Gazeta e CBN, Do Val declarou apoio a Pazolini para governador. Neste pleito, o ex-prefeito é adversário de Casagrande e Ricardo. Oito anos mudaram muita coisa…
Rodney: a surpresa das surpresas
A disputa ao Senado no Espírito Santo teve nada menos que 11 concorrentes. Nenhum deles foi mais surpreendente que o 11º a entrar em campo: ex-secretário de Segurança Pública do Espírito Santo e ex-prefeito de Vila velha, Rodney Miranda assumiu em julho a presidência estadual do nanico PRTB e, mesmo morando em Goiânia desde 2018, decidiu se candidatar a nada menos que senador pelo Espírito Santo. Como não poderia deixar de ser, sua campanha foi discretíssima.
Esquerda criativa
Uma das posições mais “malabarísticas” da disputa majoritária no Espírito Santo foi a da federação formada pela Rede e pelo PSol, dois partidos de esquerda. O PSol lançou candidato próprio ao Senado, o Professor Carlos Fabian. Para a segunda vaga, apoia Contarato; para o governo, apoia Helder. Enquanto isso, a Rede declarou apoio a Contarato e Casagrande para o Senado e a Ricardo para governador. Para a Presidência, ambas apoiam Lula. Se você não entendeu, não se preocupe: eu mesmo ainda estou tentando…
Suplente de Casagrande: atropelamento
O primeiro suplente da chapa de Casagrande, escolhido por ele, é o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Aracruz Marcelo Coelho (PP). Como noticiou a colunista Letícia Gonçalves, ele foi indiciado pela Polícia Civil por homicídio culposo no trânsito e fuga do local do acidente após ter atropelado um motociclista, que morreu no local. Coelho tentou fazer uma ultrapassagem em local proibido, em fevereiro de 2025. A defesa tenta um acordo de não persecução penal. O ex-prefeito classificou o episódio como “uma fatalidade”. Casagrande disse o mesmo. Também disse que o suplente já tinha lhe contado o fato e que, a princípio, isso “não é um óbice”.



