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Os bastidores, a troca de farpas e quem se saiu melhor no debate da TV Gazeta

Os bastidores, a troca de farpas e quem se saiu melhor no debate da TV Gazeta

Por Letícia Gonçalves / Foto-legenda: Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço, Helder Salomão e Rafaela Marquezini durante o debate da TV Gazeta / Crédito: Carlos Alberto Silva / Arte: IA

 

O estúdio em que foi realizado o debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo, na noite de terça-feira (29), na TV Gazeta, estava bem frio. O ar-condicionado é potente. Perdão pelo trocadilho óbvio, mas o clima entre Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT), porém, esquentou.

Foi o último embate entre os três antes da votação no primeiro turno. Assim, as fichas guardadas foram jogadas.

Nada bombástico, mas ao menos as interações entre eles foram mais interessantes, em comparação a debates anteriores.

Até um novo vocabulário foi adotado. Entraram em cena, por exemplo, “caroneiro” e “Pazolândia”.

E ainda teve “participação especial” do Véio da Havan.
Ricardo e Pazolini lideram as pesquisas de intenção de voto e poderiam ter se retraído para evitar um eventual deslize na reta final e voltar à carga na segunda etapa do pleito.
Seria algo arriscado também, poderiam soar apáticos.
Mas, ao contrário, optaram por fustigar um ao outro.
Helder Salomão (PT) está em terceiro lugar na corrida.
Não é uma posição exatamente confortável, mas ao mesmo tempo isso o deixa mais solto e sob menos pressão.
Assim, saiu-se melhor que os outros dois. Em minha humilde opinião.
O petista é um orador superior aos adversários e estava afiado.
Distribuiu petardos contra Pazolini e Ricardo, com destaque para o emedebista.
Se o desempenho no debate vai angariar votos … bem, aí é outra história.
PAZOLINI NA DEFENSIVA
Neste debate, também chamaram a atenção os vários momentos em que Pazolini ficou na defensiva.
É que Ricardo partiu para o ataque, o que faz sentido, considerando que o republicano empatou tecnicamente com o emedebista na pesquisa Quaest publicada no último dia 25.
O ex-prefeito de Vitória usa a administração municipal como vitrine durante toda a campanha.
No debate, contudo, Ricardo e Helder citaram dados não tão positivos da gestão.
O candidato do Republicanos retrucou: “Estamos debatendo o futuro do Espírito Santo, não Vitória”.
É algo contraditório, uma vez que, quando o recorte interessa ao ex-prefeito, ele não vê problema em colocar a Capital no centro da discussão.
Ricardo disse que o ex-prefeito vive na “Pazolândia”, ou seja, que apresenta aos eleitores uma realidade alternativa.
E ainda afirmou, ao menos três vezes, que o ex-prefeito é “autoritário”, adjetivo que, tempos atrás, Helder já havia usado para descrever o republicano.
 
CRIS SAMORINI “ESQUECIDA”
Em determinado momento, Ricardo criticou o fato de Vitória não ter uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ao passo que a Serra, município maior e com menor renda per capita, tem três.
Pazolini culpou o governo do estado e destacou que a primeira UPA da Capital está em construção.
Ele lembrou que, recentemente, foi feita uma visita às obras, no bairro Forte São João.
Mas citou apenas que lideranças comunitárias estiveram lá.
Não mencionou a prefeita Cris Samorini (PP), sua aliada, que capitaneou a visita.
“CARONEIRO”
Mas Pazolini não ficou o tempo todo se defendendo. Também distribuiu farpas.
Foi chamado de “caroneiro” por Ricardo. De acordo com o governador, o ex-prefeito “surfa na onda” das realizações de gestores que o antecederam.
O republicano deu uma invertida em Ricardo ao apontar que o emedebista é que “pega carona” nos feitos de outros governadores.
O principal apoiador de Ricardo é o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Helder não se fez de rogado e concordou. Chamou os dois de “caroneiros”.
“PATRIMONIALISTA”
Nas críticas mais incisivas que fez a Ricardo, Pazolini não citou o nome do emedebista. Aliás, nem se dirigiu a ele.
O ex-prefeito usou um diálogo com Helder para soltar indiretas contra o governador.
Desaprovou candidatos “patrimonialistas” e quem tem patrimônio “de quase R$ 28 milhões”.
Ricardo declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 27.668.789,55.
O ex-prefeito também trouxe à tona o caso Apex, que chamou de “Master capixaba” e apenas deixou no ar a possível implicação de Ricardo e familiares, sem dizer isso com todas as letras.
Helder fez o mesmo.
Ricardo fingiu que não era com ele.
“VÉIO DA HAVAN”
Um momento de certo humor involuntário deu-se quando Helder criticou o fato de Ricardo não ter participado da agenda oficial do presidente Lula (PT) no Espírito Santo, em maio, mas, em outra ocasião, ter recebido o empresário Luciano Hang, o Véio da Havan.
“A imprensa não tem uma foto do senhor com o Lula. Com o Véio da Havan tem foto, vídeo…”
O governador, na resposta, acusou o petista de ter preconceito contra empreendedores e destacou que o Véio da Havan vai gerar empregos em Vila Velha.
Em tempo: Luciano Hang adotou mesmo a alcunha de Véio da Havan.
 
FLÁVIO SEM DEFESA
O candidato à Presidência da Republica Flávio Bolsonaro (PL) também virou alvo.
Helder lembrou que o senador pediu dinheiro ao enrolado banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro.
E rememorou as acusações sobre rachadinha que pesam sobre o candidato do PL.
Pazolini apoia Flávio e foi instado pelo petista a explicar como pode se apresentar como “mãos limpas” e se aliar ao filho de Jair.
O ex-prefeito não moveu uma palha para defender Flávio e tampouco aproveitou para atacar o PT, que tem calcanhar de aquiles quando o tema é corrupção.
Pazolini simplesmente ignorou os apontamentos de Helder.
O republicano não tem citado o candidato do PL ao Palácio do Planalto e tampouco usado a imagem dele na campanha.
EM CHICO E MAIS EM FRANCISCO
Assim como usou o termo “caroneiro” para se referir a Pazolini e a Ricardo, Helder também afirmou que os dois adversários podem isolar o Espírito Santo, devido à forma com que fazem política.
O petista não economizou na munição contra o ex-prefeito e o governador, mas, claramente, tem Ricardo como principal alvo.
Já nesta quarta, após o debate, Helder publicou no Instagram a ilustração de uma carta de baralho mostrando um “vira-voto”.
A carta, ao virar, mostra a saída de Ricardo do jogo e a entrada de Helder.
Parece que é do governador que o petista quer tirar eleitores mesmo.
 
CANSAÇO
Ricardo estava mais ofensivo no debate, como já observei aqui, como estratégia para tentar desconstruir Pazolini.
Isso melhorou a performance do governador, via de regra muito engessada.
Mas o emedebista também transpareceu cansaço, principalmente para quem viu o debate pela TV, ao observar o rosto e os olhos do candidato em tela cheia.
Eu assisti ao embate de dentro do estúdio da TV Gazeta.
SEM OLHOS NOS OLHOS

Os três candidatos estavam postados bem próximos uns dos outros.

Nos intervalos entre os blocos do debate, eles receberam, aos cochichos, orientações de assessores.

Helder levou a responsável pelo marketing, Ananda Miranda; Ricardo, a chefe de gabinete e peça fundamental da campanha, Flávia Mignoni; Pazolini optou pelo advogado Rafael Teixeira de Freitas.

Enquanto estavam fora das câmeras, Ricardo, Pazolini e Helder nem trocaram olhares.
O debate durou duas horas, terminou à 0h17.
Os bastidores, a troca de farpas e quem se saiu melhor no debate da TV Gazeta

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