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Segurança pública domina debate da Rede Vitória; veja o que disseram os candidatos ao governo do ES

Segurança pública domina debate da Rede Vitória; veja o que disseram os candidatos ao governo do ES

Por Leone Oliveira / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Helder Salomão, Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço / Crédito: Thiago Soares (Folha Vitória) / Arte: IA

 

Questões como feminicídios, falta de efetivo e redução da maioridade penal foram alguns dos assuntos discutidos.

A segurança pública foi o tema que dominou o debate da Rede Vitória com os candidatos ao governo do Espírito Santo, realizado na noite desta segunda-feira (21). Questões como feminicídios, falta de efetivo e redução da maioridade penal foram alguns dos assuntos discutidos entre os postulantes ao cargo de governador.

Participaram do debate Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB). Durante cerca de uma hora, os três candidatos responderam a perguntas feitas pelos adversários na fase de confrontos diretos e também aos questionamentos dos colunistas Edu Kopernick e Fabi Tostes, do Folha Vitória.

A segurança pública foi tema de reportagens especiais do Folha Vitória na série “Desafios do Espírito Santo”. Os assuntos das matérias foram definidos em votação feita pelos leitores do portal que elegeram quais deveriam ser as prioridades do próximo governador capixaba.

Veja abaixo o que os candidatos disseram sobre temas relacionados a segurança pública durante o debate da Rede Vitória.

Redução da maioridade penal

Logo na primeira pergunta, Helder Salomão foi questionado pelo atual governador e candidato à reeleição, Ricardo Ferraço, pelo motivo de o petista ser contra a redução da maioridade penal.

Em sua resposta, Helder reforçou que apenas 2% dos crimes violentos praticados no Brasil têm como autores menores de 16 anos. “Por isso, entendemos que é preciso pensar essa estratégia com duas preocupações. Primeiro, que hoje o sistema penitenciário é a escola do crime e o sistema socioeducativo pouco tem conseguidos recuperar a nossa juventude”.

Para Helder, é necessário melhorar o sistema socioeducativo e punir aqueles que comentem crime, mas sem que os jovens sejam encarcerados sem perspectiva de ressocialização.

“Vamos investir muito em educação, emprego, renda, empreendedorismo e oportunidade porque a violência se debate prevenindo e não apenas punindo. Essa ideia de só punição não resolve o problema de segurança pública no País”.

Na réplica, Ferraço fez questão de deixar clara sua divergência da opinião do deputado federal. “Na prática, isso tem produzido no Espírito Santo e Brasil afora, impunidade. Alguém que tem 16 anos tem, por certo, discernimento para saber o que é certo e errado”, disse ele citando o caso do ataque em duas escolas de Aracruz que terminou com três pessoas mortas.

O atual governador ainda defendeu a revisão do Código do Processo Penal para acabar com o prende e solta de suspeitos.

Feminicídios

A preocupação com os números da violência contra a mulher também foi tema do debate. ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, perguntou ao atual governador e candidato à reeleição, Ricardo Ferraço, por que o Espírito Santo é o Estado mais violento para mulheres na região Sudeste.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a taxa de feminicídios por 100 mil habitantes, em 2025, no Espírito Santo foi de 1,7%, enquanto que Minas Gerais teve 1,6%, Rio de Janeiro ficou com 1,2% e São Paulo com 1,1%.

Em 2024, o Espírito Santo também foi o Estado com a maior taxa de feminicídios no Sudeste, conforme o documento. Na ocasião, o número registrado foi de 2% contra 1,6% de Minas Gerais, 1,2% do Rio de Janeiro e 1,1% de São Paulo.

Na resposta para Pazolini, o atual governador destacou que 61 dos 78 municípios capixabas não registraram feminicídios neste ano, até o momento. Os dados conferem com o Mapa da Paz, disponível no Observatório de Segurança Pública, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

“A violência contra as mulheres é um ato de covardia e nós temos combatido, colocado de pé, um conjunto de programas. A violência contra a mulher foi reduzido em Vitória, na Serra, em Viana, em Vila Velha, em Cariacica e em todo o Espírito Santo. De 2021 a 2025, o feminicídio caiu 10%”, disse Ferraço.

Os dados do Observatório da Sesp mostram que, em 2021, foram registrados 39 casos de feminicídio contra 35 em 2025.

“O crime de feminicídio é um crime de proximidade. Ele acontece no ambiente doméstico, onde você deveria ter pessoas protegendo as outras pessoas e eu tenho a esperança de que vamos continuar, de forma implacável, combatendo o feminicídio e a gente vai conseguir reduzir esse crime que é, da fato, um crime que nos envergonha no Espírito Santo, mas temos trabalhado para reduzir e temos reduzido”, completou.

Na réplica, Pazolini disse que é uma vergonha o Espírito Santo ser o Estado mais violento para mulheres na região Sudeste. O candidato do Republicanos ainda frisou que a Capital ficou 653 dias sem registro de feminicídio.

“Nós levamos a educação e a prevenção para dentro da sala de aula com projetos sociais, respeitando crianças e adolescentes, fazendo com que cada um saiba o seu papel na sociedade”, disse.

Já Helder Salomão afirmou que vai implantar o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e às Violências contra a Mulher.

Falta de efetivo

Ao fazer a réplica sobre os dados da violência contra a mulher, Lorenzo Pazolini criticou o atual governador do Espírito Santo ao citar o déficit de efetivo nas polícias Civil e Militar.

“Na Polícia Civil, falta quase metade do efetivo, temos 42% dos cargos não ocupados. É por isso, mulher, que falta policiais na Delegacia da Mulher. É por isso que faltam policiais para investigar outros crimes. Na Polícia Militar, são mais de 2 mil cargos de soldado vagos. A violência urbana e principalmente a vida das mulheres não foi tratada como prioridade pela atual gestão”, disparou Pazolini.

Os investimentos e a recomposição do efetivo das forças de segurança foram assunto na série de reportagens especiais do Folha Vitória com os desafios do Espírito Santo.

Combate às facções

O deputado federal Helder Salomão foi perguntado por Lorenzo Pazolini sobre como combater o crime e às facções criminosas. O petista disse que o tema precisa ser tratado com muita responsabilidade.

“Vejo muitos candidatos falando de segurança pública só para ganhar o voto do eleitor. Nós precisamos discutir como vamos melhorar a segurança pública no Espírito Santo”, disse.

Durante a resposta, o candidato citou conversas com eleitores sobre a preocupação de deixar filhos saírem de casa sem saber se vão voltar em segurança.

“Reduzimos homicídio, mas a sensação de insegurança está estampada na mente e no coração dos capixabas. Vamos combinar quarto coisas: planejamento, inteligência, repressão dura ao crime organizado no andar de cima também, aqueles que financiam o crime organizado, e a quarta coisa é ocupar os território com políticas públicas. Levar o Centro de Referência da Juventude (CRJ). Só temos 10 municípios que tem o CRJ. Precisamos ampliar esse número para dar oportunidade para a juventude”.

Na réplica, Pazolini citou um recente tiroteio na Serra e a atuação de traficantes que cortavam fios de internet de moradores em bairro de Vila Velha. “Nós precisamos de um plano estadual integrado com a segurança pública. É preciso descapitalizar essas organizações”.

Crimes contra o patrimônio

Em outro momento do debate, quando os candidatos responderam às perguntas feitas por jornalistas da Rede Vitória, o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, foi questionado pela colunista do Folha Vitória, Fabi Tostes, sobre crimes contra o patrimônio e no transporte púbico em Vitória, cidade que liderou algumas dessas estatísticas.

“Nos últimos anos, tivemos reduções significativas nos crimes patrimoniais na cidade de Vitória, tanto em furtos, quanto em roubos. No quantitativo dos últimos cinco anos, 40%. O fundamental é continuar trabalhando. Nós sabemos que os números são desafiadores. Nós temos preservado a vida e esse é o bem mais importante da nossa sociedade. É o que há de mais relevante para nós, mas o patrimônio também tem o seu destaque. O fundamental é que haja presença do poder público nos territórios, garantir que a atuação da assistência social, da saúde e da educação em tempo integral se dê de maneira efetiva e, principalmente, um combate unindo tecnologia e valorização”.

Pazolini ainda destacou que, durante sua gestão, foram feitos investimentos na Guarda Municipal de Vitória com novos equipamentos e planos de carreira para os servidores. Outra ação que ele enfatizou é que a Guarda Municipal é a única no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes). “Importante integrar as forças de segurança para que esses resultados possam aparecer de forma significativa”.

“A Capital cria um polo de atração regional. Então, como você tem um número maior de pessoas, infelizmente, ainda tem um número muito significativo de crimes contra o patrimônio”.

Ao comentar a resposta de Pazolini, Ricardo Ferraço reforçou que as polícias Civil, Militar, Penal e Científica são de responsabilidade do governo do Estado.

“O candidato tenta se apropriar dos resultados como se os méritos pela redução da criminalidade fossem só da Guarda Municipal de Vitória. Não, os indicadores reduziram em Vitória e em todos os nossos municípios do Espírito Santo”, defendeu o candidato à reeleição.

 

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