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Presidente do PSB-ES diz que filiados podem votar em Contarato

Presidente do PSB-ES diz que filiados podem votar em Contarato

Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto-legenda: À esquerda, Alberto Gavini com Renato Casagrande; à direita, Fabiano Contarato / Crédito: Fotomontagem (Reprodução Facebook) / Arte: IA

Da parte da direção estadual do PSB, não há nenhum “estímulo”, mas não haverá “reprimenda”, e sim “respeito” a quem fizer a opção pessoal de apoiar Casagrande e o candidato do PT (no lugar de Rose)

Presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Alberto Gavini é parceiro político de Renato Casagrande há décadas. Com a autoridade de dirigente máximo do PSB no Espírito Santo, ele afirma, na entrevista abaixo à coluna: para o Senado, filiados à sigla poderão votar em Casagrande e Rose de Freitas (MDB)… ou em Casagrande e Fabiano Contarato (PT).

O PSB está na coligação do MDB, “Agora é o Futuro”, que tem como candidato a governador o atual ocupante do cargo, Ricardo Ferraço (MDB). Os dois candidatos ao Senado da mesma coligação são Casagrande e Rose.

Enquanto isso, a direção estadual do PT já anunciou apoio informal a Casagrande como segundo candidato a senador. No Estado, o partido de Lula está em outro palanque e só lançou Contarato ao Senado.

Setores do PT trabalham por uma dobradinha informal com Casagrande e querem reciprocidade. Parte da militância do PSB também prefere a dobradinha com Contarato, apoiando informalmente o senador petista como segunda opção de voto (no lugar de Rose).

Elucidativa, a entrevista de Alberto Gavini deixa claro que filiados podem mesmo fazer isso, sem problema algum. Da parte da direção estadual do PSB, explica, não há nenhum “estímulo”, mas não haverá “reprimenda”, e sim “respeito” a quem fizer a opção pessoal de seguir com Casagrande e Contarato.

Confira!

Os filiados ao PSB no Espírito Santo podem votar em Fabiano Contarato, como segundo candidato ao Senado?

O PSB está na coligação com o MDB e respeita, efetivamente, a coligação. Todo o material do nosso pessoal vai sair com o Renato e com a Rose. Mas nós deixamos que os diretórios municipais possam tomar suas decisões em relação ao Contarato. Não há nenhum obstáculo se alguém do PSB tiver alguma outra posição. Demos certa liberdade para os nossos diretórios se posicionarem. Formalmente, a Executiva Estadual respeita e acata a decisão da coligação. Toda a nossa filmagem, todo o nosso material, toda a televisão vai ter lá o nome de Ricardo, de Renato e de Rose. Mas também deixamos o nosso pessoal com uma certa liberdade. Aquele que entender que tem essa possibilidade de apoiar [Contarato], nós não vamos criar problemas, até porque nós temos o vice-presidente da República [Geraldo Alckmin], o candidato a vice-presidente do Lula, então ficaria muito complicado se eles colocassem algum tipo de situação constrangedora para o nosso pessoal.

Quando o senhor fala em “nosso pessoal”, está se referindo à militância do partido? Não só aos diretórios municipais e respectivos dirigentes, mas qualquer filiado?

 O PSB como um todo vai poder se posicionar, por força da situação nacional. Não tem como ser de outra maneira. Agora, todo mundo tem que saber que, formalmente, a coligação é Renato e Rose. Nós temos que respeitar isso em todos os materiais.

 

Vou lhe dar um exemplo prático. Vamos supor que eu seja filiado ao PSB aqui no Espírito Santo. Aí eu chego para você e lhe digo “olha, Gavini, você me desculpe, eu sei que oficialmente nossa segunda candidata é a Rose, mas eu, pessoalmente, tenho preferência pelo Contarato, até pela aliança nacional, acho que ajuda mais o Lula e o Alckmin etc. E, portanto, vou fazer campanha e pedir votos para Casagrande e para Contarato”. Eu tenho esse direito?

Cada cidadão tem o direito de tomar a decisão que quiser tomar, independentemente de ser do PSB ou não. Se a pessoa já se definiu como eleitora de Contarato, eu não posso brigar com ela nem tomar uma atitude com relação a isso, porque é uma decisão pessoal. O voto é democrático. Volto a reforçar que o PSB, enquanto material, enquanto coligação formal, vai respeitar isso. Agora, individualmente, as pessoas tomem a iniciativa e a decisão que quiserem tomar, porque estamos num país democrático.

Significa que a militância está liberada? Eu posso dizer isso?

De certa forma, sim. Não vai haver uma reprimenda pela direção nacional nem pela direção estadual. Mas nós temos orientado que todos possam seguir a orientação formal, que é respeitar a coligação. Se a companheirada entender e quiser tomar outra posição, aí é individual, né? Não é que eu esteja liberando. É uma decisão individual. O PSB estadual não está liberando nem estimulando isso. O PSB estadual está respeitando a decisão das pessoas. Da minha parte e da Executiva Estadual, não existe nenhuma orientação que não seja a formalidade. Agora, nós vamos respeitar a decisão dos companheiros que não quiserem seguir a formalidade. Não tem uma liberação formal da Executiva para isso. Mas existe um respeito pela decisão dos companheiros. É assim que tem que ser o texto.

E essa “certa liberdade” e esse respeito pelas decisões individuais só valem para quem quiser votar em Contarato ou também para os demais? Se eu sou do PSB e quero votar, sei lá, na Maguinha ou no Evair de Melo, terei o mesmo respeito?

Não. Isto é, o respeito, tem. Cada um toma a sua decisão. Mas nossos filiados sabem da nossa posição filosófica e política. Nós somos um partido de centro-esquerda. Contarato é um cara de esquerda. Está num partido de esquerda. Então, há um entendimento nosso nesse sentido. Não há um entendimento se a pessoa optar por uma candidatura de direita ou de extrema-direita. Aí, não… Hoje, a nossa linha de pensamento é que, se a pessoa quiser tomar uma decisão, que tome uma decisão mais alinhada ao que pensa que o partido. Contarato é uma posição mais alinhada ao que pensa o partido do que esses que você citou aí de exemplo.

 

Resumidamente, o filiado ao PSB no Espírito Santo pode votar em Casagrande, Rose ou Contarato. É isso?

É isso. De certa forma, é isso.

E o senhor, pessoalmente?

(Risadas)

Qual é sua preferência?

Renato Casagrande!

E o segundo voto?

Como presidente, institucionalmente, eu tenho que respeitar a decisão formal. Tenho que orientar e tenho que dar o exemplo, né?

Mas o senhor pode revelar de quem é o seu segundo voto ao Senado?

Não vou revelar nem o primeiro voto. O voto é secreto, como é que vou revelar?

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