Por Letícia Gonçalves / A GAZETA / Foto: Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo / Crédito: Ricardo Medeiros / Arte: IA
Entre os entrevistados, 39% querem “mudar apenas o que não está bom” e 24%, “mudar totalmente”. Alguma alteração, certamente, vai haver
Já está decretado o fim do revezamento no poder entre Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB), que perdurou de 2003 até abril de 2026, quando Ricardo Ferraço (MDB) assumiu o governo do Espírito Santo.
O emedebista sucedeu Casagrande porque era o vice do socialista e agora busca a reeleição. Ricardo diz sempre, quase como um mantra, que vai “manter o rumo e o ritmo” da gestão estadual.
Não se pode ignorar, entretanto, que Ricardo não é Casagrande. Eles têm estilos diferentes, até ideologicamente falando.
Ou seja, um eventual governo Ricardo Ferraço a partir de 2027 não necessariamente vai ser igual aos mandatos de Casagrande à frente do Palácio Anchieta.
Mas o que será que os eleitores querem?
A Quaest perguntou aos entrevistados no Espírito Santo: “Independentemente do seu voto, na sua opinião, o próximo governador deve continuar o trabalho que vem sendo feito, mudar apenas o que não está bom ou mudar totalmente?”.
O resultado é que 39% querem mudar apenas o que não está bom e outros 24% querem mudar tudo.
Confesso que não entendi bem a preferência dos 24%. É para mudar até o que está bom?


Enfim, somando os dois percentuais, tem-se que 63% querem algum tipo de transformação na gestão estadual.
A parcela que quer “continuar o trabalho que vem sendo feito” é minoritária, 32%.
Alguma coisa vai mudar, de fato.
Como já mencionado aqui, mesmo que Ricardo seja reeleito, ele não é Casagrande.
O governo que o emedebista faz hoje é uma continuidade do trabalho do socialista, mas já tem pontos que o diferenciam do antecessor, como a transferência da mediação de conflitos de terra da Secretaria de Direitos Humanos para a de Segurança Pública.
Se os eleitores lhe concederem mais um mandato, Ricardo vai poder começar uma administração “do zero”, com secretários estaduais escolhidos, desde a origem, por ele mesmo.
Se a opção for por outro candidato, são ainda maiores as chances de mudança.
Mas creio que nem mesmo o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), principal adversário de Ricardo, declararia ter o objetivo de “mudar totalmente”, para além de acabar apenas “com o que não está bom”.
O próprio Pazolini já disse que respeita o legado de Hartung e Casagrande, em termos de gestão.
O deputado federal Helder Salomão (PT) tem simpatia pelo ex-governador e, aliás, gosta de frisar que Ricardo e o socialista são pessoas diferentes.
O PT integrou a administração de Renato Casagrande. Logo, é de se esperar que, caso o petista seja eleito, não haja mudanças muito bruscas.
A pesquisa Quaest mostra, entretanto, que os nomes competitivos são apenas os de Ricardo e Pazolini.
O governador aparece com 35% das intenções de voto e o ex-prefeito com 28%.
Por essa projeção, os dois disputariam o segundo turno. E, nessa hipótese, no cenário de hoje, Ricardo venceria Pazolini por 45% a 35%.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO
A Quaest também perguntou aos entrevistados como eles avaliam o governo de Ricardo: 56% aprovam e 14% desaprovam.
É um resultado positivo para o emedebista, mas que também pode ser lido como um recall da gestão Casagrande. Afinal, o governo de Ricardo, sozinho, começou há poucos meses.
Pode parecer um contrassenso, é verdade. A maioria aprova o governo e, ainda assim, a maioria quer mudanças.
Isso pode ser lido, talvez, como um recado de que: “ok, está bom, mas precisa melhorar”.


