Por Henrique Sávio Rezende, Despachante Aduaneiro Federal e Bacharel em Direito / Foto: Divulgação / Arte: IA
Há momentos na história em que o destino de um povo não é decidido pelo acaso, mas pelas escolhas de lideranças que enxergam décadas à frente.
O ano de 2026 guarda uma simetria profunda e urgente com o ano de 1970. Naquela década, o Espírito Santo reinventava sua própria identidade econômica.
Deixávamos de ser uma economia essencialmente monocultora, ferida pela crise da erradicação dos cafezais, para nos transformarmos em um Hub Logístico e Industrial de relevância global. Hoje, em 2026, estamos diante de uma encruzilhada idêntica: ou consolidamos nossa vanguarda ou assistiremos à estagnação e à perda de protagonismo de nossa infraestrutura e competitividade.
Olhar para o retrovisor dessa jornada nos obriga a reverenciar os arquitetos do Espírito Santo moderno. Visionários do comércio exterior, da logística, da indústria e da comunicação que ousaram desbravar o mercado quando tudo ainda era mato, poeira e burocracia.
Não há como falar de comércio internacional capixaba sem saudar o pioneirismo de Otacílio Coser e a gigante Coimex, que posicionaram o estado no mapa das grandes tradings mundiais.
Na cafeicultura e na diversificação de exportação, o nome de Jônice Tristão (e o legado do Grupo Tristão) ecoa como sinônimo de ousadia e alcance global. Na infraestrutura e na revolução do transporte rodoviário e de passageiros, a saga da família Chieppe, com a consolidação do Grupo Águia Branca, transformou a logística capixaba em referência de eficiência e governança para o Brasil.
A força capixaba também se ergueu pela comunicação de vanguarda, capaz de conectar o nosso mercado ao mundo. Lideranças como Américo Buaiz consolidaram impérios que integraram indústria e mídia.
Na mesma linha de dinamismo, Maelly Coelho revolucionou o mercado da comunicação e publicidade local e, com a mesma veia visionária, expandiu seu impacto para além dos negócios, deixando uma marca indelével no bem-estar social: investiu fortemente na saúde das pessoas e impulsionou o esporte capixaba com o projeto do Porto Vitória, hoje uma base de formação esportiva e cidadã reconhecida internacionalmente.
Somam-se a esse panteão tantas outras mentes brilhantes e sobrenomes de peso que, nas federações, associações e no chão de fábrica de pequenas e grandes indústrias, transformaram o Espírito Santo em uma potência resiliente.
Contudo, a engrenagem desses grandes capitães da indústria e do comércio exterior jamais teria girado sem o trabalho silencioso e cirúrgico de duas categorias fundamentais: os despachantes aduaneiros e os contadores. Eles não operam na primeira página dos jornais, mas são os verdadeiros guardiões da viabilidade econômica capixaba. Sem o conhecimento técnico dos contadores, a engenharia tributária do FUNDAP e os incentivos locais seriam apenas teoria. Sem a precisão e a agilidade dos despachantes aduaneiros nos portos e aeroportos, nossas mercadorias não romperiam fronteiras. Eles representam milhares de profissionais que transformaram a burocracia em ponte para o desenvolvimento.
O grande objetivo de relembrar essa epopeia em 2026 não é apenas nostálgico. É um chamado à responsabilidade presente.
As grandes decisões, os incentivos fiscais e as obras de infraestrutura que esses pioneiros ergueram geraram um efeito cascata que sustenta, hoje, o pequeno e o médio empresário capixaba — desde a padaria do bairro até a pequena indústria metalmecânica.
Por isso, o ano de 2026 exige de nós maturidade.
O voto e as escolhas políticas deste ano não podem ser pautados por debates rasos ou polarizações estéreis.
Precisamos de governantes e legisladores que compreendam a engrenagem do desenvolvimento, que defendam a nossa segurança jurídica e que tenham compromisso real com a simplificação do ambiente de negócios.
Votar com sabedoria em 2026 é blindar e honrar o legado de Coser, Tristão, Chieppe, Maelly e de tantos outros desbravadores. É garantir que o pequeno comerciante e o médio transportador continuem tendo um ambiente fértil para crescer.
O progresso do Espírito Santo não aceita improvisos. Que sejamos, nas urnas e nas decisões deste ano, tão visionários quanto aqueles que nos trouxeram até aqui.
Acima de tudo, que a nossa ação seja imediata, pois a omissão cobra um preço alto.
Capixaba, jamais esqueça: o FUTURO é HOJE!
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