Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação / Crédito: Partido Democrata / Arte: IA
Partido disse que está fora da coligação após não ser ouvido a respeito da indicação de vice de Pazolini na disputa ao governo
O partido Democrata35 – antigo Partido da Mulher Brasileira –, que foi o primeiro a declarar apoio a Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo Palácio Anchieta, deixou a coligação encabeçada pelo ex-prefeito.
A decisão foi tomada logo após o Republicanos anunciar na tarde de ontem (14), ao lado do PL, quem seria a vice na chapa de Pazolini.
A escolhida foi a militar da reserva e pastora evangélica Bispa Eliane Leal (PL), que é de Colatina e foi indicação direta do senador e presidente do PL capixaba, Magno Malta.
Indignado por não ter sido convidado para participar da reunião que definiu a companheira de chapa de Pazolini, o presidente estadual da pequena legenda, Tenório Merlo, disse que faltou “consideração e respeito”, que o partido foi desprestigiado e que está fora da coligação.
“Não fomos nem convidados para participar da reunião. Três partidos fazem parte da coligação, o Democrata, o Republicanos e o PL. E aí o PL e o Republicanos decidem lá sem ouvir a gente? Nós estamos fora. O Democrata está fora. Falta de consideração e respeito com a gente” Tenório Merlo, presidente estadual do Democrata35
O dirigente disse que passou toda a tarde aguardando um contato do Republicanos, na expectativa de que o partido ao menos o ouvisse antes de tomar a decisão.
O Democrata havia colocado três nomes à disposição para a vaga de vice de Pazolini – a advogada Elizete Fassarella, esposa do ex-deputado Nilton Baiano; a líder comunitária de Goiabeiras Helida Regina Loreto; e a contadora e advogada Graça Fortes – e esperava um retorno sobre as sugestões.
Ao longo do dia de ontem, à medida que ganhava força a sinalização de que o PL ficaria com a vice, Tenório admitiu à coluna De Olho no Poder que o Democrata poderia reavaliar a permanência na coligação. Com a confirmação da escolha no fim do dia, o dirigente bateu o martelo.

Tenório Merlo, presidente estadual do Democrata35
“Nós estamos muito tristes pelo desprestígio que nós tivemos nesses dias que antecederam a decisão. Nós indicamos três nomes, devíamos pelo menos ser ouvidos. Agora, se é o governo do PL, com candidatura só do PL, aí já não nos compete avaliar”, criticou o dirigente.
Tenório marcou uma reunião com os militantes, na manhã de hoje (15), para definir que rumo o partido tomará. “Nós vamos nos reunir para decidir se vamos apoiar o Ricardo Ferraço, o Helder Salomão, ou se vamos sozinhos, sem apoiar ninguém, liberando nossos 27 candidatos a deputados estaduais”.
Escolhas e consequências
O Democrata35 não é o primeiro partido a abandonar a coligação de Pazolini. O PSD, que era cotado para emplacar um nome ao Senado e outro na vice, também deixou o grupo.
Em comum, o mesmo fator: a chegada do PL e suas imposições ao grupo. O PSD se afastou após o Republicanos fechar aliança com o partido presidido por Magno Malta e passar a seguir a cartilha do senador.
Entre outras coisas, Magno Malta exigiu de Pazolini e do Republicanos apoio público ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e a pautas bolsonaristas, espaço prioritário para a candidatura ao Senado de Maguinha Malta (PL) e ainda colocou barreiras à candidatura de Sergio Meneguelli (PSD) ao Senado pela coligação.
Ainda que Pazolini tivesse preferência pelo nome da primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD), e a própria Lívia tivesse interesse na vaga, o prefeito e presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, se comprometeu em lançar a candidatura de Meneguelli ao Senado – compromisso endossado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Sem espaço na chapa de Pazolini para Meneguelli, o PSD abriu mão da vaga de vice e decidiu não coligar com ninguém.
A legenda vai sozinha para as urnas e o Republicanos perdeu um aliado de médio porte, que não chega a ter o peso do PL na coligação, mas que também contribuiria de forma considerável com tempo de TV e rádio para a campanha de Pazolini.
Pazolini e o Republicanos decidiram priorizar o PL e Magno Malta. O tempo dirá se foi uma decisão acertada.
Em tempo: A escolha da vice acabou por consolidar um movimento que Pazolini já vinha fazendo em direção à direita mais conservadora e radical.
Em tempo II: A política capixaba produziu uma curiosa coincidência com a dos Estados Unidos: Republicanos e Democratas parecem destinados a ocupar lados distintos do tabuleiro.


