Por Henrique Sávio Rezende, Despachante Aduaneiro Federal e Bacharel em Direito / Foto: Divulgação / Arte: IA
Em 1885, José de Melo Carvalho Muniz Freire publicou suas célebres Cartas ao Imperador. Ele não buscava apenas infraestrutura, mas o respeito à dignidade e à relevância da política capixaba frente aos interesses da Corte. Hoje, o Espírito Santo está longe de ser um estado abandonado; nossa pujança portuária, industrial e logística salta aos olhos.
O verdadeiro perigo em 2026 é outro: que a nossa riqueza material seja sabotada pelo empobrecimento do debate político, e que percamos o espírito público que Muniz Freire defendia.
A divisão doente entre esquerda e direita ou vice versa, importou para o solo capixaba uma guerra de narrativas que cega o eleitor. Em vez de analisarmos os candidatos pelo mérito, pela história e pelo compromisso real com as virtudes da nossa gente, corremos o risco de eleger quem enxerga o mandato apenas como um fim em si mesmo.
A política tem se tornado uma ferramenta de satisfação pessoal, usada para blindar redutos eleitorais, favorecer oligarquias familiares e enriquecer parceiros de partido, enquanto a alma e as tradições capixabas são deixadas de lado.
Essa desconexão com a realidade local se reflete no dia a dia. Vemos uma enxurrada de leis e instruções normativas complexas que são criadas longe da análise prática do nosso mercado e pelo desconhecimento dos nossos representantes que nada fazem ou melhor não possuem nenhum conhecimento dos gargalos e prejuízos causados aos poucos que pagam a conta do gasto público em geral.
O pequeno e médio empresário capixaba — a verdadeira força motriz do estado — acaba sufocado, sem representação legítima e obrigado a se curvar a um sistema de interesses coletivos onde apenas o voto do maior prevalece.
O Espírito Santo atrai grandes empresas e indústrias, mas carece de atores políticos que combatam as mazelas que tornam nossas comunidades dependentes e sem rumo técnico.
O Espírito Santo tem uma oportunidade de ouro em suas mãos, mas ela exige maturidade nas urnas.
O voto em 2026 não pode servir para alimentar egos ou sustentar privilégios individuais de políticos focados em suas próprias convicções singulares.
Precisamos resgatar os valores do passado para blindar o nosso futuro.
Votar por mérito significa escolher líderes que pensem genuinamente no povo capixaba e que usem nosso potencial logístico e humano para gerar riqueza com dignidade, e não para alimentar estruturas de poder pessoal.
Capixabas, nossa atenção e a nossa cobrança precisam começar agora. Não esqueça, o FUTURO É HOJE, e não em outubro de 2026.
*Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou a linha editorial do portal político Plenária Capixaba.


