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Presidente do PSD capixaba diz que Hartung está disposto a disputar o governo do ES

Presidente do PSD capixaba diz que Hartung está disposto a disputar o governo do ES

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Renzo, Lívia e Zé Carlinhos participaram da convenção nacional do PSD / Crédito: redes sociais / Arte: IA

 

Renzo cita como possibilidade real o ex-governador tentar um quarto mandato. Ele também avalia composição com outros partidos

 

O presidente do PSD capixaba e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, afirmou que o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que esteve à frente do Estado por três mandatos (2003-2010 e 2015-2018), estaria disposto a disputar novamente o governo do Estado.

Renzo participou, neste domingo (26), da convenção nacional do PSD, em São Paulo, que chancelou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, tendo o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como vice.

Depois, o prefeito, a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, e o ex-deputado Zé Carlinhos Fonseca Júnior (PSD) – aliadíssimo de Hartung – almoçaram com Kassab. No cardápio, o prato principal foram as eleições do Espírito Santo.

O teor da conversa não foi revelado, mas o prefeito informou à coluna De Olho no Poder, na noite de ontem (26), que é real a possibilidade do partido, assim como na disputa da Presidência da República, lançar uma chapa puro-sangue encabeçada por Hartung.

“Sobre as definições no Espírito Santo, nós ainda estamos conversando com todos os lados, com possibilidade do Paulo (Hartung) disputar a majoritária, e nós termos chapa pura, como também composições. Mas, nós temos tempo ainda, vamos trabalhar com tempo e com bastante diálogo (…) Mas todo mundo sabe que eu tenho diálogos tanto com o Republicanos quanto com o MDB e também com o PT, com Helder Salomão”, afirmou Renzo.

Hartung não participou do almoço e nem da convenção, segundo Renzo.

“Paulo está no Espírito Santo, fazendo algumas conversas como PSD, como time, como partido unido. A gente tem que somar as forças e o tempo. Então, ele está aí. Eu, Zé Carlinhos e minha esposa viemos, participamos da convenção, almoçamos com Kassab”.

Questionado pela coluna se Hartung estaria disposto a concorrer e se teria dado o sinal verde para a proposta, Renzo não titubeou: “Sim”, respondeu o presidente do PSD capixaba. A coluna não conseguiu contato com Hartung na noite de ontem.

“Ou a gente vem com chapa pura ou a gente faz bons diálogos e bons acordos para o crescimento e fortalecimento do PSD, enfim, não tem muito o que alongar”, afirmou Renzo.

Porque a candidatura própria agora ganha força

A possibilidade do PSD capixaba lançar candidatura própria ao governo do Estado sempre existiu, porém, a probabilidade era pequena.

Primeiro porque, o nome mais cotado para a missão – Paulo Hartung –, desde antes de se filiar ao partido, já vinha dando sinais de que não disputaria mais o Palácio Anchieta. Pelo contrário, por várias vezes ele defendeu uma oxigenação no processo eleitoral e declarou apoio ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Segundo porque, em abril, o próprio PSD declarou apoio a Pazolini na disputa ao governo do Estado, e vinha, desde então, negociando espaço nas chapas majoritárias.

O partido tem nomes para indicar na composição de vice – com Lívia ou com o ex-prefeito Guerino Zanon – e também para as cadeiras do Senado, com o deputado Sergio Meneguelli.

Porém, o cenário mudou quando o Republicanos – partido de Pazolini – começou a se aproximar do PL.

O partido presidido no Estado pelo senador Magno Malta impôs uma série de condições para o fechamento da aliança com o Republicanos, que incluíam o apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro e também à pré-candidatura de Maguinha Malta ao Senado.

O Republicanos aceitou e Pazolini declarou, publicamente, apoio a Flávio e a Maguinha – com direito à participação e discurso no palco do encontro estadual do PL. Ele ainda endossou pautas da direita bolsonarista.

O PSD se sentiu preterido nas negociações do grupo. Isso porque, embora duas cadeiras ao Senado estejam em disputa, nos bastidores circula que o entendimento entre Republicanos e PL incluiria também a formação de uma chapa sem um nome competitivo, ao lado de Maguinha, capaz de dividir os votos. Na prática, esse arranjo fecharia a porta para a candidatura de Meneguelli.

Além disso, algumas lideranças do PL demonstraram insatisfação em estarem no mesmo grupo que Hartung – principalmente nomes ligados à área de Segurança Pública. A rejeição remonta a 2017, ao episódio da greve da PM, quando Hartung era governador.

Foi após esses acontecimentos que, há exatamente uma semana, o PSD divulgou um comunicado desfazendo o noivado com o Republicanos. Não que tenha rompido com o partido – as conversas continuam. Mas, agora, o PSD se considera livre para conversar com outros players ou caminhar sozinho.

A busca pelo governador

Na última quarta-feira (22), dois dias após ter divulgado o comunicado, Renzo foi ao encontro do governador Ricardo Ferraço (MDB) – o prefeito que pediu a agenda.

Na conversa, que teria sido breve, Renzo perguntou a Ricardo se teria espaço para o PSD na chapa majoritária. O governador não teria respondido. Antes, ficou de conversar internamente com os partidos que formam sua frente ampla.

No último sábado (25), ao participar da convenção do PSB, Ricardo foi questionado sobre uma possível entrada do PSD em seu grupo e, principalmente, sobre a presença de Hartung.

“Nós não estamos conversando com CPFs, estamos conversando com CNPJs”, disse o governador sem citar como se daria uma eventual aliança com o partido que tem, como principal liderança, um antigo adversário político.

O ex-governador Renato Casagrande (PSB) também foi perguntado se gostaria que a aliança saísse. “Acho que é importante o PSD estar na coligação”, respondeu de forma direta, mas também sem entrar no mérito do espaço que poderia ser reservado ao partido e nem sobre o fator PH.

Resistência interna

Já a ex-senadora Rose de Freitas (MDB), que também esteve presente na convenção do PSB marcando território, não parece muito disposta a ceder seu lugar para possibilitar a entrada do PSD.

Ela tem costurado dentro do grupo para ser o segundo nome na disputa ao Senado, numa dobradinha com Casagrande.

Ao ser questionada sobre as articulações com o PSD, mandou um recado: “A chegada do PSD une? Se unir tudo bem (…) Política é para ser discutida. Não tem ninguém que chega na última hora e fala assim: ‘Eu estou entrando, mas quero isso’. Tem que discutir com todo mundo”, alfinetou.

Casagrande disse que há um bom entendimento no grupo para que Rose concorra pela segunda cadeira.

A convenção do MDB, que deve definir esse ponto, será só no dia 5 – último dia do prazo para as convenções partidárias.

Semana crucial

Preterido por um lado e sem muito espaço no outro, ir para as urnas encampando uma candidatura própria poderá ser o único caminho viável para o PSD capixaba honrar os compromissos que já fez com seus militantes e com o diretório nacional, de fortalecimento do partido.

Também seria o cenário (ou desculpa) ideal para Hartung retornar ao jogo político capixaba. Embora ele não tenha feito movimentos públicos de um pré-candidato e até já declarado apoio a outro nome, no caso específico de Hartung não se pode descartar nada – 2014 que o diga.

Algumas questões se apresentam, como por exemplo, o PSD terá musculatura para levar adiante duas candidaturas majoritárias, além das chapas federal e estadual sozinho? Nacionalmente, o partido é grande, mas no Estado ainda caminha com dificuldades.

A convenção do partido está prevista para o próximo domingo (02) e, até lá, a única certeza que se tem é que essa semana promete. A conferir.

 

Presidente do PSD capixaba diz que Hartung está disposto a disputar o governo do ES

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