Por Danieleh Coutinho / ES HOJE / Foto: Divulgação / Arte: IA
Quem esperava fumaça branca nos corredores de Brasília sobre o futuro político do Espírito Santo vai ter que esperar mais um pouco. O tão falado encontro entre as principais lideranças nacionais e estaduais do PL e do Republicanos aconteceu, mas o saldo prático resume-se a uma expressão bem conhecida no meio político: compasso de espera.
O objetivo de fundo é de conhecimento geral: a costura de uma aliança em torno da provável candidatura de Lorenzo Pazolini ao Governo do Estado. No entanto, se o Republicanos entrou na sala buscando compromisso formal, saiu apenas com uma promessa de novos cafés. Tudo foi conversado, mas absolutamente nada foi definido.
O preço da conversa e a exigência de Magno Malta
A reunião não nasceu por gravidade. Ela foi uma exigência direta do presidente do PL-ES, senador Magno Malta. Embora o interesse e o pedido de apoio partam do Republicanos — que hoje tem em Erick Musso o articulador do projeto de Pazolini —, Malta fez questão de levar o debate para o topo da pirâmide partidária em Brasília, jogando com o peso das direções nacionais.
O PL capixaba segue sem uma definição sobre candidatura majoritária ao Palácio Anchieta. A principal — e talvez única — aposta convicta da sigla em território capixaba para a chapa majoritária é o nome de Maguinha Malta para o Senado. Ela é vice-presidente do PL-ES e filha do senador.
O recado implícito do encontro ficou nítido: o PL aceita dialogar com o Republicanos, mas qualquer avanço real dependerá de como o nome de Maguinha será acomodado no tabuleiro.
Peso pesado na mesa, discrição na ata
A nota oficial divulgada pelo PL reflete o tom protocolar de um encontro que serviu mais para demarcar território do que para fechar acordos. A lista de presentes, contudo, mostra que os dois partidos mobilizaram suas principais forças:
A diplomacia da nota oficial
Em comunicado, o PL limitou-se a confirmar o caráter inicial e inconclusivo das tratativas:
“Em Brasília, lideranças nacionais e estaduais do PL e do Republicanos participaram de uma reunião para tratar de pautas relacionadas às eleições e ao cenário político nacional. […] A reunião foi marcada por uma conversa produtiva e importante, com alinhamentos e troca de ideias entre as lideranças. Novos encontros devem ser realizados para dar continuidade ao diálogo.”
Antes de embarcar para Brasília, mais cedo, o presidente do Republicanos-ES, Erick Musso, previa e declamou o texto bíblico Provérbio, capítulo 3, versículo 1: “Tudo tem o seu tempo determinado. Há tempo para todo propósito debaixo do céu”.
O termômetro da coluna
O que se extrai dos bastidores é que o Republicanos tem pressa para consolidar o bloco de direita e centro-direita em torno de Pazolini, mas o PL tem o tempo a seu favor. Magno Malta sabe o valor do passe do seu partido — especialmente pelo tempo de TV e pela força do eleitorado conservador no Estado — e não vai queimar etapas.
Por enquanto, o cenário permanece idêntico ao de antes da reunião: o namoro continua, mas o noivado está longe de ser anunciado.



