Por Dra. Martielle Breguêz, terapeuta sistêmica de mulheres / Foto: Divulgação / Arte: IA
A maternidade atípica é uma jornada marcada por um amor imensurável, mas também por uma entrega diária que, muitas vezes, ultrapassa os limites do cansaço. Entre terapias, consultas, burocracias, desafios financeiros e a luta constante pela garantia de direitos, a sobrecarga quase sempre recai sobre a mãe.
Nesse cenário, cuidar da saúde mental e emocional da mãe atípica não é um privilégio — é uma necessidade urgente. O estresse crônico, a exaustão, a solidão e o abandono de si mesma comprometem não apenas sua qualidade de vida, mas também toda a estrutura familiar. Quem dedica sua vida ao cuidado também precisa de acolhimento, escuta, apoio psicológico e oportunidades para recuperar suas próprias forças.
Quando a mãe é cuidada, ela encontra recursos para enfrentar os desafios com mais equilíbrio, esperança e resiliência. Uma mãe emocionalmente fortalecida consegue oferecer um cuidado mais saudável e construir um ambiente mais seguro para toda a família. Afinal, ninguém consegue sustentar o outro por muito tempo quando está completamente esgotado.
Cuidar de quem cuida não é um gesto de caridade. É uma questão de saúde pública, de responsabilidade coletiva e de compromisso com a dignidade humana. Para que uma criança atípica tenha condições de se desenvolver plenamente, é indispensável que a principal base de sustentação dessa caminhada também esteja fortalecida.
Quem acolhe uma mãe atípica fortalece uma família inteira. E quando fortalecemos as famílias, construímos uma sociedade mais humana, mais inclusiva e mais preparada para cuidar de todos.


