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O jogo de Marcelo Santos na Convenção do União Brasil do ES

O jogo de Marcelo Santos na Convenção do União Brasil do ES

Por Danieleh Coutinho / ES HOJE / Foto: Divulgação / Arte: IA

 

Na política, a unanimidade costuma ser o disfarce de um acordo prévio muito bem amarrado. A Convenção Estadual do União Brasil, neste sábado (20) na Fecomércio-ES, em Vitória, cumpre exatamente esse roteiro. Ao se apresentar em chapa única, sem sobressaltos ou oposição interna, o deputado e presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, chancela sua recondução à presidência da sigla no Espírito Santo.

 

Mas quem olha para o evento apenas como uma formalidade burocrática perde o principal lance do tabuleiro: a convenção é o marco zero da estratégia de Marcelo para pavimentar sua transferência para Brasília.

Diferente de outros diretórios estaduais do país, onde o União Brasil se fragmentou em disputas fratricidas, a seção capixaba optou pelo pragmatismo da sobrevivência e do poder. Para Marcelo Santos, atual presidente da Assembleia Legislativa, manter o controle absoluto da máquina partidária não é vaidade; é blindagem e moeda de troca.

O plano do deputado é claro: disputar uma cadeira na Câmara Federal. Em um cenário eleitoral cada vez mais dependente de estruturas pesadas, comandar o partido garante a ele o controle sobre a distribuição do fundo partidário, do tempo de televisão e, fundamentalmente, das nominatas no estado. Marcelo sabe que, para negociar espaços em Brasília, precisa de um partido dócil e unificado sob suas ordens.

O ingrediente que eleva a temperatura desse movimento é a consolidação da federação União Progressista, unindo o União Brasil ao Progressistas (PP). No pragmático xadrez político capixaba, essa junção cria um superbloco com musculatura suficiente para emparedar o Palácio Anchieta e ditar as regras das alianças majoritárias.

Ao pacificar o União Brasil sob sua liderança, Marcelo ganha o direito de sentar-se à mesa com o PP de igual para igual. Quem tem o controle da caneta partidária de um bloco desse tamanho não precisa pedir espaço; ele o impõe.

A retórica oficial de Marcelo Santos foca em termos palatáveis como “escuta, equilíbrio e resultado”. O tradutor político, no entanto, lê outra coisa: centralização de forças, neutralização de rivais internos e construção de uma fortaleza eleitoral para garantir que o projeto de poder pessoal do deputado não encontre resistência no caminho até o Congresso Nacional. O sábado será de festa e discursos alinhados, mas o que se desenha nos bastidores é a consolidação de um dos blocos mais pesados da política capixaba para os próximos anos.

Marcelo Santos assumiu oficialmente a presidência estadual do União Brasil no Espírito Santo no dia 3 de setembro de 2025,sucedendo Felipe Rigoni – que entregou o comando e se desfiliou.

O jogo de Marcelo Santos na Convenção do União Brasil do ES

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