A segunda-feira (4) começou bastante em polvorosa com a recondução do procurador-geral de Justiça do Ministério Público Estadual (MPES), Francisco Martínez Berdeal, ao posto para comandar a instituição no biênio 2026-2028. Ainda que o órgão seja independente, houve componentes políticos fortíssimos.
Instituições estaduais têm diferentes ritos. Ora todos na mesa de honra falam, ora o ritual é mais fechado. No caso do MPES, houve uma brecha mais generosa para o governador do Estado, Ricardo Ferraço (MDB) — e, de quebra, para o ex-governador Renato Casagrande (PSB) —, além do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil).
No primeiro mandato de Berdeal, quem assegurou a cadeira do promotor de Justiça foi Casagrande. Apesar de Pedro Ivo de Sousa, hoje presidente da Associação Espírito-Santense do Ministério Público e ainda vice-presidente nacional da congregação que representa a classe, ter sido o mais votado à ocasião, as relações com o grupo de Berdeal tiveram força suficiente para garantir o triunfo sobre Pedro Ivo.
No último pleito, Berdeal venceu Danilo Raposo Lírio. A diferença lhe deu vantagem para seguir na chefia, muito embora tenham sido dados recados de que há vozes dissonantes. Casagrande, ao lado de Ricardo, chancelou seu nome.
Não por acaso, o procurador-geral de Justiça expressou gratidão pela confiança de Ricardo e Casagrande para seguir à frente do MPES. A foto com o emedebista demonstra que há união entre ambos. Um conhecido de Ricardo à frente do MPES configura até um possível alívio em um período eleitoral atribulado.
Com relação a Marcelo, o presidente da Assembleia Legislativa foi o único, além de Ricardo, a ter direito à palavra entre os chefes de Poderes. Em uma cerimônia na qual estavam presentes autoridades ligadas à atividade-fim do MPES, como o Tribunal de Justiça do Estado, representado pela desembargadora Janete Vargas Simões, e a OAB-ES, com Erica Neves, houve até estranhamento nos bastidores pelo fato de a palavra não ter sido concedida.
A partir desse posicionamento, o MPES, indiretamente, chancela a autoridade de Marcelo Santos entre os presentes. Quanto mais ele participa de uma cerimônia dessa forma, maior se torna seu capital político. O reconhecimento de uma instituição do peso do MPES é fortíssimo para um parlamentar que deseja dar um passo a mais na carreira.
Cerimônias institucionais podem dizer muita coisa. Seja pelas palavras faladas — ou não faladas —, seja pelas posturas adotadas.
Faltou equidade
Além do atraso para o início do evento, pesou o fato de mulheres não terem tido espaço de fala entre as autoridades. A única que teve essa oportunidade foi a subprocuradora-geral de Justiça Administrativa, Elda Spedo, decana entre os procuradores.



