Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o eleitorado do Espírito Santo, hoje com 2,95 milhões de pessoas aptas a votar, tem um perfil bem definido em alguns aspectos — e extremamente impreciso em outros.
De forma geral, o eleitor capixaba é majoritariamente feminino, adulto e solteiro. As mulheres representam 52,77% do total, contra 47,21% de homens, uma diferença consistente que reforça o peso do voto feminino em qualquer disputa eleitoral.
A faixa etária também ajuda a desenhar esse retrato. A maior concentração está entre 30 e 49 anos, com destaque para os grupos de 40 a 44 anos (10,51%), 35 a 39 (9,95%) e 45 a 49 (9,88%). As faixas entre 25 e 34 anos também têm presença forte, somando mais de 18% do eleitorado.
Na outra ponta, os jovens ainda participam pouco. Eleitores de 16 e 17 anos somam pouco mais de 16 mil pessoas, um número baixo considerando o caráter facultativo do voto nessa idade. Já os idosos têm presença significativa: são mais de 470 mil eleitores com 60 anos ou mais, indicando um envelhecimento gradual da base eleitoral.
O estado civil revela uma maioria de solteiros, que correspondem a 54,19% do total. Os casados aparecem em seguida, com 36,92%, enquanto divorciados, viúvos e separados representam parcelas menores, mas ajudam a compor um cenário social diverso.
Mas é quando o olhar se volta para raça, identidade e pertencimento que o retrato começa a falhar.
Quase 80% dos eleitores (78,39%) não informaram cor ou raça à Justiça Eleitoral. Entre os que declararam, os pardos são maioria (11,30%), seguidos por brancos (7,32%) e pretos (2,86%). Amarelos e indígenas aparecem com percentuais residuais. Ainda assim, o volume de dados não informados impede uma leitura mais fiel da composição racial do estado.
A mesma lógica se repete nos dados sobre identidade de gênero. Novamente, 78,39% não informaram. Entre os que responderam, 19,88% se declararam cisgênero e apenas 0,04% transgênero. O uso de nome social também é mínimo: só 762 eleitores registraram essa informação.
O recorte sobre população quilombola segue o mesmo padrão. Apenas 0,22% do eleitorado se identifica como quilombola, enquanto a grande maioria não informou.
No fim das contas, o perfil do eleitor capixaba é claro até certo ponto: uma mulher, adulta, majoritariamente solteira. Mas, quando o assunto é identidade — seja racial, de gênero ou de pertencimento social — os dados revelam mais silêncio do que respostas.
E esse silêncio, mais do que um detalhe estatístico, é um problema. Porque dificulta entender quem, de fato, está sendo representado nas urnas.



