Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Camila Valadão, do Psol, e Laís Garcia, da Rede
Cada um dos partidos tem um posicionamento diferente sobre a disputa ao Governo e ao Senado
No mês passado, os partidos Psol e Rede, que caminham juntos desde 2022, decidiram renovar a federação até 2030. A decisão veio após o Psol rejeitar, numa votação interna, federar com o PT – uma condição colocada pela Rede para continuar com o “casamento”.
Na federação, os partidos atuam como uma única agremiação, embora mantenham a identidade, número e estrutura interna. É como uma coligação, porém, mais duradoura (mínimo de quatro anos) e abrangente – já que vale para cargos majoritários e proporcionais e em todas as esferas (nacional, estadual e municipal).
A decisão sobre coligações e candidaturas em partidos federados é tomada de forma coletiva, pela federação, seja através de consenso ou de votação interna.
Rede e Psol são partidos de esquerda, têm muitos pontos em comum e estão alinhados em muitos aspectos.
No Estado, porém, as definições sobre o apoio nas disputas para o governo do Estado e para o Senado colocam as duas legendas em lados opostos. Não há, até o momento, convergência entre as siglas.
No último dia 1º, o Psol – que tem como uma de suas principais lideranças a deputada estadual Camila Valadão – definiu que lançará uma candidatura própria ao Senado. Trata-se do professor Carlos Fabian de Carvalho.
Para a outra cadeira ao Senado, o partido já tinha definido, anteriormente, que apoiará a reeleição do senador Fabiano Contarato (PT) e, para o governo, estará no palanque do deputado e pré-candidato Helder Salomão (PT). Posições que foram confirmadas na reunião do dia 1º.
As definições, porém, são do partido e não passaram pela federação que, no Estado, é comandada pela Rede – com a presidência exercida pela secretária executiva nacional da Rede, Laís Garcia.
Rede avalia apoiar Ricardo
Procurada pela coluna De Olho no Poder, Laís afirmou que a Rede já definiu que irá apoiar o ex-governador Renato Casagrande (PSB) na eleição para o Senado e disse ainda que há conversas abertas para um apoio ao governador Ricardo Ferraço (MDB).
“A Rede Sustentabilidade reafirma seu apoio à eleição de Renato Casagrande. Como integrante da direção da federação, reforço que seguimos também em diálogo com Ricardo Ferraço, com quem já mantemos relação institucional no atual governo”, disse Laís.
Diferente do Psol, a Rede faz parte da atual gestão – está no comando da Esesp (Escola de Serviço Público para o Espírito Santo) – e tem um bom diálogo com Ricardo.
O partido ainda não definiu quem apoiará para a segunda cadeira ao Senado, mas disse que as decisões precisam passar pelo debate interno.
“Estamos em diálogo permanente no âmbito da federação, buscando a construção de um consenso (…) Respeitamos as posições e lideranças do Psol, com quem compartilhamos a federação, mas a Rede possui uma linha política orientada por programas e responsabilidade com a sustentabilidade. Foi assim no apoio ao governador Renato Casagrande e seguirá sendo com Ricardo”, disse Laís.
E, agora, como fica?
Hoje, não há consenso sobre o palanque em que a federação estará – e nem se estará em algum dos dois palanques. Mas, há tempo para o debate. Os dois partidos têm até agosto – fim do prazo para as convenções – para definir o posicionamento.
“A gente sabe dessa posição da Rede e que a gente tem uma posição diferente. Eles vão apoiar o Ferraço e nós estaremos na campanha do Helder. Também temos diferença sobre o Senado: eles vão apoiar Casagrande e nós vamos lançar um nome nosso, além de apoiar Contarato. Então, esse vai ser o acordo possível dentro da federação, cada partido conduzir e tocar a política que acredita. Com respeito, mas garantindo que cada um possa seguir aquilo que defende para o Espírito Santo”, disse Camila Valadão.
Laís avalia que a decisão vai depender de como evoluir o diálogo. “Se vai para votação, se vai ficar neutro ou se vai conseguir chegar a um acordo, vai depender do nosso processo de diálogo. Então, a gente ainda está dialogando para ver qual será a melhor opção, a saída para esse impasse”.
Em tempo: Quem é Carlos Fabian?

Pré-candidato ao Senado pelo Psol, Carlos Fabian de Carvalho tem 49 anos, é professor e doutor em Educação pela Ufes.
Tem mais de duas décadas de atuação na educação básica e superior, possui trajetória ligada à educação de jovens e adultos e à defesa dos direitos humanos.
Ao longo da carreira, atuou em movimentos sociais e coletivos populares na luta por direitos como terra, teto e trabalho. Também exerceu funções na Secretaria Municipal de Educação de Vitória, integra o Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Espírito Santo e participa da Comissão de Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória.



