Por Weverton Santiago, Teólogo e Cientista Político / Foto: Andressa Anholete / Crédito: Agência Senado
Entrada do senador na disputa para o governo pode asfixiar a gravitacionalidade de Pazolini com a direita.
As movimentações políticas entre o Palácio Anchieta e a capital, acabam de ganhar um componente de alta voltagem, o senador Magno Malta (PL). A mais recente pesquisa Quaest aponta para o inicial favoritismo de Ricardo Ferraço (MDB), mas acende um forte sinal amarelo nos corredores da Prefeitura de Vitória.
A pergunta que ecoa nos bastidores é: teria o senador Magno Malta (PL) fôlego para “engolir” Lorenzo Pazolini (Republicanos) ainda no primeiro turno e forçar um embate direto contra o grupo governista num eventual segundo turno? A análise dos dados sugere que este cenário, aparentemente desafiador, possui fundamentos matemáticos e simbólicos que não podem ser desprezados.
Vejamos:
1. O Teto de Pazolini vs. O Piso de Malta: Lorenzo Pazolini aparece como o principal desafiante de Ferraço, chegando a 21% das intenções de voto. No entanto, o prefeito de Vitória enfrenta o dilema da renúncia. Para concorrer, precisará deixar o comando da prefeitura de Vitória, enquanto Ferraço assume o Governo do Estado nesta semana, ganhando a “caneta” e a visibilidade das entregas estaduais.
Do outro lado, Magno Malta ostenta um piso sólido entre 18% e 22%. No Cenário 4 da pesquisa, Malta encosta em Ferraço (25% a 22%), configurando um empate técnico. A força de Malta reside no “recall”, pois sua imagem é nacionalmente associada ao bolsonarismo raiz, um eleitorado que, no Espírito Santo, demonstra uma fidelidade concretada.
2. A Asfixia no Interior: O Calcanhar de Aquiles do Prefeito
Um dos pontos cruciais para Pazolini é a penetração territorial. Enquanto Ferraço herda a capilaridade da máquina estadual e Pazolini tenta romper os limites da prefeitura de Vitória, Magno Malta possui uma rede histórica de apoio no interior, especialmente entre o eleitorado evangélico e conservador.
Se Pazolini for “asfixiado” pelo avanço das alianças de Ferraço, que já possui apoio dos prefeitos de Cariacica, Serra e agora mira Vila Velha, o voto da direita ideológica pode migrar em massa para Malta, que é visto como o “autêntico” representante desse nicho.
3. O Cenário de Segundo Turno: A possibilidade de Magno Malta ultrapassar Pazolini e ir para o segundo turno com Ricardo Ferraço pode transformar a eleição em um duelo de estilos, no seguinte formato:
* Ricardo Ferraço: Representa a gestão, a moderação e a continuidade do projeto que mudou a história administrativa do Espírito Santo.
* Magno Malta: Representa o conservadorismo, o alinhamento direto com a direita nacional e a causa bolsonarista.
O fiel da balança
Com 23% de indecisos, o eleitorado conservador é quem definirá o ritmo. Se Pazolini não conseguir se provar como o nome mais viável para derrotar o governo, o pragmatismo da direita pode levar a uma concentração de votos em Magno Malta já no primeiro turno. Assim, além da asfixia política do governo, Pazolini sofreria com a divisão de votos com Magno dentro do espectro de direita.
4. Um “Novo” Velho Duelo?
A análise dos números mostra que a eleição capixaba está longe de ser um roteiro previsível entre Ferraço e Pazolini. O desempenho de Magno Malta indica que ele não é apenas um figurante, mas um candidato com potencial de polarização latente.
Para Pazolini, o risco é real: ser espremido entre a eficiência da máquina nas mãos de Ferraço e o carisma ideológico do senador bolsonarista raiz.
Caso Magno Malta consiga canalizar o sentimento anti-sistema que pulsa no peito do eleitor de direita, poderemos ver um segundo turno entre o MDB e o PL.
Enfim, a pesquisa do Instituto Quaest publicada hoje no G1, mostra o retrato do momento. No entanto, neste retrato, Magno Malta aparece acenando no retrovisor, pronto para mudar a foto final.

