Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto-legenda: Max Filho assina com o União Brasil, assistido de perto por Marcelo Santos e por Patrícia Crizanto / Crédito: Divulgação
E mais: Patrícia Crizanto cotada para se candidatar a prefeita de Vila Velha pelo UP; Max Filho: “Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo…”
O ex-prefeito de Vila Velha Max Filho filiou-se nesta sexta-feira (27) ao partido União Brasil. Max assinou a ficha de filiação a convite do presidente estadual do partido, o também presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos.
Com o Progressistas (PP), o União Brasil compõe a Federação União Progressista (UP), homologada na última quinta-feira (26) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a assessoria do União Brasil, Max ainda não se decidiu sobre eventual candidatura nas eleições do segundo semestre. Em teoria, ele pode disputar novo mandato de deputado estadual ou de deputado federal, com maior probabilidade para o primeiro.
O ex-prefeito, contudo, em diálogo com a coluna, afirma que já avisou a Marcelo que não tem pretensões eleitorais. No entanto, assinou a ficha para se garantir e se manter habilitado a disputar (o que deixa uma fresta de possibilidade). Para concorrer a qualquer cargo eletivo, ele precisaria estar filiado até o dia 4 de abril, prazo que se encerrará em oito dias.
“Assinei a ficha para não ficar inelegível de antemão. Mas comuniquei a Marcelo que não tenho pretensão de ser candidato. Não há nenhuma pressão de Marcelo em sentido contrário”, informa Max.
O filho do ex-governador Max Mauro (falecido em 2024) é servidor efetivo do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Se quiser ser candidato a algum mandato, Max terá de se licenciar do cargo público até o dia 4 de julho, três meses antes do 1º turno, como manda a legislação eleitoral. Esse é o prazo final para ele tomar sua decisão.
“Estou bem resolvido quanto a não ser candidato, mas estou filiado”, afirma Max.
Patrícia Crizanto cotada para se candidatar a prefeita pelo UP
Se o ex-prefeito decidir ser candidato, é mais provável que dispute um lugar na Ales, na chapa da Federação União Progressista (UP), que já está bem competitiva. Isso tem relação com outra personagem política: a atual vereadora de Vila Velha Patrícia Crizanto.
Patrícia também decidiu se filiar ao União Brasil e assistiu pessoalmente à assinatura de Max nesta sexta-feira (27). A vereadora ainda está no Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas conseguiu liberação da direção da sigla para trocar agora de legenda sem perder o mandato na Câmara de Vila Velha. Para se candidatar este ano pelo União Brasil, ela precisa obter a autorização do TRE-ES e formalizar a entrada no novo partido até o dia 4 de abril.
No contexto estadual, o União Brasil é aliado do PSB, sigla do governador Renato Casagrande. Na última segunda-feira (23), a Federação União Progressista (União Brasil + Progressistas) anunciou apoio à eleição de Casagrande para o Senado e à de Ricardo Ferraço (MDB) para governador.
Patrícia Crizanto chega ao União Brasil para ser candidata a deputada federal na chapa do UP. E Max se apresenta como um parceiro e entusiasta da candidatura da vereadora:
“A companhia da Patrícia me deu um conforto grande em Vila Velha. É uma vereadora combativa. Como filiado em Vila Velha, posso estar somando com ela e com Marcelo Santos”. Marcelo também é pré-candidato a deputado federal. Max dá a entender, assim, que pedirá votos para ambos na cidade.
Patrícia Crizanto pode até ser candidata a prefeita de Vila Velha em 2028, pelo União Brasil e com o apoio de Max. É uma nova aposta do partido de Marcelo Santos.
“Um homem precisa mudar muitas vezes para ser sempre o mesmo…”
Ao longo de sua longa trajetória, iniciada muito jovem, no fim dos anos 1980, Max já passou por alguns partidos, como o PDT, o PTB, o PSDB e, agora, o União Brasil.
O filho de Max Mauro (governador de 1986 a 1990) foi deputado estadual, deputado federal e prefeito de Vila Velha por três mandatos, totalizando 12 anos no cargo: de 2001 a 2008 e de 2017 a 2020.
Não que alguém no universo político esteja dando muita importância para isto, mas, no plano ideológico, o novo partido de Max difere bastante das suas próprias origens.
Resultante da fusão do Partido Social Liberal (PSL) – sigla pela qual Jair Bolsonaro chegou à Presidência em 2018 – com o Democratas (DEM) – que deita raízes na Aliança Renovadora Nacional (Arena) –, o União Brasil é um partido de direita.
Max, por sua vez, iniciou sua militância política no “trabalhismo raiz”, como apoiador e admirador de Leonel Brizola. Ao longo de mais de quase 40 anos, sempre militou por partidos posicionados do centro para a esquerda.
O último foi o PSDB, partido de centro. Os últimos dois mandatos, como deputado federal (2015-2016) e como prefeito de Vila Velha (2017-2020), Max os exerceu no ninho social-democrata. Entretanto, em dezembro do ano passado, o ex-prefeito decidiu sair do PSDB imediatamente após o anúncio da chegada do prefeito Arnaldinho Borgo à presidência estadual da legenda.
Os dois são adversários locais. Arnaldinho derrotou Max, no 2º turno, na eleição para prefeito em 2020. Desde então, Max só se candidatou uma vez, a deputado federal, pelo PSDB, em 2022, mas não foi bem votado.
Max prefere enxergar o União Brasil como um partido de centro.
“Vejo o União Brasil como um partido mais de centro, num espectro mais amplo. Sim, tive militância no PDT no passado. O presidente estadual do PDT [Sergio Vidigal] me convidou a sair do partido naquele tempo, e não vi sentido em voltar para lá agora. O saudoso Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife, cunhou uma frase em certa ocasião: ‘Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo…’ O ensinamento de D. Hélder me motiva neste tempo.”
Segundo Max, porém, o principal fator que o impeliu a aceitar o convite de Marcelo foi o trabalho que o deputado vem realizando na presidência da Ales:
“O União Brasil tem feito um trabalho consistente em favor do desenvolvimento do Espírito Santo, o trabalho que tem feito o presidente Marcelo Santos à frente da Assembleia”.