Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto: Divulgação
O secretário de Esportes e os subsecretários filiados ao partido deverão pedir exoneração a Casagrande no dia 1º de abril. PT, assim, não estará no secretariado do governo Ricardo Ferraço
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu entregar os cargos ocupados nos dois mais altos escalões do Governo do Estado, no dia 1º de abril (próxima quarta-feira). A resolução foi aprovada pelo Diretório Estadual do partido, em reunião virtual realizada na noite dessa terça-feira (24).
Desse modo, o PT decide oficialmente que não fará parte do secretariado no governo de Ricardo Ferraço (MDB). O dia 1º será justamente o último de Renato Casagrande (PSB), aliado do PT, no cargo de governador. No dia seguinte (2), Casagrande renunciará para poder se candidatar a senador e transmitirá o cargo a Ricardo.
O PT assim, de certa forma, antecipa-se a uma decisão aguardada por parte de Ricardo e evita um constrangimento mútuo. O próximo governador dificilmente manteria o PT em seu secretariado. A incompatibilidade é recíproca: o PT não quer ficar com Ricardo, e vice-versa.
Hoje, no governo Casagrande, o PT tem o secretário estadual de Esportes e Lazer, o ex-deputado estadual José Carlos Nunes, ocupante do cargo desde o dia 1 do atual governo: 1º de janeiro de 2023. O partido também ocupa algumas subsecretarias (cargos do segundo escalão): tem duas na própria Sesport e a de Agricultura Familiar, na Secretaria de Estado de Agricultura.
O secretário e os subsecretários deverão pedir exoneração a Casagrande, no dia 1º de abril.
Nunes já teria mesmo que pedir exoneração, para poder se candidatar a deputado estadual, como deseja – obedecendo ao prazo de desincompatibilização ditado pela legislação eleitoral. Mas ele e sua corrente no PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), gostariam de seguir à frente da Sesport. Foram voto vencido.
Na reunião do diretório, a CNB apresentou a proposta, derrotada pela maioria, de que qualquer decisão do diretório estadual sobre o tema só fosse tomada após um encontro nacional do PT, no fim de abril, para definição de estratégias e táticas eleitorais. Na eleição presidencial, ainda não está certo se o MDB de Ricardo apoiará a reeleição de Lula (PT). Essa proposta, porém, foi derrotada.
A proposta vitoriosa foi apresentada pelas correntes dos deputados estaduais João Coser, atual presidente estadual do partido, e Iriny Lopes – respectivamente, a Alternativa Socialista e a Articulação de Esquerda (campo Para Voltar a Sonhar). Juntas, as tendências de Coser e Iriny têm a maioria no atual diretório.
A proposta de desembarque dos mais altos escalões foi aprovada por 27 votos a 19.