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O Dia D da reação do governo Casagrande à união Pazolini & Arnaldinho

Por Coluna Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto-legenda: Amaro Neto (no centro, entre Ricardo Ferraço e Da Vitória) sela sua filiação ao PP (26/02/2026) / Crédito: Divulgação

Exatos 20 dias após o “Carnaval sangrento” no Sambão do Povo, Palácio Anchieta realiza uma contraofensiva impactante: atrai aliados de Pazolini, esvazia a chapa do Republicanos e ainda por cima carimba o apoio da força partidária mais cobiçada por todos na disputa. Leia aqui

Exatos 20 dias após o surpreendente desfile político de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo (PSDB) no Sambão do Povo, o Palácio Anchieta realizou, nesta quinta-feira (26), uma marcante contraofensiva: atraiu para o bloco governista aliados de Pazolini, esvaziou a chapa do Republicanos para a Câmara Federal e, na apoteose da reação política, conseguiu carimbar o apoio da força partidária mais cobiçada por todos na disputa: a Federação União Progressista decidiu desfilar na campanha do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) ao Governo do Estado.

O anúncio do apoio da chamada “superfederação” a Ricardo será feito em breve.

A primeira blitz do governo na Operação Pós-Carnaval consistiu em retirar do Republicanos, partido de Lorenzo Pazolini, políticos importantes e com potencial de voto. Numa só tacada, o governo, por assim dizer, arrancou do Republicanos justamente os seus dois atuais deputados federais pelo Espírito Santo: Amaro Neto e Messias Donato.

Por sua extrema lealdade política ao prefeito de Cariacica, a inflexão de Messias, temente a Deus no Céu e a Euclério Sampaio na terra, não chega a surpreender. Ele segue os passos e orientações de Euclério, seguramente um dos maiores aliados e apoiadores de Ricardo e de Casagrande.

De todo modo, neste Dia D (de “desfile”), o deputado (que não pula Carnaval) confirmou à coluna a decisão de sair do Republicanos e seu apoio eleitoral a Ricardo. Seu novo partido tende a ser o Podemos, integrante da base governista.

Surpresa mesmo, como um carro que para na avenida ou uma ala que desfila na contramão, foi o reposicionamento de Amaro Neto no jogo. A partir de uma silenciosa operação, conduzida pessoalmente por Casagrande, o jornalista e apresentador de TV topou abandonar o Republicanos, pelo qual exerceu seus dois mandatos na Câmara, desde 2019.

Na tarde deste Dia D (de “decisão tomada”), Amaro reuniu-se com outros líderes no escritório estadual do PP, presidido no Espírito Santo pelo deputado federal Josias da Vitória. Confirmou, assim, sua decisão de entrar no PP, na próxima janela para trocas partidárias, a ser aberta logo ali, no mês de março.

Além de Da Vitória, participaram do encontro o presidente estadual do União Brasil, Marcelo Santos, e, emblematicamente, o próprio Ricardo Ferraço.

A “utilidade” de Messias e Amaro

Por motivos diferentes, cada qual com seu perfil, Messias e Amaro podem ser dois “cabos eleitorais” muito úteis na campanha de qualquer candidato majoritário – no caso, agora, a de Ricardo.

Messias Donato é pastor evangélico e, assim como Euclério Sampaio, possui uma rede de conexões no meio evangélico, altamente conservador e, a cada pleito, mais decisivo nas urnas. Vale lembrar que o Espírito Santo é um dos estados brasileiros com o maior percentual de evangélicos.

Quanto a Amaro Neto, com mais um mandato muito apagado na Câmara e já sem a presença diária de outrora na TV e nos lares, terá na certa perdido parte da sua influência e do seu capital eleitoral, cujo ápice foi atingido nas eleições de 2018, quando foi com folga o deputado federal mais votado no Espírito Santo.

Mas, com o carisma preservado, Amaro pode ajudar a abrir portas para Ricardo em um estrato social estratégico onde, convenhamos, o vice-governador não vai muito bem: os segmentos de mais baixa renda, nas periferias da Grande Vitória.

Assim, numa só paradinha da bateria, o governo Casagrande enfraqueceu a chapa do partido de Pazolini à Câmara Federal; garantiu dois oportunos reforços para a campanha eleitoral de Ricardo; e, de quebra, conseguiu atrair o apoio da força partidária mais ambicionada por todos neste jogo, o que nos leva ao ponto seguinte deste Dia D (de Da Vitória).

O apoio da “superfederação”

Liderada no Espírito Santo por Da Vitória, a superfederação formada pelo União Brasil com o PP queria que o governo atendesse a uma grande condição para topar fechar o acordo de apoiar Ricardo ao governo: que o Palácio Anchieta a ajudasse a fortalecer sua chapa de candidatos a deputado federal.

Na chapa, já estão os próprios Da Vitória e Marcelo Santos. Mas era preciso reforços, para que a superfederação possa fazer, tranquilamente, pelo menos dois dos 10 deputados federais do Espírito Santo em outubro, sem sustos.

Neste Dia D (de “densidade eleitoral”), os reforços esperados chegaram. Além do próprio Amaro, que assoma à chapa da federação, Casagrande e Ricardo designaram o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, para se filiar ao União Brasil.

Membro da “cota pessoal” de Ricardo no governo, Enio também será candidato a deputado federal. Chega, portanto, para engrossar a mesma chapa. Nunca foi testado nas urnas, mas pode capinar votos no interior, por seu trabalho na Seag.

Dois prefeitos saem do Republicanos

Paralelamente, por influência do governo Casagrande, dois prefeitos informaram à coluna a decisão de se desfiliarem do Republicanos para apoiarem Ricardo Ferraço e se manterem fiéis ao grupo do governador, neste Dia D (de “debandada”): o de Guarapari, Rodrigo Borges (muito ligado a Amaro), e o de Iconha, Gedson Paulino.

Os dois, aliás, estão na foto (acima) que marca a chegada de Amaro e Enio Bergoli à Federação União Progressista. Ambos, futuramente, também poderão se filiar a PP ou União Brasil. Rodrigo Borges confirma que sua tendência “é ir para a federação mesmo”. Gedson Paulino diz que não decidirá antes de julho.

Prefeito deve sair do PSD

Como se fosse pouco, o Palácio Anchieta está assediando outros agentes políticos que, hoje, estão no bloco de Pazolini (ou, pelo menos, em partidos que pertencem a tal bloco).

Na foto acima, por exemplo, também está o prefeito da pequena Jerônimo Monteiro, Zé Valério. Ele é filiado ao Partido Social Democrático (PSD), que, a princípio, selou aliança com Pazolini e Arnaldinho Borgo. Mas é outro que está de malas prontas para o PP ou o União Brasil.

Governo tenta atrair Meneguelli

Enquanto isso, o governo Casagrande abriu diálogo com o deputado estadual Serginho Meneguelli. Hoje no Republicanos, o ex-prefeito de Colatina quer ser candidato a senador; para isso, a princípio, está propenso a ingressar no PSD (sigla que, repita-se, está com Pazolini e Arnaldinho).

Mas o Palácio Anchieta está tentando seduzi-lo, sob o argumento de que ali o espaço para ele ser mesmo candidato ao Senado ficou por demais estreito. Há outros atores que, em tese, podem disputar o Senado nessa frente de oposição, como Evair de Melo (hoje no PP, podendo ir para o PL), Maguinha Malta (PL), Paulo Hartung (PSD), além dos próprios Arnaldinho e Pazolini, dependendo da evolução das alianças.

Uma das ideias do governo é convencer Meneguelli a entrar no União Brasil (logo, na “superfederação”) para ser candidato a deputado federal.

PP tenta puxar Soraya Manato de volta

Em paralelo, Da Vitória também fez uma investida para tentar convencer Soraya Manato a voltar para o PP, para ser candidata a deputada federal.

Ela confirma o convite de Da Vitória, mas diz que pretende manter seu apoio a Pazollini e ser candidata a federal pelo Republicanos. “A nossa chapa está boa”, diz Soraya.

Estava melhor até hoje, no caso.

Ricardo tenta reaproximação com Renzo

Por último, estava prevista para este Dia D (de “diretamente de Colatina”) uma conversa de reaproximação de Ricardo Ferraço com Renzo Vasconcelos, em Vitória. O prefeito de Colatina é o presidente estadual do PSD.

Dia D de “desabamento” (ou princípio de desabamento)

Como saldo da Operação Pós-Carnaval, a chapa do Republicanos, partido de Pazolini, para a Câmara dos Deputados, teve suas bases abaladas. No Espírito Santo, uma chapa completa para a Câmara deve ter 11 candidatos, sendo pelo menos quatro mulheres.

Com as defecções de Amaro e Messias Donato, essa chapa hoje está baseada no presidente estadual do partido, Erick Musso, em Soraya Manato e no coronel da reserva da PMES Alexandre Ramalho. Erick e Soraya estão sem mandato desde 2022. Ramalho, há mais de dois anos, está sem a vitrine da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O potencial eleitoral dos três é uma incógnita.

Contrarreação: vice-prefeita de Guarapari na chapa

Num princípio de contrarreação, Erick Musso anunciou, na tarde deste Dia D (de “debacle”), uma aquisição para a chapa federal do Republicanos. Brigada politicamente com o prefeito Rodrigo Borges (o mesmo que desertou do Republicanos), a vice-prefeita de Guarapari, Tatiana Perim, foi anunciada por Erick como candidata a deputada federal.

O ingresso dela ajuda o Republicanos a cumprir a cota obrigatória de gênero.

Muribeca pode precisar mudar seus planos…

Mas pode ser preciso mais, para que o partido de Pazolini tenha a mínima garantir de alcançar o quociente eleitoral de modo a eleger pelo menos um federal no Espírito Santo. Neste novo cenário pós-carnaval, é possível que o deputado estadual Pablo Muribeca se veja obrigado a “subir” para a chapa de federais do partido, a fim de encorpá-la.

Muribeca sempre reiterou que é pré-candidato à reeleição na Assembleia, mas… sempre foi tratado como uma “carta na manga” pelos dirigentes do Republicanos, a ser usada “em caso de necessidade”. O momento parece ter chegado.

Importante lembrar que Muribeca ganhou grande projeção nas eleições municipais de 2024, quando chegou ao 2º turno contra Weverson Meireles (PDT), vencedor daquele pleito. E, salvo Serginho Vidigal (aliado de Ricardo e Casagrande), a Serra hoje carece de um candidato competitivo a federal que desfile pelas ruas da cidade representando o bloco da oposição.

O Dia D da reação do governo Casagrande à união Pazolini & Arnaldinho

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