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“Decisão não foi bem recebida”: União Brasil reage à desfiliação de Felipe Rigoni

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Marcelo Santos e Da Vitória se reuniram ontem após anúncio de desfiliação de Rigoni / Crédito: redes sociais

Partido divulgou nota que tem, como destinatário também, o governo do Estado

O partido União Brasil capixaba reagiu, negativamente, à desfiliação partidária do secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni. Conforme noticiou a coluna ontem (11), Rigoni decidiu se filiar ao PSB para disputar a Câmara Federal em outubro.

Numa nota encaminhada à imprensa, o partido disse que “acompanha com atenção” o movimento de desfiliação e que a decisão “não foi bem recebida nas fileiras do União Brasil”.

“O União Brasil no Espírito Santo acompanha com atenção o movimento de desfiliação anunciado. A política é construída a partir de sinais, gestos e, sobretudo, do compromisso coletivo com projetos maiores. A decisão não foi bem recebida nas fileiras do União Brasil nem no âmbito da Federação”, diz a nota encaminhada pela assessoria do presidente estadual do União, deputado Marcelo Santos.

Ao divulgar seu novo abrigo partidário, Rigoni disse, também por nota, que seu retorno ao PSB – partido pelo qual foi eleito deputado federal em 2018 – era fruto de diálogo e de “lealdade política”:

“Meu retorno ao PSB é fruto de muito diálogo e de lealdade política. Sigo motivado para continuar ajudando a construir um Espírito Santo cada vez melhor para todos os capixabas”.

Em entrevistas anteriores à coluna De Olho no Poder, o secretário já tinha dito que não ficaria numa legenda para ser “escada” de outros candidatos e que buscaria uma chapa que lhe desse condições de ser eleito neste ano.

Chapa desfalcada

Embora não fosse surpresa para ninguém que Rigoni poderia deixar o União Brasil a qualquer momento, ele estava sendo contado como integrante da chapa federal da federação formada pelo União e pelo PP, a União Progressista.

A federação tem hoje, entre os principais nomes que irão disputar a Câmara Federal, os deputados Evair de Melo (PP) e Da Vitória – que preside o PP e a federação –, e o presidente da Assembleia Legislativa e do União Brasil, deputado estadual Marcelo Santos.

No mercado político, o cálculo para um partido ou federação alcançar três cadeiras gira em torno de conseguir, no mínimo, 360 mil votos. E, para isso, a chapa precisa ter nomes competitivos.

Nas últimas eleições gerais (2022), Da Vitória teve 71.779 votos; Evair, 75.034, e Marcelo Santos foi reeleito na Ales com 41.627 votos. Rigoni não foi reeleito, mas teve 63.362 votos.

Não se pode dizer que determinada liderança repetirá o desempenho que teve nas urnas há quatro anos. Mas, numa conta de padaria, a saída de Rigoni da chapa significa 60 mil votos a menos, o que pode impactar de forma relevante o resultado geral da federação.

Recado para o governo

No mercado político, a nota do União Brasil foi lida não como resposta ao secretário que sai, mas como um recado direto ao governo do Estado, apontando para o tabuleiro de alianças que se desenha para as eleições.

Hoje, a federação União Progressista está com um pé na base do governador Renato Casagrande (PSB) e outro na base do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Os dois lideram grupos opostos, que vão se enfrentar em outubro.

A federação ainda não definiu em qual palanque estará, mas já colocou na mesa alguns critérios para tomar a decisão.

Em entrevista para a coluna De Olho no Poder, Marcelo Santos disse que o rumo que tomará a federação dependerá de um fator: a contribuição na construção da chapa federal do grupo.

“A colaboração é uma ação importante para se efetivar a parceria com a federação”, enfatizou o presidente, detalhando que essa colaboração passaria pela indicação de nomes para compor a chapa.

Na ocasião foi citado, como exemplo, o movimento feito entre o governo do Estado e o Podemos, que filiou nomes da equipe de Casagrande e, vai filiar, dois deputados estaduais da base aliada.

A federação quer, do governo, o mesmo tratamento, ou seja, ajuda para fechar a chapa federal. Porém, a saída de Rigoni para se filiar justamente ao partido do governador, foi vista como um movimento contrário.

A leitura é que, num momento em que o governo mais precisa atrair aliados – tendo em vista o distanciamento do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB) – escolhe fazer um movimento partidário para fortalecer o PSB e esvaziar a chapa de um aliado.

Para a coluna, interlocutores do União Brasil e do PP disseram que essa articulação tem potencial para desgastar a relação com a federação e fazer subir, no mercado político, o “passe” para selar uma aliança.

 

 

Em tempo: Ontem, antes de enviar a nota do União Brasil à imprensa, Marcelo Santos almoçou com o governador e com os prefeitos de Cariacica e Viana. “Comida boa, conversa produtiva e visão alinhada”, escreveu na postagem.

Pouco depois, Marcelo se reuniu com Da Vitória. “Em sintonia pelo que é melhor para o ES”, escreveu na postagem da publicação que fez em seu perfil do Instagram.

“Decisão não foi bem recebida”: União Brasil reage à desfiliação de Felipe Rigoni

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