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Hartung: “Vamos eleger Pazolini governador do Estado”

Por Vitor Vogas / ES 360 / Fotos: Divulgação

Mudando o tom de forma significativa, ex-governador se diz “animadíssimo” para voltar a disputar um mandato eletivo este ano na eleição estadual

Desde que Lorenzo Pazolini (Republicanos) se reelegeu em 2024, o ex-governador Paulo Hartung (PSD) tem dado uma série de sinais de que gostaria de ver o prefeito de Vitória chegar ao Palácio Anchieta. O primeiro veio logo após a proclamação do resultado das urnas, no 1º turno: ato contínuo ao triunfo de Pazolini, Hartung postou que ascendia ali um novo líder na política capixaba. De lá para cá, foram várias outras postagens enaltecendo o delegado licenciado e sua administração na Capital.

Na entrevista exclusiva abaixo, o ex-governador vai muito além. Com inédita explicitude, declara-se não apenas um apoiador, mas um entusiasta da pré-candidatura de Pazolini ao Governo do Estado: “Se depender de mim, já é o nome”.

Segundo Hartung, ele já tem dito a todos que o abordam sobre a sucessão de Renato Casagrande (PSB): “Se depender de mim, nós vamos eleger o nosso prefeito governador do Estado, que é a mesma trajetória que eu fiz”. Em 2002, ele chegou ao Palácio Anchieta após ter governado Vitória de 1993 a 1996.

“Eu acho que o Pazolini é um nome indiscutível, preparado, está fazendo uma bela administração, um bom time, montou uma boa equipe, montou um bom planejamento, está entregando na cidade e, além disso, não tem mácula nessa administração”

Apesar de ambos nunca terem aparecido juntos em público, Hartung diz manter bom diálogo há muito tempo com o jovem prefeito. “Não tem cabimento a gente não dialogar…”. Mais que isso: diz tê-lo apoiado em suas duas eleições à Prefeitura de Vitória – tendo exercido, segundo ele, um papel decisivo em favor de Pazolini no 2º turno contra João Coser (PT) em 2020.

“Ele foi para o 2º turno. E precisou muito da minha ajuda e da minha liderança”, conta. “Fui eu que fiz a ponte com toda a imprensa nacional, que veio com aquele negócio de que ele era bolsonarista e não sei o quê…”

Questionado pelo colunista sobre o fato de os dois não serem vistos juntos, Hartung chega a dizer, esbanjando confiança na vitória de seu pré-candidato, que o veremos na posse de Pazolini no Palácio Anchieta, em janeiro de 2027, ou antes, na diplomação do governador eleito, no TRE-ES.

Hartung também alude ao estilo de Pazolini (marcado por extrema discrição em suas articulações eleitorais). Estilo, aliás, que guarda semelhanças com o dele próprio, na opinião do ex-governador: “O Pazolini tem o estilo dele de fazer política. Aliás, muito parecido comigo até eu chegar à Prefeitura de Vitória. É o estilo dele. É bacana isso”.

Por outro lado, Hartung nega que esteja “por trás” da pré-candidatura de Pazolini ao Palácio. Ao refutar essa ideia, deixa, sem citar nomes, uma crítica ao governo dos desafetos Casagrande e Ricardo Ferraço (MDB).

“Não estou por trás de ninguém. Estou apoiando um jovem talentoso. Isso é que é bacana. Porque os velhos políticos do Espírito Santo querem se eternizar no poder. Não largam o osso nem na porrada. Isso é que é um troço complicado. Daqui a pouco querem botar filho também. Já botaram filho para tudo quanto é lado, vão querer botar filho na política também.”

Animadíssimo” para voltar a disputar

Na mesma entrevista, enquanto apoia Pazolini para o governo, Hartung muda expressivamente o tom adotado no ano passado sobre eventual candidatura dele mesmo nas eleições deste ano. Em maio, ao se juntar ao Partido Social Democrático (PSD), após seis anos sem filiação, ele foi enfático em dizer: entrava na sigla de Gilberto Kassab para colaborar com ideias e ajudar a construir um plano de governo para o país. Seu foco estava todo voltado para a eleição presidencial.

O foco continua nacional, mas Hartung agora se mostra bem mais disposto a voltar a disputar um mandato majoritário no Espírito Santo, se for chamado para isso e se chegarem à conclusão de que sua candidatura fortalece o projeto nacional do PSD. Disposto, não. “Animadíssimo” é o adjetivo usado por ele, ao ser indagado se pensa em concorrer.

Sou militante. ‘Ah, precisa do Paulo em tal posição em 2026 para ajudar a construir essa mudança que nós precisamos fazer’. Ah, meu irmão, agarro com as duas mãos, sem dificuldade.

Em qual “tal posição”? No plano local, em tese, governador ou senador. Mas, no caso da primeira opção, Hartung, como vimos, apoia vivamente Pazolini. Resta a hipótese de candidatura ao Senado. O possível caminho é por aí.

“Se ter um novo mandato eletivo ajudar a impulsionar essa minha contribuição, energia eu tenho para isso. Gosto da política. De vez em quando sinto falta de uma campanha eleitoral, pois fiz muitas, minhas e de outras pessoas”, afirma o atual presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), dando mais um passo para dentro do jogo eleitoral.

As evasivas de maio agora dão lugar a respostas em que Hartung deixa aberta, bem aberta, a possibilidade de uma candidatura: “depende da evolução do quadro” e “o tempo vai dizer isso”.

Tempo, tempo, tempo, tempo…”

O ex-governador é apreciador de Caetano (ao menos costuma citar o tropicalista). O tempo dele, neste caso, é confortável: como não tem mandato no momento, ele tem até o período de convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto) para decidir se será ou não candidato. Reconhecendo que essa é uma “vantagem competitiva”, Hartung fará, de novo, o que sempre soube fazer como poucos: usar, com a frieza do enxadrista, todo o tempo que possui.

Abaixo, a entrevista completa e exclusiva do marido de Dona Cristina Gomes, na qual sobrou até uma galhofeira indicação de psicanalista para o escriba da coluna (alô, Cristina!).

 

Paulo Hartung governou o ES por três mandatos. Foto: assessoria

Paulo Hartung governou o ES por três mandatos. Foto: assessoria

 

O senhor será candidato a algum mandato eletivo nas eleições deste ano?

Paulo Hartung: Diferentemente da última eleição e da eleição de 2018*, eu agora tenho filiação partidária, que é um requisito básico para você poder disputar uma eleição. Também tem motivação pessoal. As pessoas que convivem comigo sabem que eu sou militante da política, estou aí no debate público nacional, estadual, planetário e assim por diante. Então, é uma questão agora de olhar no tempo certo. O tempo é uma ferramenta decisiva na política. E o meu tempo é diferente do tempo de quem está com mandato. Eu estou sem mandato, estou na iniciativa privada. Qual é a hora que eu tenho que decidir? Lá nas convenções partidárias [de 20 de julho a 5 de agosto]. E, se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que você não joga fora o tempo que tem. Quem tem mais tempo tem uma vantagem competitiva, vamos colocar assim. Então eu vou usar o meu tempo e avaliar as coisas direitinho.

Mas uma coisa é clara: eu estou no debate público. Ando o país inteiro, faço palestras, participo de debates, escrevo artigos, dou entrevistas para tudo quanto é canto, expressando ideias que eu tenho para modernizar o país, para transformar o potencial que o país tem em vida melhor para os brasileiros e brasileiras.

Se ter um novo mandato eletivo ajudar a impulsionar essa minha contribuição, energia eu tenho para isso. Gosto da política. De vez em quando sinto falta de uma campanha eleitoral, pois fiz muitas, minhas e de outras pessoas.

E o senhor está disposto e animado a voltar a…

Animadíssimo!

Só para completar a pergunta e não deixar dúvida: animadíssimo a voltar a disputar um mandato?

Animadíssimo! Animadíssimo para participar da política. Isso é uma coisa que me move. As pessoas muitas vezes me param no aeroporto, na rua: “Poxa, você abandonou a política…”. Mas não abandono a política nunca. Você vai me ver velhinho aí, debatendo questões, formulando propostas e assim por diante. Então, estou sempre animadíssimo. Estamos vivendo um mundo doido, com as organizações multilaterais indo para o espaço, essa disputa entre Estados Unidos e China, a disputa por hegemonia no mundo, o impacto brutal das novas tecnologias… Você voltou a ter guerras, invasões, você voltou a ter uma agenda bélica. Países que diminuíram o gasto com a sua segurança estão agora admitindo voltar a ter gastos expressivos. Você tem um mundo virado de pernas para o ar. Mas, quando você olha o Brasil, não é ufanismo, não é bobagem não, o Brasil tem oportunidades em cima da mesa. Tenho insistido muito nisso. E o Brasil precisa ter liderança, capacidade de se organizar, para poder evoluir nesse mundo complicado em que nós estamos vivendo. Como é que se resolve isso? Com a política. Não tem outro jeito não.

Quando o senhor diz que se sente animadíssimo para voltar a disputar mandatos eletivos este ano, eu gostaria de entender o seguinte: o senhor se refere necessariamente à disputa nacional, isto é, eventual participação na eleição presidencial, ou o senhor também está aberto a disputar alguma candidatura majoritária no Espírito Santo?

O tempo vai dizer isso. As coisas estão muito conectadas. Quando eu fui candidato em 2002 a governador do Estado, eleição de presidente e eleição de governador eras desconectadas. Não é mais assim, concorda comigo? Elas hoje estão misturadas. Então, a política mudou muito. A conectividade mudou a política. Muitos anos atrás, o ex-presidente Fernando Henrique me alertou para isso: as redes sociais vão mudar a vida humana e a política. E mudaram mesmo.

O senhor quer dizer que pode ser candidato a algum cargo aqui no Espírito Santo, até para ajudar no projeto nacional do PSD, se for o caso?

O projeto é nacional, é isso que estou te respondendo: qual o rumo que nós vamos dar para o Brasil, para dar o rumo que o Espírito Santo precisa? O que nós fizemos lá atrás tem data de vencimento. E as pessoas vivem como se não tivesse. Os incentivos fiscais vão acabar ali na esquina. Isso impacta o Espírito Santo. A produção de petróleo no Espírito Santo já está em queda. Estou dando só dois exemplos, mas podia dar dez. Precisamos olhar para a frente e ter capacidade de olhar para o futuro.

E passa por sua cabeça voltar a ser candidato a senador?

Depende.

De quê?

Depende da evolução desse quadro. Você vê que o quadro evoluiu muito nesses últimos dias. Trazer o Caiado para o PSD, criar uma alternativa de três bons nomes, três bons governadores se colocando aí de uma forma muito aberta, para que um deles seja escolhido para ser o representante como candidato. Tem uma água boa nesse moinho que eu defendo, então vamos olhar. Só não adianta a gente colocar o carro na frente dos bois. Eu sei que muitas pessoas ficam ansiosas e até brinco: tem uma psicanalista muito boa em Vitória. Pode cuidar da sua ansiedade com ela.

Sim, estou na fila. Estou na fila do consultório de dona Cristina Gomes (risos)…

Muitas pessoas ficam ansiosas, às vezes até têm razão de estar ansiosa, por verem o país de novo mergulhado na corrupção, com esse negócio do INSS, do Master, é um absurdo. A agenda da corrupção voltou com intensidade. Ver essa violência urbana, a violência rural, a violência no interior do nosso país, um troço descabido, crime organizado… Mas não tem jeito, o jogo é jogado com o tempo.Se você pensar: “Paulo, o que você sonhou e que você não foi nos cargos eletivos? Presidente ou vice-presidente da República?”. Isso eu sonhei, não escondo de ninguém. Sonhei, mas sempre soube que precisava se abrir uma janela, que não se abriu. Agora, sou militante. ‘Ah, precisa do Paulo em tal posição em 2026 para ajudar a construir essa mudança que nós precisamos fazer’. Ah, meu irmão, agarro com as duas mãos, sem dificuldade.

Inclusive para governador? Voltar a ser candidato a governador passa pela sua cabeça ou está fora de questão?

Voltaria com o maior prazer do mundo. Tenho saudade do tempo que eu governava o Estado do Espírito Santo. Gostei do que fiz. As pessoas perguntavam: “Você cansou?”. Não cansei nada, conversa fiada, sempre adorei o que fiz, a vida pública. Você poder levar uma estrada para onde não tem estrada, levar um hospital para onde não tem hospital, levar conectividade, quanto lugar no Espírito Santo levamos conectividade aonde era sombra. Então voltaria com maior tranquilidade. Mas nós temos gente jovem hoje no Espírito Santo em condição de assumir o governo.

Eu acho que o Pazolini é um nome indiscutível, preparado, está fazendo uma bela administração, um bom time, montou uma boa equipe, montou um bom planejamento, está entregando na cidade e, além disso, não tem mácula nessa administração.

Isso é muito importante nesse momento em que as pessoas voltaram a misturar coisa pública com coisa privada, Brasil afora e no Espírito Santo também. Então tem nome. Você perguntou se eu tenho animação. Eu tenho animação, mas, tendo um nome jovem, precisa

Então, hoje, o senhor apoia a pré-candidatura do prefeito Lorenzo Pazolini a governador do Espírito Santo? Considera que é ele o nome mais talhado?

Muitas pessoas estão se encontrando comigo na rua e me perguntando sobre a eleição. Eu estou dizendo assim: ‘Olha, se depender de mim, nós vamos eleger o nosso prefeito governador do Estado, que é a mesma trajetória que eu fiz’.

E as conversas que havia na época eram que eu era um bom prefeito, mas que eu não estava preparado para ser governador. Como é que eu não estava preparado e fiz essa revolução que o Espírito Santo viveu a partir da minha chegada ao governo? Então, assim, eu já estou falando com as pessoas. Estou andando muito agora no Estado, fiz palestras, fui para o interior do Estado…

Já está pedindo voto para ele?

As pessoas estão me perguntando, e eu já estou respondendo. No dia em que eu fui entrevistado agora a última vez, no saguão do prédio, a pessoa me perguntou. Eu disse: “Olha, se depender de mim, é evidente que depende dele, ele vai ter que se desincompatibilizar e tal, mas, se depender de mim, já é o nome. Mas cada coisa ao seu tempo, meu querido, assim… Não tem jeito: ele também tem um tempo para decidir.

Eu vou retornar a um ponto, me desculpe repeti-lo, mas é que agora está conectado com esse último tópico, o Pazolini. O senhor pode ser candidato a senador inclusive para fortalecer a chapa e a candidatura dele?

Tudo ao seu tempo, né? Por isso que eu prescrevi uma psicanalista aí para você. Não fica ansioso, deixa o tempo.

Tenho uma grande curiosidade. Sei que o senhor conversa muito bem com o Erick Musso, presidente estadual do Republicanos. Logicamente, tem excelente diálogo com o Roberto Carneiro, presidente do Republicanos em São Paulo. Mas o senhor e o Pazolini conversam diretamente, por telefone ou pessoalmente?

Isso é pauta do grupo dominante da política capixaba. Está pautando vocês. Isso é pauta deles. Imagina! Eu apoiei Pazolini na primeira eleição dele a prefeito. Fui eu que fiz a ponte com toda a imprensa nacional, que veio com aquele negócio de que ele era bolsonarista e não sei o quê… Eu apoiei Pazolini na reeleição dele. Eu venho apoiando Pazolini já tem tempo, vamos combinar. Essa é a pauta marcada lá da turma dominante. A gente não tem que se submeter a isso. Desculpe, mas é um desabafo. Isso não é pauta. Estou apoiando, já apoiava. A pergunta não tem cabimento.

Considero a pergunta legítima e a justifico…

Você lembra que eu apoiei Pazolini na sua primeira eleição? Ele foi para o segundo turno. E precisou muito da minha ajuda e da minha liderança.

A prefeito de Vitória em 2020?

A prefeito de Vitória. A mãe do Pazolini mora na frente da minha mãe. As duas moram na mesma rua. Pazolini, antes de ser candidato a prefeito, sentou comigo na casa da minha mãe. De repente, o Palácio pauta uma conversa dessa. Não tem cabimento. Agora, o Pazolini tem o estilo dele de fazer política. Aliás, muito parecido comigo até eu chegar à Prefeitura de Vitória. É o estilo dele. É bacana isso.

Mas vocês dois dialogam com frequência? Ou regularmente?

Eu não vou responder a essa pergunta. Não tem cabimento a gente não dialogar.

Governador, acho que a pergunta é pertinente e legítima, em função do fato de que vocês dois, pelo menos nos últimos dois anos, ainda não foram vistos publicamente juntos. É isso. Só isso. Minha pergunta é estritamente com base nesse fator. Nem eu estou sendo pautado por quem quer que seja. Só para dar esse esclarecimento.

Eu vou na posse dele de governador para te agradar. Combinado? Eu não gosto de voltar no Palácio Anchieta para nada. Eu fiz lá, restaurei aquele prédio e tal. Acho que agora quem está lá tem que tocar. Mas se você precisar que eu vá na posse… Ou então na diplomação, melhor ainda na diplomação. Mas olha: ele é ele, eu sou eu. Vez ou outra, dizem “Ah, o Paulo está por trás…”.

Não estou por trás de ninguém. Estou apoiando um jovem talentoso. Isso é que é bacana. Porque os velhos políticos do Espírito Santo querem se eternizar no poder. Não largam o osso nem na porrada. Isso é que é um troço complicado. Daqui a pouco querem botar filho também. Já botaram filho para tudo quanto é lado, vão querer botar filho na política também.

E quanto a Sérgio Meneguelli? O deputado teve até o seu endosso para se filiar em breve ao PSD, partido do senhor. Ele tem o seu apoio para ser candidato ao Senado?

Está marcado para conversar com o Kassab. Os dois vão conversar: Kassab e Serginho. O Renzo [Vasconcelos, presidente estadual do PSD] é que vai trazer o Serginho para conversar. Quando conversarem, eles vão dar entrevista para você e vão dizer qual é a decisão.

E se ele entrar no PSD, terá no senhor um apoiador na pré-candidatura dele ao Senado?

Deixa eles conversarem.

* Na verdade, na eleição de 2018, Hartung estava filiado ao MDB, mas decidiu não concorrer a um novo mandato. No fim daquele ano, após o pleito, ele se desfiliou.

 

 

Hartung: “Vamos eleger Pazolini governador do Estado”