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Danilo Raposo: “Represento a maioria silenciosa insatisfeita no MPES”

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto: Danilo Raposo Lirio é candidato à chefia do MPES

Em entrevista à coluna, único candidato de oposição a procurador-geral de Justiça conta como pretende superar o favoritismo de Francisco Berdeal, convencer os colegas e o principal “eleitor” deste processo: o governador Renato Casagrande

“Correndo por fora, o nome de Danilo Raposo, hoje promotor em Linhares, também aparece em nossa apuração como um possível outsider corajoso o bastante para tentar de novo, mesmo como total azarão.” Esse foi o último parágrafo de uma longa análise publicada aqui no dia 2 de dezembro, data em que saiu o edital do processo de escolha do procurador-geral de Justiça que chefiará o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no biênio 2026-2028.
Na segunda-feira (26), o próprio Danilo Raposo tratou de confirmar o prognóstico. No apagar das luzes, pegando muita gente de surpresa, ele protocolou sua candidatura a procurador-geral de Justiça. Com isso, será o único a desafiar o absoluto favoritismo do atual ocupante do cargo, Francisco Martínez Berdeal, candidato à reeleição. “Essa questão está longe de estar definida”, avisa ele.

Natural de Colatina, Danilo Raposo Lirio tem 42 anos – 15 deles dedicados ao MPES. Na maior parte desse tempo, integrou cargos administrativos ligados à cúpula da instituição, em gestões do hoje desembargador Eder Pontes, seu padrinho político, e de Luciana Andrade.

Essa é a segunda vez seguida que o promotor se candidata ao comando do órgão. Em 2024, com o apoio velado de Eder, ele chegou em 5º lugar entre os seis concorrentes. A então chefe do MPES, Luciana Andrade, preferiu apoiar Berdeal, em detrimento de Danilo. Berdeal foi escolhido pelo governador e saiu vitorioso do processo.

Na entrevista abaixo, Danilo externaliza algo guardado há dois anos: “Saí da eleição em 2024 com o sentimento de ter sido preterido, porque sempre apoiei a então procuradora-geral de Justiça. Não havia necessidade de uma campanha negativa para me tirar da lista. Foi exatamente o que ocorreu”.

Hoje, Danilo atua na 4ª Promotoria de Justiça Cível de Linhares e, em regime de acumulação, colabora na 2ª Promotoria Criminal de Vila Velha.

Para esse pleito, desafiando a máquina e o profundo favoritismo de Berdeal, o único candidato de oposição aposta na capacidade de canalizar para si os votos de uma “maioria silenciosa” de colegas insatisfeitos com a atual gestão.

“Há uma maioria silenciosa que não está satisfeita com o atual estado de coisas no MPES. Minha candidatura vem para representar essa maioria silenciosa.”

Mas o maior desafio de Danilo não será nem convencer os próprios pares, e sim o governador Renato Casagrande (PSB) – principal eleitor desse certame.

Na entrevista a seguir, ele responde como pretende fazer as duas coisas.

Por que o senhor decidiu se candidatar novamente, pela segunda vez seguida, a procurador-geral de Justiça?

Decidi me candidatar porque tenho uma história na política institucional. Integrei a administração por dez anos. E saí da eleição de 2024 com um sentimento de frustração, evidentemente, porque não figurei na lista. Saí com o sentimento de ter sido inclusive preterido, porque sempre apoiei a então procuradora-geral de Justiça. Não havia necessidade de uma campanha negativa para me tirar da lista. Foi exatamente o que ocorreu. Tenho divergências com a atual gestão, e é por isso que estou vindo. Quero mudar os paradigmas da atual gestão. O segundo motivo é que venho conversando com outras lideranças. Esta candidatura não é uma candidatura de mim mesmo, mas a candidatura de muita gente que está insatisfeita com a atual gestão. Há uma maioria silenciosa que não está satisfeita com o atual estado de coisas no MPES. Minha candidatura vem para representar essa maioria silenciosa. A última eleição deixou claro que há quatro correntes no MPES, e uma maioria silenciosa insatisfeita com o atual estado de coisas.

O senhor fala em quatro correntes. Uma delas seria a do atual procurador-geral de Justiça. A segunda seria a sua. As outras duas seriam aquelas representadas por Pedro Ivo de Sousa e Maria Clara Mendonça Perim. O senhor acha que os três grupos de oposição, somados, correspondem hoje à maioria da classe, a “maioria silenciosa” a que o senhor se refere?

Acredito que sim. Isso ficou muito claro na eleição passada, embora um voto tríplice não seja aritmética simples. Mas quem sabe fazer leitura de voto tríplice consegue perceber isso. [No MPES, para formação da lista tríplice, cada membro pode votar em até três candidatos.]

E qual é o plano agora? O senhor vai se empenhar para conquistar os votos dos eleitores de Pedro Ivo e de Maria Clara na eleição passada?

Quero os votos de todo mundo! De quem está e de quem não está na administração. As pessoas não têm motivo para não votar em mim. Quem acha que Francisco Berdeal é um bom procurador-geral estará dobrando comigo as chances de ter um bom procurador-geral. Quem acha que ele não é um bom procurador-geral terá em mim a chance de ter um bom procurador-geral. Não há razão lógica, ou ontológica, para não votar em mim, até porque eu vim da administração. Quem gosta da gestão de Berdeal, por uma questão de lógica, tem afinidade também comigo, porque eu vim da administração. Sei que não serei unanimidade, porque nem Jesus conseguiu isso, embora eu acredite nele. E sei que ele também acredita em mim.

Mas qual será sua estratégia? O senhor buscará captar os votos dos colegas mais alinhados com Maria Clara e Pedro Ivo, ou que têm mais afinidade com os líderes desses outros setores da oposição a Berdeal?

Minha estratégia é fazer uma campanha propositiva. Todos aqueles que quiserem estar comigo vão ter espaço.

O senhor pretende conversar com eles?

Converso com todo mundo: com Francisco, com Pedro, com Maria Clara. Não tenho problema em conversar com ninguém no MPES. Estive com Francisco há duas semanas, no gabinete dele, tratando de assuntos administrativos.

Mas o senhor pretende conversar com Pedro Ivo e Maria Clara em busca do apoio desses líderes da oposição?

Como eu disse, quero o apoio de todos que queiram estar comigo.

E quem são hoje os seus principais apoiadores, entre os promotores e procuradores de Justiça?

Não gosto de citar nomes, porque o candidato sou eu. Não quero colocar o nome de ninguém na imprensa. Mas tenho apoiadores, que já estiveram comigo em 2024 e que agora se somam a outros colegas. Considero que tenho os apoios necessários para construir uma boa campanha e hoje tenho uma tranquilidade para trabalhar. O atual procurador-geral, já pensando em sua recondução, encurtou o processo. A eleição já será no dia 6 de março, com o Carnaval no meio. Fica evidente que, como está na máquina, ele encurtou o período de campanha. Mas meu nome já está na segunda fase do processo, o que me dá mais tranquilidade para trabalhar. Então minha tarefa nesse período é agregar o maior número de apoios possíveis.

Como só há dois candidatos, o senhor de fato já está na lista tríplice, que é a primeira etapa do certame. Mas e quanto à segunda e decisiva etapa, a escolha do governador, a quem cabe a palavra final? Como pretende convencê-lo a optar pelo senhor?

Tenho uma história de 15 anos no MPES. Atuando na administração, sempre fui um promotor que construí e sempre fui um homem do diálogo. Sou um nome conhecido. Evidentemente, no sistema de freios e contrapesos, o governador tem a prerrogativa de escolher. Mas tenho certeza de que terei êxito também nessa fase do processo. Isso não vai surgir no dia 6 de março. Tenho história, tenho serviços, e isso vai ter peso. Essa questão está longe de estar definida em favor do atual procurador-geral.

E quanto ao desembargador Eder Pontes? O senhor tem o apoio dele para este pleito?

Danilo Raposo: “Represento a maioria silenciosa insatisfeita no MPES”