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Um em cada dois deputados estaduais deve trocar de partido

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Deputados reunidos em plenário / Crédito: Lucas Costa (Ales)

Ao menos 13 parlamentares cogitam mudar de legenda para disputar as eleições de outubro. Troca-troca partidário foca pragmatismo

O mapa partidário na Assembleia Legislativa está prestes a ser redesenhado. A menos de três meses do prazo final de filiações para quem quer concorrer nesse ano, quase metade dos deputados estaduais já se movimenta para mudar de legenda.

O dado faz parte de um levantamento da coluna De Olho no Poder com os 30 parlamentares do Estado. As articulações para o troca-troca partidário já movimentam os bastidores e focam muito mais no pragmatismo do que na ideologia.

Seja por divergências internas ou para encontrar um abrigo mais confortável para as eleições de outubro, fato é que quando a sobrevivência eleitoral está em jogo, a fidelidade partidária é a primeira a sentar na mesa de negociações.

Alguns parlamentares já costuraram a entrada em outras legendas e anunciaram publicamente. Outros, aguardam o posicionamento de algumas lideranças para tomarem a decisão. Há ainda os que dependem de uma mãozinha do Palácio Anchieta para encontrar uma chapa competitiva. E os que estão agindo em silêncio para não colocar a negociação a perder.

Embora alguns já tenham assinado a ficha de filiação na nova casa, a maioria vai deixar para registrar a mudança durante a janela partidária – que é o período de um mês que antecede a data final de filiação partidária.

Ou seja, entre os dias 6 de março e 5 de abril, os deputados estaduais e federais poderão mudar de partido sem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária – uma vez que nas eleições proporcionais, o mandato pertence à legenda.

Equilíbrio de forças em jogo

As mudanças não impactam somente as eleições. Elas respingam também no equilíbrio de forças das bancadas na Assembleia – uma vez que os deputados que trocarem de partido exercerão ao menos nove meses de mandato nas novas legendas.

Isso pode mexer no tamanho da base e da oposição, na composição das comissões e até no resultado de votações de projetos importantes.

No início da atual legislatura, por exemplo, o PL tinha a maior bancada com cinco deputados eleitos. Após três anos, o partido perdeu duas cadeiras e o posto para o Republicanos, que tem hoje o maior número de parlamentares na Ales (5).

Alguns partidos com cadeira única devem perder a representação, como a Rede e o PRD. E o mesmo deve ocorrer com o PSDB, que conta com dois deputados e os dois já decidiram deixar a legenda – até o momento, nenhum parlamentar anunciou que migrará para o ninho tucano.

Outras siglas, porém, devem ganhar representação, como o MDB, partido do vice-governador Ricardo Ferraço, que deve filiar ao menos dois deputados.

Convém lembrar que nem sempre os acordos firmados hoje resistem ao calendário eleitoral. Não à toa, a janela partidária também é conhecida como a “janela da traição”.

 

Veja abaixo quem são os deputados que cogitam trocar de partido para disputar em outubro:

 

Adilson Espíndula (PSD)

Adilson Espíndula no plenário / crédito: Lucas S. Costa/Ales

O deputado, que é pré-candidato à reeleição, disse que irá para o PP.

 

Coronel Weliton (PRD)

Coronel Weliton (foto: Lucas Costa/ Ales)

O deputado disse que deve ir para o Democracia Cristã (DC) ou para o Mobiliza para disputar a reeleição.

 

Denninho Silva (União)

Denninho Silva (foto: Ales)

É pré-candidato à reeleição e ainda vai definir o partido, seguindo orientação do líder do seu grupo político – o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).

 

Bruno Resende (União)

Bruno Resende (foto: Ales)

Já anunciou publicamente que irá trocar de legenda para disputar a Câmara Federal. O deputado vai para o Podemos.

 

Zé Esmeraldo (PDT)

Zé Esmeraldo (foto: Lucas Costa)

O deputado é pré-candidato à reeleição e ainda não definiu se continuará no PDT ou se trocará de partido.

 

Fábio Duarte (Rede)

Fábio Duarte / crédito: Ales

O deputado é pré-candidato à reeleição e disse que será muito difícil permanecer na Rede. Ele afirmou que deve buscar um novo partido.

 

Fabrício Gandini (PSD)

Deputado Fabrício Gandini / crédito: Lucas Costa/Ales

O deputado já anunciou que disputará a reeleição e que irá se filiar ao Podemos.

 

Hudson Leal (Republicanos)

Hudson Leal

O deputado é pré-candidato à reeleição, vai mudar de partido, mas não revelou o destino.

 

Marcos Madureira (PP)

Marcos Madureira (foto: Lucas Costa)

O deputado é pré-candidato à reeleição e ainda não definiu se irá permanecer ou deixar o PP.

 

Mazinho dos Anjos (PSDB)

Mazinho dos Anjos (foto: Ales)

Pré-candidato à reeleição, o deputado deve se filiar ao MDB.

 

Sergio Meneguelli (Republicanos)

Sergio Meneguelli / crédito: Ales

Pré-candidato ao Senado, o deputado tem ensaiado trocar seu partido pelo PSD.

 

Vandinho Leite (PSDB)

Vandinho na Assembleia / crédito: Ales

Ex-presidente do PSDB, o deputado deve migrar para o MDB para disputar a reeleição.

 

Zé Preto (PP)

Deputado Zé Preto / crédito: Ales

O deputado é pré-candidato à reeleição e anunciou recentemente que se filiará ao Mobiliza, ainda neste mês.

 

Um em cada dois deputados estaduais deve trocar de partido