Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Sede da Ales / Crédito: Kamyla Passos (Ales)
Levantamento feito pela coluna mostrou também o motivo dos deputados não quererem voltar à Assembleia: eles estão de olho no Congresso Nacional
Nem todos os caminhos levam de volta ao Palácio Domingos Martins – sede do Poder Legislativo capixaba. Às vésperas de um novo ciclo eleitoral, alguns parlamentares decidiram retirar o time de campo na disputa pela reeleição, o que abre espaço para rearranjos partidários, disputas internas e mudanças no equilíbrio de forças da Assembleia Legislativa.
Num levantamento feito pela coluna De Olho no Poder com os 30 deputados estaduais – ou com suas assessorias e partidos –, ao menos sete revelaram que não tentarão a reeleição.
No entanto, nenhum pretende pendurar as chuteiras. A razão de não disputarem mais um mandato na Assembleia é a mesma: todos vão arriscar voos maiores, mirando o Congresso Nacional. Dos sete, dois pretendem disputar o Senado e cinco, a Câmara Federal.
O levantamento encontrou dados interessantes. Um exemplo é que toda a bancada do PT na Assembleia será renovada. Isso porque os dois deputados que hoje representam o partido vão disputar a Câmara Federal.
Outro fato é que, o deputado que estreou na Assembleia como o candidato mais votado da história do Espírito Santo também não quer continuar como estadual. E nem vai disputar para deputado federal – ele almeja o Senado.
Aliás, um outro ponto interessante é que, dos sete, quatro são novatos. Ou seja, estão em seu primeiro mandato como deputado estadual e já vão tentar postos maiores.
O atual presidente da Assembleia Legislativa também vai abrir espaço no Legislativo estadual. E para duas cadeiras: a sua como deputado e a do comando da Casa. A tendência é que as articulações para presidir a Ales já iniciem logo após o 1º turno das eleições de outubro.
A “subida” para tentar ocupar um assento em Brasília desencadeia a necessidade de um rearranjo nas chapas estaduais o que, normalmente, não costuma ser problemático.
Chapas estaduais com menor número de mandatários tendem a ser mais atrativas para a militância, que passa a enxergar a disputa como mais equilibrada entre os candidatos.
Além disso, esse cenário costuma facilitar a vida dos dirigentes partidários, que já estão tendo dor de cabeça para montar uma chapa federal competitiva.
O levantamento é baseado nas decisões e combinados de hoje. É bom não perder de vista que política é como nuvem e nada impede que daqui até a convenção partidária – quando o martelo das candidaturas é batido –, o cenário mude.
Veja abaixo quem são os 7 que pretendem dizer adeus à Ales no próximo ano:
Marcelo Santos (União)

Foto: Ellen Campanharo/Ales
Presidente da Assembleia Legislativa e presidente estadual do União Brasil, Marcelo está em seu sexto e último mandato como deputado estadual.
Logo no início desta legislatura, Marcelo definiu que disputaria a Câmara Federal e, por esse motivo, deixou o Podemos – partido pelo qual foi eleito – e buscou uma legenda que pudesse comandar. Em 2022 ele foi reeleito com 41.627 votos e seu reduto principal é Cariacica.
Wellington Callegari (DC)

Callegari (Foto: JV Andrade/Ales)
Trocou de partido recentemente – foi eleito pelo PL – e é pré-candidato ao Senado. Está em seu primeiro mandato como deputado estadual e foi eleito em 2022 com 16.842 votos. Tem como reduto Cachoeiro, no Sul do Estado.
Antes de decidir trocar de partido, Callegari tentou emplacar seu projeto de disputa majoritária no PL, mas não encontrou espaço. Ele descartou disputar a reeleição.
Bruno Resende (União)

Bruno Resende (foto: Ales)
Médico e também deputado estadual de primeiro mandato, Bruno já definiu que irá disputar a Câmara Federal no ano que vem. E, para isso, pretende trocar de partido – está com tudo costurado para migrar para o Podemos.
Também de Cachoeiro, ele foi eleito em 2022 com 31.897 votos e tem como reduto o Sul do Estado e também a área médica.
Iriny Lopes (PT)

Iriny Lopes (foto: Lucas S. Costa / Ales)
Com a experiência de já ter sido deputada federal por três mandatos, Iriny Lopes quer voltar à Câmara Federal. Ela está no segundo mandato como deputada estadual, tendo sido reeleita em 2022 com 36.720 votos.
A petista tem como reduto principal a Capital – ela já foi candidata à prefeita de Vitória em 2012 e terminou em 3º lugar. Vai dividir com o colega de bancada a presidência estadual do PT.
João Coser (PT)

João Coser. Foto: Lucas Costa/Ales
Presidente estadual do PT, Coser também já definiu que não disputará a reeleição como deputado estadual. Ele é pré-candidato a deputado federal – cargo que já ocupou por dois mandatos.
Ele e Iriny vão dividir a presidência do partido e também o espólio deixado pelo deputado federal Helder Salomão, que é candidato ao governo e foi, em 2022, o deputado mais votado da bancada federal capixaba. Em 2022, Coser foi eleito com 58.279 votos.
Lucas Polese (PL)

Lucas Polese / crédito: Ales
O jovem deputado – Lucas tem 29 anos – está em seu primeiro mandato na Assembleia, mas já decidiu que não irá disputar a reeleição. Ele é pré-candidato a deputado federal.
Em 2022 foi eleito com 29.490 votos e tem como principal reduto não uma região geográfica, mas a internet, onde iniciou sua militância política e desenvolveu sua campanha.
Sergio Meneguelli (Republicanos)

Sergio Meneguelli / crédito: Ales
Estreante também na Ales, Meneguelli cravou seu nome na história capixaba ao ser o deputado estadual mais votado de todos os tempos. Ele recebeu 138.523 votos em 2022.
Como há quatro anos, Meneguelli quer ser candidato ao Senado e, para isso, pretende até mesmo mudar de partido – está apalavrado com o PSD. É de Colatina, mas seu reduto atinge outras regiões do Estado.