Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto: Lívia e Renzo Vasconcelos / Crédito: reprodução Facebook
Primeira-dama de Colatina, médica Lívia Vasconcelos fará sua estreia nas urnas. Presidente estadual do PSD, prefeito conta motivações da pré-candidatura
O prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD, confirma os planos do partido e de seu grupo político para sua esposa, a médica Lívia Vasconcelos. Como publicamos aqui no dia 9 de novembro, a primeira-dama da maior cidade da Região Noroeste do Espírito Santo já era fortemente cotada para estrear nas urnas e disputar um mandato parlamentar no ano que vem. Agora, em entrevista exclusiva à coluna, o próprio prefeito confirma que Lívia reforçará as fileiras do PSD nas próximas eleições parlamentares, como candidata a deputada estadual ou federal.
Referência na região em sua especialidade, cirurgia oncológica, Lívia opera há anos no Hospital São José, pertencente à família de Renzo, além de atender em consultório particular. Neste ano, a primeira-dama deu à luz a segunda filha do casal, Ava, que se junta ao pequeno Otto. No mês passado, voltou da licença-maternidade. Em eventos políticos do marido em Colatina e arredores, ela tem sido muito assediada e apoiada no projeto de tentar se tornar deputada.
O prefeito afirma que sua esposa se colocou à inteira disposição do grupo liderado por ele para assumir o desafio eleitoral. “Ela disse para mim que não está decidida, mas ela topa fazer o que este grupo e o que eu indicar. Então, ela se colocou como uma soldada, não só em casa, mas também na frente, se precisarmos do nome dela na vida pública.”
Nossa apuração indica que a própria Lívia gosta muito da ideia. Renzo fala do incentivo que ela tem recebido de correligionários.
“As lideranças que acreditam em mim, principalmente nos municípios das regiões Norte e Noroeste, têm me incentivado a ter alguém do grupo que pudesse nos representar. Aí entrou a Lívia. Ela sempre foi meus braços e minhas pernas eleitoralmente. Primeiro, me dando suporte familiar. Segundo, na eleição, indo para a rua, estando do lado, se colocando à disposição. É uma médica, exerce a profissão, de forma alguma faz parte da base na administração. Minha base dela é moral, em casa. Ela exerce a função dela como médica, mas sempre teve lugar mais fraterno, mais harmonioso, e isso fez ela ganhar o carisma.”
Depois de ter sido vereador de Colatina e deputado estadual, Renzo foi candidato a deputado federal em 2022, pelo Partido Social Cristão (PSC). Mesmo tendo sido um dos candidatos mais votados para o cargo no Espírito Santo, com mais de 80 mil votos, não conseguiu se eleger, pois a chapa do partido ficou fraca e não atingiu o quociente eleitoral.
Agora, com a responsabilidade de montar as chapas proporcionais do Partido Social Democrático (PSD) para as próximas eleições no Espírito Santo, o prefeito revela que, apesar de alguns apoiadores preferirem que Lívia seja candidata a estadual, a direção nacional do partido, presidido no país por Gilberto Kassab, prefere que ela venha a federal.
“Logo de cara, as pessoas começaram a pedir para ela representar na Câmara Federal, porque era o último cargo que eu tinha disputado [no pleito de 2022]. Depois, começaram a forçar na esfera estadual, mas parte deste grupo anseia que ela seja federal. E vou te confidenciar que o próprio PSD nacional anseia que ela seja federal, para que a gente possa acabar de montar uma chapa.”
No momento, como a grande maioria dos partidos, incluindo alguns de grande porte, o PSD ainda está longe de ter uma chapa montada no Espírito Santo para a disputa à Câmara Federal. No Estado, uma chapa completa para a Câmara deverá ter 11 candidatos, sendo pelo menos quatro mulheres (e Lívia também pode ajudar a cumprir a cota de gênero).
Eis o dilema, portanto: lançar a esposa para deputada estadual ou federal? Renzo afirma não ter uma preferência pessoal.
“Eu não tenho uma preferência. É óbvio que manter a esposa mais próxima de casa é melhor, porque nós temos dois filhos pequenos, mas agora, com as sessões híbridas, inclusive em Brasília, tendo que ser presencial só nas quartas-feiras, acho que não fará tanta diferença…”
Entretanto, o prefeito e presidente regional do PSD traz para a análise outro elemento: em 2028, ele certamente postulará a reeleição em Colatina. Precisará de apoios de líderes políticos locais. Pensando nisso, talvez lançar a primeira-dama agora a estadual lhe cause menos problemas, em razão da forte concorrência local por lugares em Brasília.
“O grupo está decidindo qual a melhor estratégia a adotar. Eu vou te dizer, como presidente estadual do partido: ter um nome igual a ela para federal é importante. Mas, tratando de relações políticas locais, em torno de Colatina, ou pensando na reeleição, de repente estadual me gere menos conflitos.”
Dois dos dez atuais deputados federais da bancada capixaba são do município: Paulo Foletto (PSB), que tentará a reeleição, e Josias da Vitória (PP), que fará o mesmo, se não for candidato a senador.
Isso sem mencionar que outros três federais do Espírito Santo têm ligações pessoais e familiares com a “Princesinha do Norte”: Jack Rocha (indo para a reeleição pelo PT), Victor Linhalis (indo para a reeleição pelo PSDB) e Helder Salomão (pré-candidato a governador pelo PT).