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Deputada defende gestão pública do Theatro Carlos Gomes e criação de instituto de patrimônio cultural no ES

Por assessoria / Foto: Divulgação

Indicação de Camila Valadão (PSOL) propõe que administração do teatro histórico seja acompanhada de fortalecimento das políticas públicas de cultura e de participação social

A reabertura do Theatro Carlos Gomes, em Vitória, depois de oito anos fechado para reforma e restauração, reacendeu o debate sobre gestão pública e políticas culturais no Espírito Santo. Nesse contexto, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) apresentou uma Indicação ao Governo do Estado para que a gestão do teatro seja mantida sob responsabilidade direta do poder público.

O documento também propõe a criação do Instituto do Patrimônio Cultural do Espírito Santo, com o objetivo de garantir a preservação, a valorização e o acesso democrático aos bens culturais do estado.

“O Theatro Carlos Gomes não é apenas um equipamento cultural, ele é parte da nossa memória coletiva e da história da arte no Espírito Santo. Defender a gestão pública é defender que esse espaço continue cumprindo sua função social, com acesso popular, diversidade artística e respeito aos direitos de quem trabalha com cultura”, afirmou Camila.

Reconhecendo a importância da reabertura do teatro para a cultura no Estado, a deputada alerta para os riscos de uma eventual transferência da gestão do espaço para uma Organização Social (OS). A preocupação, segundo ela, foi apresentada ao mandato por trabalhadores e trabalhadoras da cultura, em especial pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Espírito Santo (SATED-ES).

Na Indicação, a parlamentar destaca problemas de experiências semelhantes de gestão por OS em outros estados, como restrição ao acesso da população, subordinação da programação a critérios de rentabilidade e precarização das relações de trabalho no setor cultural. Para ela, a cultura deve ser tratada como política pública e direito social, e não como mercadoria.

Inaugurado em 1927, o teatro é um dos mais importantes símbolos culturais capixabas e passou por um longo processo de restauração após permanecer fechado por quase oito anos. As obras incluíram a revitalização do telhado, melhorias na climatização e na estrutura cênica, restauração do lustre principal, pintura do teto e recuperação da cor original do prédio, agora em tom camurça. Com capacidade para 450 pessoas, o espaço reabre com equipamentos modernos de som, acessibilidade plena e sistemas de segurança atualizados.

A restauração é fruto de um acordo entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e o Modus Vivendi, dentro do projeto “Resgatando a História”, que soma investimento de R$ 20 milhões, sendo metade com recursos do BNDES e metade da EDP, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Além da defesa da gestão pública do teatro, a proposta encaminhada ao Executivo estadual reforça a necessidade de criação do Instituto do Patrimônio Cultural do Espírito Santo. A iniciativa, debatida há anos por entidades culturais e pelo Conselho Estadual de Cultura, visa estruturar uma instituição pública permanente voltada à preservação, pesquisa e difusão do patrimônio material e imaterial capixaba.

“A criação de um instituto específico é estratégica para garantir políticas culturais de longo prazo. Não se trata apenas de gerir prédios, mas de cuidar da memória, da identidade e da diversidade cultural do nosso povo”, destacou a deputada.

A indicação também cobra que qualquer decisão sobre o modelo de gestão do Theatro Carlos Gomes seja precedida de ampla consulta pública, com a participação de artistas, trabalhadores e trabalhadoras da cultura e de suas entidades representativas. Para Camila, o fortalecimento da cultura capixaba passa necessariamente pelo diálogo, pela transparência e pela participação social.

Deputada defende gestão pública do Theatro Carlos Gomes e criação de instituto de patrimônio cultural no ES