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“Despreparado”: candidato do Novo ao Senado parte para cima de Manato

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto-legenda: Carlos Manato versus Leonardo Monjardim  

Ex-deputado afirmou que Monjardim só quer concorrer ao Senado para ganhar visibilidade e se candidatar a vice-prefeito de Vitória em 2028. Monjardim reagiu com fúria: “pistoleiro de sonhos”, “desqualificado”, “turismo político”, “velha política”, “negociatas” e “vergonha para a direita”

Enquanto o PL, nacionalmente, vive dias de autocombustão, forças de direita no Espírito Santo também estão em chamas, brigando pesadamente entre si (e em público). Na manhã desta quarta-feira (3), o vereador Leonardo Monjardim, pré-candidato do Novo a senador, partiu para cima do ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), que também pretende disputar uma vaga no Senado em 2026. Entre outras cobras e lagartos, o vereador de Vitória disse que Manato é “um despreparado”, um “pistoleiro de sonhos” e “uma vergonha para a direita no Espírito Santo”. Isso tudo da tribuna da Câmara, em plena sessão plenária.

Não é de hoje que temos observado uma superlotação de pré-candidatos no Espírito Santo do polo que vai da centro-direita à extrema-direita: além de Monjardim e Manato, podemos citar Maguinha Malta (PL), Wellington Callegari (DC), Marcos do Val (se conseguir legenda) e Euclério Sampaio (aliado do governo Casagrande, ao contrário dos demais). Sérgio Meneguelli também tem apelo junto a parte do eleitorado de direita. Há, ainda, a possibilidade de Evair de Melo (PP) ou Da Vitória (PP) se candidatarem.

O que desencadeou a fúria de Monjardim contra Manato foi trecho de um discurso feito pelo ex-deputado na noite de terça-feira (2), no plenário da Câmara de Vila Velha, durante sessão solene promovida pelo vereador Patrick da Guarda (PL) em homenagem, justamente, a movimentos de rua de direita no Espírito Santo.

Manato não citou Monjardim pelo nome, mas fez uma fala nitidamente direcionada para o pré-candidato do Novo, insinuando que o verdadeiro objetivo dele é ganhar vitrine em 2026 para ser candidato a vice-prefeito de Vitória nas próximas eleições municipais.

“O projeto do Callegari é um projeto. Ele está botando o nome dele e defendendo suas ideias. Esse projeto eu acredito que pode ter um futuro. O projeto que eu defendo é mais ou menos nessa linha também. Quem aqui vai falar que eu não sou conservador? […] Quem já viu os vídeos do nosso presidente [Bolsonaro] falando, vê ele falando a todo momento. Agora, ‘eu sou candidato porque em 2028 eu quero ser candidato a vice-prefeito’… Não é projeto. Pode estar no partido que queira. Não é projeto. É isso que nós temos que olhar”, declarou Manato.

A reação de Monjardim

Na manhã desta quarta-feira, Monjardim subiu à tribuna da Câmara de Vitória para rebater. E o fez com estrondo. Dizendo que queria “mandar um recado” para Manato e desafiando-o a “debater qualquer tema”, Monjardim chamou o ex-deputado de “incompetente” e “despreparado”, só para começar.

“A união foi uma fala universal na noite de ontem [na sessão solene]. Apenas um parêntese para um momento tão triste. Aquele que deveria ser o grande líder da direita e que precisava estar unindo a direita é o que mais provoca cisão na direita. E aí eu vou dar nome, porque ele ficou falando nas entrelinhas, mas eu sou homem pra falar de quem quero falar. Quero falar do senhor Carlos Manato, que ontem destoou na nossa sessão. […] Não é que a carapuça coube na minha cabeça, é que dois interlocutores já me falaram que o Manato tem espalhado no meio político que a minha candidatura é um factoide e que é um projeto para 2028 para ser vice-prefeito. […] Vossa Excelência mostra que, exatamente por isso, foi tão incompetente e não conseguiu ganhar as duas últimas eleições para o Governo do Estado, mesmo tendo o apoio do maior líder da direita no Brasil, que é o Jair Messias Bolsonaro, e com todos os movimentos de direita no Espírito Santo do seu lado. Mas você é muito despreparado, Carlos Manato!”

Monjardim chamou Manato de “vergonha”:

“Você é muito desqualificado! Você é uma vergonha para a direita do Espírito Santo. Você teve um milhão de votos e você não consegue sequer um partido para te abrigar para ser candidato ao Senado. E aí fica aí nos botequins da cidade conversando fiado, desqualificando a nova geração da política”.

O vereador (que já foi do PT e do PDT) lembrou o passado e os vários mandatos de Manato por partidos de esquerda:

“Você só ganhou eleição quando você estava na esquerda, no PDT, apoiado pelo Sérgio Vidigal na Serra. Depois foi ser reeleito pelo Solidariedade, do Paulinho da Força Sindical, ex-PT. E não adianta agora também falar que eu já passei pela esquerda, sim, tenho o maior arrependimento, fiz uma reflexão e estou no campo da direita desde 2018. […] Vossa Excelência é tão despreparado, tão desqualificado que não consegue nem pensar em um projeto maior, […] que se propõe a ir a uma sessão solene para dar alfinetada em um vereador que quer seu espaço ao sol”.

Monjardim sugeriu que Manato é dado a “negociatas” e o mandou “tomar vergonha na cara”:

“Você deve estar muito incomodado porque talvez entenda que eu sou mais preparado que você pra ser senador da República, porque você não consegue juntar ninguém. Você está medindo as pessoas pela sua régua! Nós não estamos aqui sendo candidato pra fazer negociata, não! Eu sei que você muitas vezes foi candidato pra eleger sua mulher [a ex-deputada federal Soraya Manato], pra depois sentar na mesa pra negociar. Então não me meça pela sua régua! Tome vergonha na cara, seja homem, seja digno e faça política com pê maiúsculo, porque você não merece respeito!”

O pré-candidato do Novo afirmou se arrepender de ter votado em Manato para governador e que “graças a Deus” ele perdeu para Casagrande:

“Eu tenho o maior arrependimento hoje de ter votado em você, e graças a Deus você não ganhou. Apesar de o Casagrande não ser um grande governador, não é o governador que me representa, mas eu não sei o que seria do Espírito Santo se você fosse governador, porque você é muito despreparado! Muito despreparado!”

Inovando, o vereador chamou Manato de “pistoleiro de sonhos”:

“Muitas vezes, velhos políticos, da velha política, se tornam pistoleiros de sonhos. Essas pessoas que se apequenaram em busca do poder a qualquer custo e que não querem soltar nunca e, quando veem uma transformação geracional da política, ficam extremamente incomodadas, a ponto de fazer um papel desses”.

Monjardim ainda troçou dos vídeos que Manato tem postado em suas redes sociais, com motes bem amenos e, digamos, “ostentação”:

“O nosso ex-candidato, derrotado duas vezes, ao Governo do Estado, está mais preocupado em ficar fazendo videozinho dele cozinhando, fazendo lagosta, fazendo camarão VG, lá na pousada dele, em Pedra Azul, ficar filmando balãozinho passando ao lado da Pedra Azul, do que fazer o enfrentamento político, porque ele é o retrato do turismo político: só aparece a cada quatro anos: acaba a eleição, ele vai cozinhar, tomar vinho, brincar de empresário… Aí, depois, quando aparece o processo eleitoral, ele começa a ficar incomodado com quem se colocou há quatro anos. Aí ele acha que todo mundo tem que colocar um tapete pra ele e pedir ‘ô, Excelência, por favor, você é o candidato de todos’.”

O vereador afirmou que Manato só persegue um “projeto familiar”:

“Tá achando que tem um milhão de votos! Carlos Manato, você não tem um milhão de votos! […] Se depender de você, você não vai ter nem 70 mil votos. Você é desqualificado, despreparado, não sabe unir as pessoas. Planta a discórdia a todo momento. É por isso que você não tem espaço no seu partido. É por isso que você bateu na porta de todo mundo e ninguém te deu legenda pra disputar o Senado, porque você não agrega absolutamente nada pra partido nenhum porque seu projeto é um projeto familiar. O que você sabe fazer é pedir votos pra você e pra sua esposa! Você não pensa no Espírito Santo!

Dizendo não querer entrar no “campo pessoal” (mas meio que entrando), o vereador do Novo também insinuou que Manato é um “falso conservador”:

“E fica aí com demagogia de dizer que é conservador! Conservador?!? Eu não vou entrar no campo pessoal, não. Mas se olha no espelho! Sua atitude é de conservador? A história mostra, os jornais mostram. Tem muita gente aí que está na centro-esquerda aí que é mais conservador que você, que respeita a família mais que você. Então tem que abaixar a bolinha, medir suas palavras. Tem que ter colhão, tem que ser macho! Quando você quiser enfrentar alguém, falar de alguém, fale o nome, dê o nome, faça o enfrentamento olho no olho!”

A réplica de Manato: “Foi o presidente do Novo quem falou”

Procurado pela coluna, Manato respondeu que, em primeiro lugar, não fez mais que externar aquilo que ouviu do próprio presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar:

“Eu só exteriorizei o que o partido dele falou e ele mesmo já falou pelos corredores pra muitas pessoas. Eu estive quatro vezes com o presidente do partido dele, Iuri Aguiar, conversei várias vezes, eles podem desmentir, mas o projeto do partido Novo, falado pelo presidente do Novo, é fazer um deputado estadual, romper a cláusula de barreira para deputado federal, conseguindo acima de 45 mil votos, e projetar o Monjardim pra 2028 pra ser majoritário ou vice-prefeito. Essas palavras não fui que falei. Eu só exteriorizei o que o presidente do partido dele falou”.

Sobre a acusação de que é um “falso conservador”, Manato afirmou que foi ele quem trouxe Bolsonaro para o Espírito Santo, antes mesmo de 2018, quando o então colega na Câmara dos Deputados só tinha 6% de intenção de voto para a Presidência da República. E virou a mesa, insinuando que Monjardim pode estar agindo a mando da esquerda:

“Ele já foi filiado ao PT. Será que ele não está a mando de alguém? Será que não é ele quem está querendo dividir a direita? Vou falar sempre que eu puder, vou falar nos encontros: ele foi criado no PT. Será que ele não tem interesse na eleição de Contarato? Vai saber, né?”

Manato disse que, nas conversas com o dirigente do Novo, fez a proposta de se filiar ao partido e ajudar a montar as chapas de deputados estaduais e federais. Propôs que ele mesmo e Monjardim ficassem como pré-candidatos ao Senado e, mais à frente, com base em pesquisas, o partido escolhesse um dos dois. “Foi uma proposta decente. Até hoje estou esperando. Agora vêm falar em ‘união’? Eles é que estão dividindo!”, rebateu o ex-deputado.

Quanto a não ter conseguido um melhor desempenho nas urnas em 2018 e, sobretudo, em 2022, mesmo sendo o candidato de Bolsonaro, Manato atribuiu a derrota à escassez de recursos de campanha por parte do PL, presidido no Estado pelo senador Magno Malta:

“Na minha campanha para governador, fui para o 2º turno sem estrutura. Fiz campanha com R$ 100 mil. Os candidatos a prefeito de Vitória e Vila Velha [em 2024] tiveram 20 vezes mais recursos que eu. E fui contra a máquina. Foi por isso que não consegui algo melhor”.

Manato diz estar com a ficha pronta para se filiar o Republicanos. É o partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, cujo líder na Câmara de Vitória é… (adivinhem)… ele mesmo: Monjardim.

O Republicanos não dá a Manato certeza de que ele será candidato a senador.

Iuri Aguiar: “Informação falsa” e “má-fé”

Procurado pela coluna, o presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar, de fato desmentiu a informação de Manato:

“Essa afirmação é falsa. O projeto do Novo é a candidatura plena do Monjardim ao Senado, inclusive com aval do presidente nacional, Eduardo Ribeiro, e do nosso pré-candidato à Presidência, Romeu Zem,a em evento ocorrido no último dia 8 de novembro. A tentativa dele de querer diminuir a nossa candidatura mostra o tamanho de sua má-fé”.

Patrick da Guarda: indireta para Magno Malta

O vereador Patrick da Guarda (PL), proponente da sessão solene na Câmara de Vila Velha onde Manato mandou a indireta para Monjardim que foi o estopim disso tudo, lamentou a reação do vereador de Vitória nesta quarta-feira.

“Nosso objetivo é unificar a direita, pois estamos vendo que, no Brasil todo, tem havido movimentos de racha e divisão. O que o Monjardim fez hoje foi justamente o contrário do que procuramos fazer através da sessão solene”, disse Patrick.

Como se a fogueira já estivesse baixa, o vereador do PL ainda mandou uma indireta para Magno Malta, presidente estadual do partido dele próprio:

“Quero responder para aquelas pessoas que querem tomar conta da direita, que se acham donas da direita: a direita não tem dono! Não adianta ter projeto familiar e pessoal. O projeto da direita é de grupo, e é assim que vamos ganhar a eleição em 2026. A direita é um movimento suprapartidário. Quem quiser rachar nós vamos isolar!”

Não é possível…

Monjardim, vereador do Novo, acusa diretamente Manato de nutrir um “projeto familiar”. Patrick, vereador de Vila Velha, faz a mesma acusação, indiretamente, a Magno Malta.

O colunista não pode deixar de registrar, pois chega a ser surreal:

Se tem um político neste país que nutre (há décadas) um projeto familiar de poder, esse político se chama Jair Messias Bolsonaro. Acima dos eventuais projetos de Manatos, Magnos etc., há o explícito projeto familiar de poder cultivado pelo clã Bolsonaro, com extensões igualmente explícitas em 2026.

Incrivelmente, nenhum dos agentes citados neste texto parece se dar conta disso, ou estar minimamente disposto a lançar para a família do seu líder maior o mesmo olhar crítico que não hesitam em lançar para adversários locais dentro da direita.

Quando se trata de Bolsonaro, parece que a capacidade crítica (senso crítico, se preferirem) anula-se completamente. Para o ídolo, tudo vale e tudo de perdoa.

“Despreparado”: candidato do Novo ao Senado parte para cima de Manato