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Helder Salomão: “Serei o pré-candidato da continuidade e da mudança”

Helder Salomão: “Serei o pré-candidato da continuidade e da mudança”

Por Vitor Vogas / ES 360 / Fotos: Divulgação

Mais pré-candidato que nunca a governador do ES, deputado concedeu esta entrevista especial à coluna. Falou de possíveis aliados, de potenciais adversários e, principalmente, de projetos para o Espírito Santo

Mais pré-candidato que nunca a governador do Espírito Santo, o deputado federal Helder Salomão (PT) nos concedeu a entrevista abaixo. Falou de possíveis aliados, de potenciais adversários e, principalmente, de projetos para o Espírito Santo. Deixou uma crítica ao governo Casagrande (PSB) e uma alfinetada no vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). E sintetizou: “Serei o pré-candidato da continuidade e da mudança”.

senhor agora é pré-candidato a governador do Espírito Santo?

Sou pré-candidato a governador pela Federação Brasil da Esperança, embora não a todo custo. A pré-candidatura é para valer. Estou muito animado e confiante. Há uma unidade partidária em torno da nossa candidatura. Temos feito conversas com os outros dois partidos da federação [PV e PCdoB] e também com os da Federação PSol/Rede, e há um entendimento muito favorável a essa possibilidade. Vamos intensificar a conversa com outros partidos do nosso campo e partidos que dão sustentação ao governo do presidente Lula. E estamos em conversa com a direção nacional do partido, que já nos deu o aval.

O projeto está sendo muito bem recepcionado não só pelo PT, mas pela esquerda, pelos progressistas e democratas. Nosso movimento é mais do que um nome. Tem meu nome, mas tem um projeto que estamos discutindo. Temos bom diálogo até com forças de centro, com líderes de partidos de centro. Não se trata só de disputar o projeto eleitoral e de fazer o palanque para Lula no Espírito Santo. Seremos mais que isso.

Esse movimento parece ter se intensificado bastante desde setembro, quando João Coser foi empossado presidente estadual do PT e praticamente lançou sua pré-candidatura (simbolicamente, em Cariacica). O senhor discursou no evento, disse que estava à disposição, mas listou algumas condições para ser candidato. Agora, já fala como pré-candidato…

Daquele dia para cá, as coisas avançaram bastante.Em outubro, começamos a fazer as movimentações políticas e as articulações. Realizamos várias conversas com partidos e lideranças da sociedade capixaba, políticas, religiosas, de instituições e de entidades. Iniciamos um ciclo de debates sobre o presente e o futuro do Espírito Santo. No dia 1º de novembro, fizemos duas plenárias, em São Mateus e em Águia Branca. No dia 15, mais duas plenárias, em Cachoeiro e em Muniz Freire. Reunimos mais de 500 pessoas, de 34 municípios, a maioria filiada ao PT, mas não somente. Discutimos concretamente a possibilidade de construirmos a nossa pré-candidatura ao Governo do Estado. E iniciamos o debate sobre um projeto para o Espírito Santo.

Já estão fazendo um plano de governo?

Vamos formar uma comissão para discutir e elaborar um plano de governo. A nossa ideia é que a gente discuta projetos e não só candidaturas. Sempre digo que há uma diferença grande entre minha pré-candidatura e a dos meus adversários: enquanto eles querem ser governador por um projeto pessoal e de poder, a nossa pré-candidatura é um projeto coletivo para a população capixaba. Queremos discutir um projeto e as demandas da sociedade capixaba. Até aqui, o debate eleitoral no Espírito Santo está focado em nomes, não em projetos.

“Enquanto os meus possíveis adversários estão muito obcecados em ser governador, eu não quero ser governador; quero servir o povo. Estou leve por isso.”

A quais possíveis adversários o senhor se refere?

Eu me refiro a todos. Nossas plenárias não são só para discutir nomes e candidaturas. Queremos apresentar um projeto democrático e popular que contemple tanto o presente como o futuro do Espírito Santo. Nenhum outro pré-candidato está fazendo esse debate.

Helder Salomão. Foto: Divulgação

como é esse projeto?

Vou lhe dizer premissa que vamos defender. É importante o Espírito Santo ter as contas equilibradas e nota A no Tesouro Nacional. Eu fui prefeito e sei o quanto é fundamental manter as contas públicas equilibradas. E o nosso projeto é para manter isso. Mas existem políticas sociais.

“Hoje, o Espírito Santo não é nota A em políticas sociais. Queremos que seja. Para isso, precisamos aprofundar as políticas sociais.”

Por exemplo?

Na educação, na agricultura familiar, nos investimentos para as micro e pequenas empresas, no combate à pobreza, no investimento voltado à regionalização da saúde. Não que hoje não existam políticas sociais no Espírito Santo. É claro que existem. Mas precisamos aprofundar. Ao mesmo em que o equilíbrio precisa ser mantido, precisamos aprofundar as políticas sociais.

“A nossa síntese até aqui é a seguinte: serei o pré-candidato da continuidade e da mudança.”

Como assim?

Não estamos fazendo nenhum jogo de cena. Estamos dialogando com todas as forças democráticas e queremos preservar todas as conquistas que tivemos nas últimas duas décadas. Não queremos ser um movimento político que promova descontinuidade no Espírito Santo. Como prefeito de Cariacica, mostrei que equilíbrio das contas e investimentos em políticas sociais não são excludentes. As duas coisas se complementam.

No meu segundo mandato, tinha nove partidos compondo a administração municipal. Ninguém precisa mudar seu posicionamentos políticos. Mas você tem que ter capacidade de dialogar a de compor um projeto e um governo amplo.

“O grande risco em 2026 no Espírito Santo é o da descontinuidade.”

E quem representa isso, no seu sentir?

Acho que isso está nítido para a população capixaba. Ela não quer a descontinuidade, mas também não quer mais do mesmo.

“Vou trabalhar para preservar as conquistas e para que não haja descontinuidade em questões centrais, mas para que também haja mudanças, com ações cada vez mais fortes nas políticas sociais.”

O Espírito Santo tem muitas experiências bem-sucedidas, mas achamos que o Estado pode ir mais longe. E, conectados com o projeto nacional, teremos condições de fazer muitas parcerias com o governo Lula.

Helder Salomão com Lula. Foto: Divulgação

Em caso de reeleição do Lula…

Sim, sim. Queremos propor um governo de participação popular. Essa é uma marca que queremos implementar no Espírito Santo. Isso, a nosso ver, está muito distante hoje.

“Será a nossa marca: um governo com intensa participação popular e com mecanismos que garantam essa participação. Isso não foi feito a contento nos últimos anos.”

Uma das suas condições para se candidatar a governador era o apoio da direção estadual do PT. Isso o senhor já tem. A segunda era o aval da direção nacional. Também podemos dar um check. A terceira e mais importante era a concordância do presidente Lula. Podemos dizer que só falta o Lula dar ok?

Com certeza! Com o apoio do presidente Lula declarado, serei o pré-candidato declarado da federação.

“O apoio do presidente Lula será a senha para que a gente anuncie oficialmente que o movimento vai seguir para culminar com nossa candidatura, com muita humildade, mas com muita ousadia.”

Embora estejam unidos no governo Lula, PT, PSol e Rede não têm, no Espírito Santo, um histórico de alianças eleitorais… O senhor acredita que, dessa vez, a Federação PSol/Rede estará mesmo com vocês na majoritária?

Acredito muito nessa possibilidade e tenho esperança de que teremos um entendimento. As conversas até aqui foram muito positivas. Acredito numa unidade no campo de esquerda, com possibilidade de atrair lideranças de outros partidos que não estão nessas duas federações.

Quais lideranças?

Já temos hoje e vamos começar a divulgar na hora certa.

Helder Salomão. Foto: Divulgação

O senhor mencionou, lá no início, que o PT passará a intensificar o diálogo com partidos que são sustentação ao governo Lula. Um deles é o MDB, partido de centro que, aqui, é presidido pelo vice-governador Ricardo Ferraço, um dos seus possíveis adversários… Esse diálogo inclui o MDB?

Nós queremos conversar com todas as forças políticas e lideranças do campo democrático que quiserem conversar conosco. O problema é que o vice-governador disse que o PT tem que cuidar dele próprio e lançar suas próprias candidaturas.

“Pode ter certeza que nós estamos cuidando de nós. Complete aí: estamos cuidando de nós para cuidar do povo capixaba.”

E com o governador Casagrande? Vocês querem conversar sobre eleições?

Ele já sinalizou que quer conversar conosco. E vamos conversar com ele, sim, com certeza. Em breve a agenda será marcada. Não temos nenhuma dificuldade de dialogar com ele. Repito: com todas as lideranças que forem defensoras da democracia, nos interessa conversar. Os que foram pró-golpe estão em outro campo e não fazem parte da nossa estratégia de conversas políticas.

 

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