Notícias

[wpadcenter_ad id=8039 align='none']

Entrevista: o candidato do partido Novo ao Senado no Espírito Santo

Vereador Monjardim homenageará o governador Zema nesta sexta-feira (7)

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto: Divulgação

Em entrevista à coluna, Leonardo Monjardim fala de suas motivações, ideias e planos e da determinação em manter a candidatura contra todas as probabilidades

Apesar de ter ideologia clara e identidade programática (algo raro entre os partidos brasileiros), o Novo é uma agremiação política pequena no país e no Espírito Santo. Para as eleições de 2026, as aspirações do partido são inversamente proporcionais às suas dimensões. No Estado, o Novo faz questão de apresentar um candidato majoritário próprio. É Leonardo Monjardim, vereador de Vitória e pré-candidato ao Senado. Primeiro mandatário da história do partido de direita no Espírito Santo, ele foi lançado no último sábado (8), em evento com a presença do pré-candidato à Presidência pela sigla, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Dois dias antes, Monjardim recebeu a coluna em seu gabinete na Câmara de Vitória. Na entrevista a seguir, ele explica suas razões, motivações e expectativas para uma disputa em que entra (conscientemente) como grande azarão, não só pela reduzida estrutura do Novo, mas porque a concorrência, além de numerosa, é fortíssima – inclusive no espectro da direita.

Com passagens anteriores pelo PDT e até pelo PT, Monjardim se diz convertido à cartilha liberal do Novo na economia, ao passo que, nos costumes, se declara um conservador. Seu próprio gabinete oferece uma abundância de signos desse “conservadorismo”: em meio a uma bandeirinha do Brasil Império, duas Bíblias e um quadro com a linhagem de políticos da tradicional família Monjardim, o pequeno local de trabalho tem tantas imagens de santos que se assemelha a uma capela.

Para efetivamente se eleger, Monjardim talvez precise de um milagre, mas não é isso que mais o motiva… Lembrando que, como vereador, ele tem mandato assegurado até 2028, seu foco está em se fortalecer para um “projeto futuro”. E ajudar o Novo a florescer no jardim político capixaba.

Abaixo, nosso pingue-pongue com o vereador.

Por que o senhor e o partido decidiram lançar essa pré-candidatura própria do Novo ao Senado?

Nós somos um partido jovem, com apenas 10 anos, mas, com a candidatura do governador Romeu Zema, sabemos que é muito importante para um candidato presidencial ter candidaturas majoritárias nos estados para casar essa campanha. E aqui no Estado fizemos a opção de não ter um candidato a governador, mas entendemos que era muito importante ter uma candidatura ao Senado, considerando que nós temos duas vagas, e isso seria não só importante para fazer o palanque presidencial, mas também para construirmos uma alternativa para o Espírito Santo. Em consenso, entendemos que o meu nome era o mais preparado e seria o melhor nome do partido, tendo em vista que nosso mandato em Vitória é uma vitrine hoje para o partido em nível estadual.

A decisão é irreversível? O Novo terá o senhor como candidato ao Senado de qualquer maneira, independentemente da conjuntura política local e de eventuais mudanças no cenário eleitoral?

O Novo é um partido muito diferente. A gente não trabalha com CPF, mas com planejamento estratégico, pensando no futuro e na estrutura partidária. Costumamos dizer que não estamos muito preocupados em fazer aquilo que dá certo, mas sim em fazer o que é certo. E compreendemos que construir um quadro político dentro do Espírito Santo é muito importante para um partido a médio e longo prazo. Por isso a escolha recaiu sobre o meu nome, tendo em vista que nós estamos no nosso segundo mandato na Capital e ganhamos uma certa visibilidade com o nosso trabalho, projetos que impactaram a vida das pessoas e ultrapassaram as fronteiras do nosso estado. Queremos fazer aquilo em que acreditamos e hoje acreditamos em criar uma alternativa para o Espírito Santo, com um nome novo, que possa representar de forma diferente e promover a mudança geracional da política. Esse é o nosso objetivo.

Então o Novo está disposto a manter a sua candidatura inclusive de maneira avulsa, sem coligação partidária, se isso for necessário?

No último encontro que tivemos em São Paulo, em agosto, no aniversário de dez anos do Novo, discutimos isso com o nosso presidente nacional, Eduardo Ribeiro, com o senador Girão, com o deputado Marcelo van Hattem, e o partido está muito decidido na sua posição. Isso vai ser uma política que o Novo vai fazer em vários estados do Brasil. Nós temos vários candidatos a senador, e esse é um projeto partidário, porque acreditamos naquilo que o partido defende. Não são projetos pessoais. Então, se for necessário uma candidatura avulsa baseada naquilo que a gente acredita, a gente vai de avulsa.

Só o Novo?

Só o Novo. Essa é a prioridade. A nossa “prioridade prioritária” é atingir a cláusula de barreira, apresentar bons quadros ao Senado, para que a gente possa fortalecer a política nacional no Congresso, fazer os palanques majoritários nos 27 estados junto com o governador Romeu Zema e, se possível, construir uma chapa competitiva para deputado estadual para que possamos ter um representante na Assembleia Legislativa.

O senhor acaba de destacar que a prioridade número um do Novo, nacionalmente e também no Espírito Santo, é superar a cláusula de barreira. Partindo dessa premissa, não seria mais interessante uma candidatura do senhor a deputado federal, justamente a fim de ajudar o partido a superar a cláusula de desempenho?

Tudo isso foi muito bem planejado. A minha candidatura a deputado federal teria um bom corpo, porém muitos daqueles que hoje são nossos candidatos a deputado federal são pessoas que querem estar em uma aliança comigo. Se eu fosse candidato a deputado federal, eu traria um retorno para o partido, em quantitativo de votos, mas eu perderia em capacidade de amplitude da chapa. E hoje há uma dificuldade muito grande para se formar uma chapa federal. Hoje nós temos 11 candidatos e, desses 11 candidatos, pelo menos seis ou sete são aliados meus. Então, isso seria um impedimento. Matematicamente, compreendemos que, com a minha subida para o Senado, a chapa de federal ganharia muito mais, pois assim consigo trazer esses seis ou sete candidatos para a chapa.

E, se o senhor mesmo fosse candidato a federal, esses seus aliados, pré-candidatos que estão sob sua influência, não entrariam na chapa para não disputar votos com o senhor?

Isso mesmo. É um planejamento estratégico. Até porque, quando você tem uma candidatura majoritária como é a minha ao Senado, você também fortalece as candidaturas proporcionais.

Agora, realisticamente, o senhor acredita de fato em chances de vitória eleitoral? Eu lhe faço esta pergunta considerando não só o tamanho do Novo, mas, repito, de modo muito realista e pragmático, considerando o rol de concorrentes muito fortes que se apresentam para essa mesma disputa, inclusive o próprio atual governador, para citar um exemplo, além do fato de que historicamente não há registro de um vereador de qualquer município do Espírito Santo que tenha se elegido diretamente para o Senado Federal. Há, é claro, o duplo precedente de Contarato e Do Val, que nem sequer tinham mandato, mas a eleição de 2018 foi sui generis… O senhor acha mesmo possível?

O partido tem todas as credenciais para se mostrar para o eleitor como uma alternativa nova e positiva. Penso que a política capixaba precisa fazer uma transformação geracional. Temos dois senadores que, a meu ver, não representam aquilo que os capixabas gostariam que eles tivessem representado. Eu acho que estão muito mal avaliados e há uma janela de oportunidade para que a gente possa ter dois novos senadores no pleito de 2026. Evidentemente, sabemos que o desafio é enorme, não temos essa inocência, sabemos que vamos enfrentar candidaturas “fortemente fortalecidas”, tanto pelo apoio político como também pela questão financeira, que sabemos que são fatores determinantes numa eleição majoritária. Mas precisamos também ter a responsabilidade, como homem público, de não só jogar jogo fácil e jogo que está ganho. Precisamos enfrentar os desafios. E precisamos entender também que a urna é um detalhe de um processo eleitoral. Acho que o mais importante desse processo é você trazer uma ideia, é você defender uma ideia, é você se colocar com a visão diferenciada daquilo que está sendo posto para a sociedade. As pessoas começaram a compreender a responsabilidade do Senado Federal, e a gente só vai conseguir mudar o Senado se a gente apresentar quadros diferentes. O que está posto até agora entre os nossos adversários são políticos tradicionais de três, quatro décadas, e eu penso que a sociedade precisa ter uma alternativa de mudança. Ainda que ela seja improvável aos olhos daqueles que fazem análise política, quem vai decidir é a sociedade no dia da eleição.

Mas o senhor entra nessa disputa efetivamente para ganhar, ou para adquirir uma visibilidade maior e se projetar para algum pleito futuro em 2028?

Eu vou entrar para ganhar. É por isso que é inegociável de minha parte qualquer situação, ainda que seja extremamente confortável. E não existe essa possibilidade. É uma coisa que já foi debatida internamente no partido, com as pessoas mais próximas que nos apoiam. Obviamente, muita gente ficou um pouco surpresa com essa decisão, justamente por essa compreensão, mas, como eu disse, o time tem que jogar é jogo grande. E, se a gente pensa em ter um projeto futuro maior ou grandioso que ainda não está desenhado, mas é um sentimento de contribuir de uma forma mais efetiva para a sociedade. Mas hoje não penso no futuro. Estou focado em fazer um bom segundo mandato na Câmara e na minha candidatura a senador.

E qual é esse projeto de futuro mencionado pelo senhor, tanto o seu como o do partido aqui no Espírito Santo?

O projeto do partido é o de ocupar espaços maiores na política. E, para a gente ocupar espaços maiores, a gente precisa disputar espaços maiores. E vamos começar pelo Senado. Cada eleição é uma eleição. Se eu começar a pensar nessa eleição já pensando em 2028 ou 2030, eu começo a mentir para mim mesmo.

Mas, para 2028, o Novo está considerando lançar, por exemplo, candidato a prefeito de Vitória?

Nós não discutimos isso, até porque seria uma discussão na esfera municipal. Hoje a discussão desse projeto político está discutida na esfera estadual.

Falando em Prefeitura de Vitória, o senhor apoia o atual prefeito Lorenzo Pazolini, faz parte da base parlamentar do prefeito e, inclusive, é o líder dele na Câmara. Mas e quanto ao Novo? O senhor considera que o Novo também esteja no governo Pazolini?

O Novo é diferente dos outros partidos. Quem é mandatário, como eu, não pode interferir na gestão partidária. Da mesma forma, quem é gestor partidário não pode ser candidato. Então, são coisas completamente diferentes. Vários atores que estão na prefeitura foram candidatos pelo Novo. O partido não tem uma característica pragmática de apoiar por apoio, por espaço político. O Novo apoia por acreditar naquilo que está sendo defendido pelo candidato. E é dessa forma que o Iuri Aguiar, nosso presidente estadual, vai avaliar.

E na eleição a governador do Espírito Santo, o senhor, pessoalmente, inclusive como líder do prefeito aqui na Câmara Municipal, apoia a pré-candidatura do prefeito Lorenzo Pazolini ao Governo do Estado?

Não poderia ser diferente, tendo em vista que eu sou da base aliada e sou o líder do governo. Mas é um posicionamento muito pessoal. Agora é o partido que vai definir e eu respeito muito isso.

Mas o senhor, pessoalmente, defende que o Novo esteja na coligação encabeçada pelo prefeito Pazolini ao Governo do Estado?

Será uma definição da direção estadual.

Mas o senhor avalia que a eventual presença do Novo numa coligação majoritária liderada por Pazolini no ano que vem pode favorecer sua candidatura ao Senado?

Isso eu não sei porque o Pazolini, em nenhum momento, nem ele nem o Republicanos, dialogou comigo no sentido da possibilidade de eu ser o segundo nome [ao Senado na coligação do Republicanos]. Pode ser que ocorra. Eles ainda estão discutindo com várias frentes.

Qual seria o primeiro nome?

Eles estão conversando com o Novo, com o PL, com o PSD e com o Progressistas. Os quatro partidos colocam nomes ao Senado. E a gente sabe que a legislação permite apenas dois.

Exato. Daí a pergunta anterior, que agora vamos inverter. Eventual presença do Novo na coligação liderada por Pazolini poderia dificultar a sua candidatura? Nesse rol de partidos que o senhor acaba de listar, todos em conversas com o Republicanos de Pazolini, já temos vários outros possíveis candidatos ao Senado: Sérgio Meneguelli, possivelmente pelo PSD, Evair de Melo pelo PP, Maguinha Malta pelo PL…

E eu pelo Novo. Falar qualquer coisa nesse sentido ainda é muito prematuro, e tudo isso ainda será depurado.

Mas insisto: se for o caso, em se confirmando essa configuração, o Novo poderá lançar o senhor como candidato avulso mesmo ao Senado…

Exatamente. O que o Novo decidiu é que a gente não vai alterar o planejamento estratégico do partido em função de qualquer outra candidatura. A gente pode apoiar o candidato a governador, mas a gente não negocia a nossa candidatura majoritária. Até porque nós precisamos ter, aqui no Espírito Santo, uma candidatura majoritária para fazer o palanque do nosso candidato a presidente, Romeu Zema.

O senhor chegou à Câmara de Vitória no fim de 2022 pelo Patriota, como suplente de Gilvan da Federal, cassado àquela altura por infidelidade partidária. Em 2024, o senhor filiou-se ao Novo e se reelegeu vereador pelo partido. Antes, porém, o senhor teve passagens por outros partidos até de esquerda. Passou pelo PT e também pelo PDT, partidos que têm visões ideológicas muito diferentes do Novo, opostas em alguns pontos (como o papel do Estado). O senhor se considera hoje plenamente identificado com a ideologia do Novo? E como é que o senhor explica essa mudança?

Vereador Monjardim homenageará o governador Zema nesta sexta-feira (7)

Entrevista: o candidato do partido Novo ao Senado no Espírito Santo

Vereador Monjardim homenageará o governador Zema nesta sexta-feira (7)